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sexta-feira, janeiro 1

A tua voz...

Tenho na minha alma um buraco que cresce mais e mais e eu já não posso continuar a viver com este silencio que se apoderou do meu corpo. A tua voz... Deixei de a ouvir quando te foste embora. Deixei de poder sentir a pele suave do teu corpo quando me deito na cama. Deixei de saborear os teus lábios. E agora ponho-me a pensar na maneira de como sempre os quis livres de qualquer tipo de bâton, mesmo que me deliciasse com todos aqueles que colocavas, era o sabor doce e natural que eu mais gostava de saborear.

A ausência dos teus olhos sobre mim, o frio devido à falta do teu corpo na minha vida, das tuas mãos sobre o meu rosto, do cheiro do teu corpo e dos perfumes com que inundavas a casa, fizeram nascer em mim um buraco que me consome juntamente com o silencio.

Vem de novo pregar as tuas palavras aos meus ouvidos. Vem deixar na minha casa os teus cheiros, o som dos teus sorrisos delicados, vem deixar sobre o meu peito o amor que carregavas no teu.

Foi num quarto escuro debaixo de lençóis frios que por ti me perdi de amores.

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