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sábado, novembro 14

Te seja...

Eu sou o homem que quer o mundo. Eu sou o homem que quer ser rei. Que quer ser rei contigo ao seu lado. A vida tem sido injusta, o povo tem sido injusto para comigo, para contigo, para nós. A vida é muito mais do que estas coisas pequenas e mesquinhas que as gentes fazem e dizem sobre nós. Somos muito mais do que eles Inês. A vida é tudo aquilo que possamos viver sem exageros. Quantos dias fui eu a Albuquerque só para te ver da janela? Quantas noites passei eu sem dormir só para poder ver-te na manhã seguinte? Quanto perdi eu do mundo na ânsia de te ver? Quantas cartas escrevi eu e quantas escreveste tu e nunca nenhum de nós as chegou a ler? Quantas vezes enfrentei o meu pai para que parasse com tamanha estupidez, com tamanha revolta contra ti e os teus? Quantas vezes me disse ele «Ela é um cancro e vai-te levar à morte!» e eu sempre lhe virei costas e me dirigi a ti como a mulher que quisera eu que me fizesse ainda mais feliz.

Rasgaste o rosto com um sorriso deveras exagerado, e nesse momento pude eu ver-te genuína, pura e insensível ao mundo da corte. A vida mundana estava-te nas veias. Sempre gostaste mais do trabalho que da luxuria da corte, mesmo passando largas horas a arranjar o cabelo e a ajustar vestidos. Toda a mulher se gosta de arranjar. Era pelo teu coração que me fazia vergar. Era pelo teu amor que chorava. Era por ti que passava dias sem comer, dias sem dormir, dias de solidão, para no fim te ter por um pedaço do tempo tão curto como um encher de pulmões depois de tanto correr.

Que a alma te seja para sempre elegante.

domingo, novembro 9

Aquela que ficou...



Cada vez que me lembro do seu rosto, é como se pudesse sentir e apreciar o carinhoso e gentil trato que ela, carregou em tempos no coração. As suas mãos generosas, bem como as palavras que da sua boca saíram, sempre com tanto carinho, com tanto cuidado, com tanto gosto e dedicação. O que hoje, é tão difícil encontrar em mulher alguma. Apesar de não lhe saber o tom da voz, gosto de imaginar que era como uma melodia, como a voz de alguém que tem dentro de si o coração de um anjo e o amor do mundo. O pulsar do seu coração certamente que era calmo, teimoso de sentimentos, raivoso quando contrariado e deliciosamente afável quando era afagado no peito do seu amado. As mãos tremeram-lhe todas as vezes que lhe tocara no rosto, cada vez que lhe saboreou a ponta dos lábios, cada vez que os olhos cruzaram a linha do horizonte. O corpo frágil de mulher susteve no colo três filhos, susteve ainda no pescoço e no peito, as facas de dois gumes que com tanto ódio, tanta raiva, tanta cegueira causada pela inveja, lhe tirou a vida. A ela. A ti! À mulher que "Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas."

"O melhor tipo de pessoa é aquela que fica" Ela de nome Agnez Peres De Castro, ficou até ao ultimo minuto, junto daquele que dela nunca os olhos tirou, nem desde o primeiro dia. A ela nunca uma mão levantou, e dela, nenhuma do regaço tirou.