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sábado, maio 30

Sempre tão modesto...

  
 
Disse um dia a minha a avó: Se queres que alguém te cuide do peito, sê gentil meu filho! Sê gentil e tudo cairá a teus pés. E que o teu sorriso (referindo-se à alma) te seja sempre tão modesto como a cor dos teus olhos!
 
Viana meu amor, que é feito de ti? Que é feito do teu sorriso? Que é feito da voz doce com que me costumavas embalar o coração? Que é feito do amor que das tuas mãos transpirava? Que é feito de ti meu amor? O lenço sobre o cabelo atado gentilmente á volta do pescoço, com formas de flores muito subtis. Encantavas-me a vista, ora com as cores do lenço ora com a cor dos teus olhos tão vivos e cheios de alegria.
 
Apesar de não caminharmos no mesmo trilho, as ideologias são semelhantes, as vontades igualáveis e as saudades da família tão grandes como as saudades que temos em ser novamente crianças. Crescemos juntos pedaço a pedaço, dia-a-dia, com complicações e desapegos, com fôlegos e faltas de ar. Vamos vivendo momento-a-momento com o intuito de nos tornar-mos amanhã em humanos com capacidades extraordinárias, humildes, modestos, sinceros, trabalhadores, amantes da vida nua e crua, amantes um do outro, amantes da vida e da vontade que ela nos dá todos os dias.
 
"Cabra, ele já está comprometido, pára de o seduzir!"

quarta-feira, maio 20

Daquilo que nos...

Ao não haver a calma do dia, que pelo menos haja o silencio da noite, que o possamos partilhar, que o possamos usar para arrancar do corpo, como a água e o sabão costumam fazer ao sujo do corpo as angustias, as arrogâncias que os outros nos disseram, as lágrimas que não chorámos, as palavras que não dissemos na altura devida e que assim possamos amar-nos melhor, amar-nos como animais, onde a natureza nos apanha desprevenidos e nos faz cometer loucuras saudáveis.

Se houver espaço para chorar que o façamos juntos, ou pelo menos que um de nós esteja num bom dia para que apoie o outro, para que dele possa limpar as lágrimas que lhe queimam o rosto e o ajude a apagar as más memórias colocando-lhe novas.

Recordarei sempre daquilo que nos juntou e do dia em que partimos as asas que nos foram dadas do céu para que pudéssemos viver na terra como mortais.

Coloca na minha cabeça a coroa. Coloca sobre os meus ombros os teus choros. Sobre os meus lábios um pedaço do teu amor.Sobre a palma da minha mão a chave do teu coração.De mim arranca pedaços de vida, pedaços de amor, de choro, de alegria.

Promete-me tirar da escuridão quando me meter nela.

sábado, maio 16

Por mais vezes que...

Por mais vezes que morras dentro de mim, não consigo deixar de pensar no teu olhar, na tua voz, no teu sorriso, na tua maneira simpática de ser. Todos os dias olho para ti com um carinho nos olhos. Todos os dias espero que me digas qualquer coisa. Todos os dias, desde o momento que ponho os pés na escola, que procuro incansavelmente por ti, pela pessoa que és, pelo rosto delicioso que tens, pelos olhos azulados que carregas com tanta força. Procuro-te para te ver sorrir, mesmo que te veja de longe, o corpo aquece como se fosses fogo, como se fosses a luz do sol a bater-me no peito.

Eu não te conheço e para infelicidade minha só te vejo quando perco a esperança de te ver. E no fim quando te acabo por ver, é como se a timidez tomasse conta de mim, como se os teus olhos fossem como pedras que me atiram, como agulhas que me espetam pelo corpo todo, eu sinto (e sinceramente espero que esteja certo) que olhas para mim com o mesmo sentimento que ganho no coração quando olho para ti. E eu não sei como arrancar esta coisa do coração, porque eu não te conheço e parece ser de malucos amar assim alguém cujo o nome é tão desconhecido como os sonhos, os segredos, os pesadelos e tudo o que te faz rir.

Sinto o meu coração partir-se debaixo da chuva. Por vezes parece-me ouvir-te chorar quando se faz silencio.

"O cheiro da tua mão que me aquece com carinho."

sábado, maio 9

Será difícil...

Sinto o teu corpo gemer, parece que te conheço de cor. A cada aperto, a cada beijo, tu tiras o ar dos meus pulmões, causas-me dor antes de me dares prazer. A garganta seca quando passamos tardes inteiras a conversa, os pés não têm tempo de se queixar quando caminhamos pelas ruas das cidades que sempre quisemos conhecer. Os olhos não têm tempo de soltar as suas lágrimas, os ouvidos não se podem por surdos pelo barulho dos festivais pois temos ainda tanto para viver, tanto para sentir, tanto para ver, tanto para tocar, para saborear.

Quando mais nos dermos a conhecer um ao outro, quanto mais trocarmos, mais difícil será separar-nos no futuro um do outro. Espero que te sintas preparada, espero que estejas satisfeita com as escolhas que tens tomado junto comigo. "Só a morte nos pode separar." Nenhum de nós é perfeito, por isso de todas as palavras que dissermos, já mais conseguiremos mostrar o quanto nos amamos. Será tão difícil ver-te partir, mas antes ver-te partir do que te partir o coração.

Não podemos nunca deixar de ter vontade de realizar os nossos sonhos.

sexta-feira, maio 1

O cheiro não é doce...


Adoro o cheiro que fica no ar depois da chuva. Recordo-me dos dias de verão quando acordava bem cedo ao teu lado e naquele momento sentia o cheiro doce da tua pele. Agora o cheiro não é doce, é antes mais forte, mas ácido, mais amargo, talvez porque a vida vai moldando a visão, a audição, o olfacto, e o tacto. Com o tempo começo a ter menos paciência para as tuas birras, para as meias palavras, para as tuas adivinhas a meio da conversa. Meu amor, se realmente gostas de mim, se realmente te preocupas comigo, diz-me de uma vez o que se passa. Diz-me que coisas são essas que te atormentam, que te fazem viver em constante preocupação.

Eu quero ouvir a tua verdade, não importa o quão dura e cruel ela é. Quero ouvir os teus pensamentos, sem qualquer tipo de censura ou que tenham sido alterados para evitar magoar-me. Se vais segurar-me pela mão quero que sejas verdadeira comigo, que me digas o que te corre na mente, que me digas o que sentes, o que as tuas entranhas te dizem, o que o teu coração te diz, e o que o teu instinto te diz. Quero-te ao meu lado verdadeira, honesta, humilde, sincera, franca e com coragem de viver.

"Deixai-os serem pequenos. Porque, se for para ter medo, que eu a tenha na morte!"

quinta-feira, abril 23

Onde está a tua mão...


Durante quanto tempo vivemos nós um amor imaginário? Quanto desse tempo vivemos nós o amor que sentíamos verdadeiramente um pelo outro? Por quando tempo mais vamos amar algo imaginário? Porquê dar importância à atracção física quando é a atracção mental que deve fazer de nós seres racionais e não sermos seres por instinto?

Onde está a tua mão? Quero tocar-lhe! Quero beijar-te os lábios, sentir-te junto a mim, saborear o pescoço com as minhas mãos, fazer-te arrepiar quando te morder a orelha e beijar-te o pescoço. Aproxima-te sem medo, pois se vamos deixar o medo envolver-se e falar por nós, certamente que nunca chegaremos a sentir nada do que haja para sentir.


Muitas vezes não somos nós os certos porque nos sentimos ameaçados ou ofendidos, mas antes os errados.

sexta-feira, abril 17

Foste fácil de amar...

Foste fácil de amar quando a trovoada não rasgava os céus.
Foste fácil de cuidar quando o calor não nos atormentava.
Foste fácil de agarrar quando a birra não te atacava.
E o teu avô sempre me disse que foste boa de educar.

A escuridão abata-se sobre a minha memória fazendo-me recordar pesadelos e dores que sofri no corpo com a tua ausência. Recordar sentimentos tão profundos como o desgosto da tua morte levam-me aos poucos deste mundo. Irão algum dia as recordações que tenho de ti, limpar a vergonha? Limpar a tristeza? Limpar a saudade que me cresce no peito? Irão elas algum dia lavar os demónios que carrego nos olhos e os que na alma vou ganhando?

Deixaste cá um pedaço de ti. Um pedaço enorme da tua força, do teu amor, do teu sorriso, do teu carinho, da tua alegria que me aquecia a alma. Todos os dias vejo o teu sorriso no dela e em todos estes dias, teima ela em fazer-me lembrar de ti. Brilham os seus olhos ao olhar para mim. Sinto-te nela. Desejava que nada tivesse de ser como é agora. Adorava partilhar tudo contigo. Cada dedo esticado, cada choro, cada queda, cada lágrima, cada sorriso, cada fralda, cada passeio pela praia, cada pesadelo, cada coisa pequenina que ela traz ao mundo.

O tempo tratará de compensar tudo.

segunda-feira, abril 6

Ver-te viver...


À medida que os seus lábios tocavam os meus, começava a ganhar uma consciência que até então não havia tido. De todas as raparigas que beijei até aquele momento, fora ela a única que me fez sentir assim. O seu beijo foi calmo, tranquilo, dado bem devagarinho. Esse momento de que falo foi o momento em que me apercebi do que queria para a minha vida, daí em diante. Era a ela que eu queria. Era o amor que ela tinha nas palavras, o carinho que tinha nas mãos, a atenção que carregava sempre consigo nos seus olhos. Aquele corpo que à sua maneira se ia compondo, para bem ou para o mal, magro ou gordo era o seu corpo. Fazia-me sentir bem comigo e ela sentia-se bem consigo. Mas foi preciso conhecer alguém assim para me ajudar a dar o próximo passo, tal como a ela a ajudei a dar o seu passo.

Olho-te com gosto, com um certo orgulho que me aquece as bochechas. Gosto de ti, pois tens aquela maneira simples de viver, de conviver, de falar, de ganhar gosto pelo mundo, de te dares a conhecer. É maravilhoso ver-te viver. Adoro o jeito simpático com que encaras as pessoas, a educação que te sai da boca, as maneiras, os tratos simples.

Pousei os meus lábios sobre o teu ombro.

segunda-feira, março 30

Não me cala a alma...

As lágrimas podem correr o meu rosto, podem marcar-me a alma, podem conquistar o coração, mas a saudade de as ter de novo no meu rosto não me foge do pensamento, mesmo que sejam geladas ao passar-me as bochechas, mesmo que me queimem as mãos ao limpa-las, mesmo assim, permaneço com a ideia de te deter num puxão de um braço e beijar-te. De te soltar, de te prender, de te tirar o ar dos pulmões e fazer esse curto coração acelerar de adrenalina. A dor que me sai dos olhos não me cala a alma.


Ergo-me diante de ti mas tu teimas em não aparecer. Por mais chuva que me molhe o corpo, por mais sol que me queime o rosto, por mais tempo que espere por ti, teimas em não aparecer e eu continuo a caminhar, na esperança de que  me pares a caminhada, ou te juntes a ela. Aparece, sê rápida e não te demores, pois daqui a pouco estarei a correr e não sei se conseguirás acompanhar a minha passada, pois também eu não te sei dizer se terei nas pernas as forças necessárias para abrandar e dar-te a mão ou caminhar ao teu lado.


Poderás tu sorrir para mim quando olhar para ti? Poderás dizer-me olá, mesmo que seja repentinamente? Vais olhar para trás e voltar? Ou terei eu de te seguir?

terça-feira, março 17

Perdeste o coração...

Perdeste o coração!
Ou será que te perdeste dele?

Saberás tu sobre o que te falo? Saberás o que significa? Se te disser que conseguirás passar para lá dos teus medos, para lá das mentiras que um dia te contaram uma e outra vez, que irás ultrapassar os poços que colocarem no teu caminho e que surgirem nele, acreditarás nas minhas palavras? Estás disposta a dar-me a tua mão e a confiar em mim? Estás disposta a deixar-me preocupar contigo? De partilhar sorrisos, de partilhar corridas ao fim-de-semana?

Estás disposta a deixar-me segurar-te a mão, de te beijar a testa com carinho, de te falar com bons modos, de te mostrar o mundo que tenho visto até hoje, de que tudo o que te disseram é mentira? Como eu gostava de te dizer que o mundo é muito mais belo do que to pintaram. Que as Estrelas têm voz e o Sol não serve apenas para nos aquecer o rosto. Dizer-te que a Lua só é fria quando o coração fica frio com a distancia um do outro, com as palavras amargas que nos saem da boca e nos ferem o peito. Gostava de te dizer que as coisas não são apenas más, que nem sempre chove, mas que também nem sempre faz sol, porque precisamos da tristeza para valorizar a felicidade, e da felicidade para aproveitar os momentos em que os pulmões se enchem de água e os olhos são cobertos por lágrimas que nos acalmam a alma, que a limpa, que cuidam dela, que a protegem. Porque chorar também faz parte da vida. 

Quero eu beijar-te mais do que os lábios que tendes no rosto, quero eu tocar-te mais do que as mãos que tens no corpo, quero eu conhecer de ti, mais do que aquilo que deitas cá para fora, quero conhecer o teu intimo, descobrir quem tu és, não te quero conhecer de cor, quero apenas conhecer-te os desejos, os pequenos mimos, as pequenas palavras, as pequenas coisas que te façam sorrir com tamanha satisfação pondo-te tão bela, tão simples, tão exuberante.

Quero beijar-te a mão e prometer-te outro beijo em sítio mais achegado.
Que o mar nunca te leve a voz. Que o sol nunca te tire a alma do peito e que a lua, possa sempre ouvir-te.

domingo, março 15

Se me não engano...

 

Acelera-se o coração quando lhe toco o rosto, quando lhe seguro pelas mãos, quando a aconchego com um carinho sobre os ombros, quando lhe sinto os cabelos a passar por entre os dedos. A respiração mantém-se normal, mas é a boca e a cabeça que parecem não se conseguir controlar. Quando a olho nos olhos ganho um calor estranho no peito, as mãos suam, os amores florescem na cabeça e as palavras que antes eram tão fáceis de pronunciar tornam-se quase rarefeitas. Ela é linda. O seu cabelo é lindo, os seus olhos transmitem uma força extraordinária, uma personalidade forte, vincada. Os gestos que os seus lábios fazem ao falar, os carinhos que os seus olhos transmitem, as expressões delicadas que comete, são para mim como o remédio para a gripe. Aquecem-me, dão-me outra vida, faz o sangue correr depressa pelo corpo.

No fim de tudo, é o seu sorriso que me faz acordar com vontade de viver, vontade de a ver novamente, vontade de ter mais um dia para lhe falar, de a conhecer, de a compreender e de a... descobrir.

Vejo-lhe nos olhos a honestidade, a humildade e a sinceridade de viver como uma rainha, de agir como uma mulher e trabalhar como uma rapariga. Serei apenas eu que lhe noto carinho nas mãos? Carinho nos olhos? Carinho no rosto? Carinho no corpo? Serei só eu que a acho interessante muito antes de lhe saber o nome completo? Será amor? A alma alegra-se cada vez que a vejo, cada vez que a olhos nos olhos, cada vez que a vejo sorrir com aquele tão confiante e contagioso sorriso rasgado que lhe aquece as bochechas, que a põem tão linda. Se me não engano, és um carinho da alma.

"Diz-me o que lês, diz-me o que ouves, fala-me de ti e poderei conhecer quem és."

domingo, março 8

A beleza do horizonte...

O teu coração é muito maior do que meu e mesmo assim teimo em dar-te tudo o que de melhor tenho para dar. beijo-te a testa com o intuito de te saber os pensamentos, beijo-te os lábios com o gosto de os saborear como fazemos com o gelado. Foste a mulher que desde o primeiro encontram, desde o primeiro beijo, desde o primeiro toque de lábios, desde o primeiro dia em que dirigiste para mim palavras que eu, hoje posso dizer com orgulho que ainda bem que todo o tempo que passámos juntos, mesmo que por curtos momentos, me sinto realizado, me sinto bem em ter ao meu lado uma mulher como tu, tão simpática, tão inteligente, que me puxa e volta a puxar quando me jogo para dentro do poço, que me abraça com carinho, que me mima com amor, que me ama de alma e coração.

"Nada há mais bonito no mundo do que a beleza do horizonte, o calor do sol, o frio da lua, a magia das palavras, o carinho da amizade e o conforto do amor." - Disseste-me tu um dia enquanto assistíamos ao por do sol. 

Sobre as generosas palavras que no peito escrito tens, sobre a voz doce que da boca te sai e da atenção com que os teus olhos aos meus lábios se cingem, estás linda.

São rosas meu amor. Segura-as, cheira-as e caso não gostes por-favor não as deites fora, devolve-mas para as poder dar à minha mãe, talvez ela as aceite com os defeitos que tu lhe colocaste. Como te conheço de ginjeira, saberás dar valor ao que te dou, mesmo que seja pouco.

sexta-feira, março 6

Tenho-te com carinho...


Que julgam eles sobre nós? Que julgam eles sobre a nossa vida? Que julgam eles sobre a nossa amizade? Que nos vale o seu julgamento, torna-nos mais fortes? Torna-nos mais leves do peso do mundo? Torna-nos mais íntimos? Que nos importa com o que os outros contam, com o que os outros inventam para se entreterem? Que nos importa os seus segredos? Que nos importa a sua opinião? Se até ao dia as suas palavras não mudaram em nada a nossa maneira de ver o mundo, se não mudaram o gosto que temos um pelo o outro, o carinho mutuo, o amor completo, as mãos dadas, o gosto pelo mundo, que nos vai importar o que dizem os outros?

Seguro-te pela mão porque te quero ao meu lado para que não percas nada do que te digo, nada do que te mostro, sentindo tudo o que sinto. Dou-te beijos de carinho sobre a testa e sobre a cabeça porque te tenho com carinho no coração, porque gosto da tua pessoa, do eu jeito, das palavras que me diriges, os gestos, as suaves melodias que soltas quando passas por mim. Encantas-me a alma, aqueces-me o peito, aceleras o meu respirar.

Tenho-te com carinho.

quarta-feira, março 4

Quantos desses filhos eram teus?

Já sentiste a necessidade de partilhar aquilo que tu sabes com alguém? Já sentiste desejo de trazer algo ao mundo tão frágil que é capaz de te fazer acordar todos os dias às quatro da manhã se assim for necessário, só para que haja comer na sua boca todos os dias? Já sentiste o prazer de segurar algo teu, algo tão delicado, algo que te aquece o peito mesmo quando faz birra? Já sentiste o desejo de beijar tal coisa? De a deter nos braços como sendo todo teu, ou toda tua, dependendo do sexo. Já? Alguma vez imaginaste as palavras bonitas que lhe dirias? Nas coisas boas que lhe farias?

E aquela vontade em pegar nesse alguém ao colo ainda tão pequeno de débil, crescer entre os teus braços, protegendo-o com o teu corpo, com a tua alma, com as poucas forças com que ficas ao fim de um dia árduo de trabalho, mas tu chegas ao fim, sobrevives aos milhares de testes, às milhares de guerras que são travadas diariamente só para te levar deste mundo. Mas chegas ao fim junto dele para o ver sorrir, sentindo-te que o que estás a fazer hoje, é amanhã, para ele.

Faltam-te os sonhos? Terás vontade de pelo menos imaginar para já, o acordar durante a noite para ver se ele/a dorme bem? De o/a acordar pela manhã perguntando-lhe se teve algum sonho bonito e como foi. Terás curiosidade de fazer estas coisas? Vontade de lhe explicar com palavras simples e de tom de voz calmo que não há monstros no armário, nem debaixo da cama? De dormires com ele/a até que adormeça para ganhar confiança? O despedires-te com um beijo sobre a testa acendendo a luz de presença? De lhe dizer que se for preciso alguma coisa que estás no quarto ao lado?

E estarás capaz de dares tu a coragem, a capacidade, a motivação, o fôlego da vida ao ser que com tanto esforço trouxeste ao mundo? Não queres ter essa experiência? A experiência de lhe dar alegrias, de lhe dizer que o mundo está nas suas mãos, que a vida está nas suas mãos? O que importa que a vida não te dê trabalho? Olha antes no tempo dos nossos avós, não havia luz, nem água quente, e hoje são os que mais sabem dar valor a um sorriso. Que me importa com a vida na cidade se é do campo que vem a vida? É claro que prefiro ter trabalho e dinheiro ao fim do mês. Mas e então se hoje não o temos? Significa que não iremos ter para sempre? Vais esperar para ser velha para fazeres filhos? Não os queres ter ainda nova, para que os vejas a envelhecer contigo?

Pergunto-te, se hoje és tu quem um dia irá enterrar os teus pais, esperemos numa idade avançada e que faleçam de morte natural, quem te irá enterrar a ti quando a tua vez chegar? Os filhos dos teus irmãos? Dos teus primos? Dos teus amigos mais chegados? Que marca deixaste no mundo? Que sonhos? Que ideias? Quantos filhos tiveste tu a oportunidade de amar, de segurar nos braços, de pegar ao colo e confortar? Quantos amaste tu na tua vida? Quantos desses filhos eram teus? E desses quantos guardas tu em fotografias e na memória?

Vem para perto de mim falar a voz do povo.

sábado, fevereiro 28

O que sentes tu?

É agradável quando pousas a tua cabeça no meu ombro. Sabe bem quando é a minha vez de pousar a minha cabeça sobre o teu peito, sobre as tuas pernas, sobre o teu ombro, quando me acarinhas o rosto e me beijas a testa falando com voz doce para eu descansar. Sabes que tenho a cabeça sempre a trabalhar e por isso fazes tudo para me acalmar o pensamento. Mal sei como te agradecer. As idas ao fim-de-semana à baixa do Porto, ou as mini-férias que fazemos volta e meia na Guarda, ou nas serras do Gerês são do pouco que posso dizer em que estou de cabeça limpa de problemas, podemos viver, podemos sentir-nos um ao outro, podemos aproveitar os momentos a dois, os risos, as palavras amigas e as mais amargas, porque o mau também faz parte da relação. Fazes-me querer aproveitar cada vez mais a vida. Ganho a cada pedaço teu uma vontade enorme de gritar o teu nome.

Eu estou aqui. Não me vou embora, por isso podes chorar, podes gritar, podes desabafar todos os teus problemas, pois até agora tens-me ouvido, tens-me feito descansar a cabeça com o teu amor, com o teu carinho, com bocadinhos de ti, com a humildade e a disponibilidade que tens para me arrefecer o corpo.

O que sentes tu? Eu sei o que sinto quando te vejo sorrir para mim fazendo sinal para descansar a cabeça sobre o teu ombro.

quinta-feira, fevereiro 26

Agradável ou não...

 
 
Segurar-te pela mão é coisa do passado? E os beijos são o quê? Os mimos no nariz? As palavras ditas sobre o teu peito que sobe e desce com a ternura do teu respirar. É do passado olhar para ti com carinho e desejar o melhor para ti? É mau? Será do passado desejar-te felicidade? Seja comigo ou com qualquer outro? É do passado dizer que te amo? Antiquado talvez? Fora de moda? Se o amor não é sincero, que ganhamos nós com isso? Em que pé ficamos? Que dúvidas temos, sobre mim, sobre ti, sobre nós, sobre o futuro, sobre o que temos agora? Como podemos dizer da melhor maneira, com as palavras mais simples do mundo, aquilo que o coração sente? Aquilo que nos faz pesar a alma, que causa um nó no estômago.
 
No momento em que te vi, no meio da chuva, com ela a cair com força como se te quisesse arrancar a roupa do corpo, como se te quisesse fazer desaparecer, aproximei-me de ti e não pude destingir entre as gotas da chuva e as lágrimas no teu rosto. São tantas as noites que recordo os teus olhos tristes. São tantas as noites que recordo as palavras fortes que proferes contra ti. São tantas as noites que passo em branco a pensar nos teus carinhos. São mais ainda as noites que passo em que me arrependo de não te ter dado a mão nas alturas que devia.
Algumas vezes quando a noite se põem eu ponho-me a pensar como gostava tanto de dormir para sempre. Mas depois olho para ti, para a pessoa que foste ao início, a pessoa que vi crescer diante de mim e a pessoa que agora és. Nada mais me dá orgulho do que ver-te sorrir, ver-te chegar ao topo da montanha e gritar a pulmões vivos o gosto que tens pela vida. E voltas os teus olhos para mim e lanças de novo o olhar ao mundo. Respiras fundo, devolves o olhar e sorris. Os meus braços mesmo estando velhos e quase sem força, conseguem ainda dar-te o apoio de que precisas. Não há coisa mais deliciosa do que ter a tua voz a bater sobre o meu peito, de ter a tua cabeça sobre ele enquanto adormeces a ouvir o meu coração bater. E se o carinho não te interessar, a viagem, o passeio de fim-de-semana, o gargalhar à noite no café, e as conversas intermináveis, serão uma boa solução.
 
Até lá. Tudo o que vier, agradável ou não, será recebido com todo o gosto.

terça-feira, fevereiro 24

Há um tempo para tudo...


Há um tempo para tudo. Há um tempo para ter medo ao inicio, um tempo para trocar olhares, outro tempo para trocar palavras, trocar beijos, trocar amores e lágrimas. Mas não há nenhum tempo em que o coração de um chegue sequer a pertencer ao outro. Por mais "amo-te" que digamos, por mais lágrimas de felicidade que deitemos cá para fora, por mais palavras honestas e humildes despejemos para este lado, este lado exposto ao mundo nu e cru, o coração não sairá o seu sitio, por muito que queiramos, serão apenas as palavras, os abraços, os choros as alegrias, os sorrisos e olhares que chegam a ser trocados de sitio e muitas vezes, a alma ganha outras forças, outras vidas que antes não tinha, que antes não produzia. E agora que os beijos se tocaram, os olhares se desviam, e os corpos se juntam, podemos dizer que trocámos os corações de lugar. Querias tu que cuidasse do teu, que dele cuidasse como se de um bebé se tratasse, mas não o posso fazer, infelicidade minha, meu anjo, nem tu podes cuidar do meu, dar-lhe forças, tocar-lhe quando te apetecer, como fazes com as fotografias que tens no telemóvel que podes ver e rever uma e outra vez até que a vista se canse de me olhar tão atentamente.

Por mais defeitos que notes ter, por mais rasgos no corpo que achas que tenhas, para mim serão sempre pedaços de ti, perdidos, abandonados, pedaços de ti que queres apagar, fazer desaparecer, esquecer. São parte de ti e serão para mim pedaços de alma que me servirão como pontos de referencia para me lembrar de ti. Pode a tua voz não ser doce, mas acredito que a alma to seja. Talvez sem que eu me aperceba me estejas a dar bocadinhos de ti em cada palavra, em cada gesto, em cada momento. Chamo-lhes pedaços, pois não te podes entregar por inteira e de uma só vez.

Tenho medos e inseguranças tal como tu. Porque o amor é coisa criada e é tido com maldade no coração.

sexta-feira, fevereiro 6

O amor é uma avalanche...


Abranda. Ouve-me primeiro antes de abrires a boca para dizeres coisas más a meu respeito. Ou coisas boas se for o caso. Este sou eu nos melhores e piores dias. Não procuro em ti a pessoa que foste, antes a pessoa que és, a pessoa que te poderás tornar. O passado só a ti compete julgar não a mim que nada sei ainda sobre ti, que a nada tenho audácia para o fazer, nem a falta de vergonha para incriminar algo sobre a tua pessoa. Atiras-te demasiado depressa às pessoas e às respostas negativas que elas fazem sobre ti. Eu estou aqui para te amar, para te conhecer melhor do que a ti mesma se me deixares. Quero abraçar-te, segurar-te, apertar-te forte contra o meu peito, com a força que a vida me deixando como réstia dentro do meu corpo já fracturado fisicamente. Vou segurando em ti o tempo que puder, e espero que me possas servir de apoio nos momentos que precisar.

Peço-te apenas que me garantas um lugar no coração, que me garantas um carinho na hora de dormir e, um incontrolável sorriso para dias de chuva, dias de mau agoiro, dias em que o sol deseje não brilhar os nossos três mundos. O teu, o meu e aquele em que vivemos juntos. Juntos é como anseias ficar, juntos é como eu faço para ficar. Seria crime se dissesse que me tinhas roubado a alma.

Em que mundo é que eu vou para a cama depois de e acordar depois de ti? Bem ficarei sempre à espera que me telefones a dizer que acordaste, que tiveste um sonho maravilhoso, em que sorrias, dançavas e cantavas e eu vou-te dizer que nunca deixar de pensar em ti desde que me levantei da cama onde dormias.

O amor é uma avalanche, leva tua à frente, só pára quando a força escasseia no interior, ou algo se atravessa no seu caminho com a capacidade de o parar.

segunda-feira, janeiro 26

A lado nenhum...



De cabelos louros, de olhos azuis como o céu do lado de fora da janela, de pele branca e vestido negro, fiquei enfeitiçado pela tua beleza. Olhava-te sempre que podia, olhava-te sempre que o meu coração me dizia «Olha para ela! Ela não te vai morder! Olha para aquele rosto, tão bonito!»

Poder conhecer o sabor doce dos teus lábios, poder dar-te a mão sempre que me apetecer, ligar-te a meio do trabalho mesmo sabendo que não vais atender, só para que quando vires a minha chamada me ligues logo a seguir, dizendo o quanto de saudades tens de me ver. Todos os dias despedir-me de ti com um beijo ora na testa, ora nos lábios. Ver-te recostar na cama, puxando cobertores para cima, enquanto eu me vou embora trabalhar. Ou que aconteça o contrário. Deitar-me ao teu lado e ao teu lado acordar. Não quero uma relação perfeita, não quero. Quero que chores quando me esqueço de te dizer que te amo, quando me esqueço de te dizer que sinto muito. Zanga-te comigo quando me esquecer do dia do nosso aniversário, quando me esqueço dos anos da tua mãe, ou dos dias que com tanto carinho agendas e organizas para que possamos sair juntos no fim-de-semana. Bate com a porta quando as palavras que me saírem da boca não forem as mesmas, quando for frio contigo, quando me esquecer de te ligar perguntando-te se está tudo bem. Bate-me, berra comigo quando te magoar, mas tem a humildade de me perdoar, tal como teu te perdoarei. Que seja uma relação com carinho, carregado de amor, de paixão, de lágrimas, de berros e mimos a meio da noite, de sexo louco a qualquer hora e em qualquer lugar.

Não sejamos hipócritas, judeus, gente de má-rês. Sejamos acima de tudo, gente, pessoas, com sentimentos e que nunca nos esqueçamos de dar ao outro o melhor de nós. É a promessa que quero fazer contigo. Não pensar no futuro como algo definitivo, mas fazer o hoje para que ele seja melhor do que é hoje. Sem amor não vamos a lado nenhum.

domingo, janeiro 18

Haja mais tempo...

 
O coração pesou-lhe no momento que estendeu os braços para me alcançar. As mãos começaram a tremer, as palavras saíram balbuciadas pela boca e o rosto ganhou a palidez da neve e as bochechas o afogueado da maçã madura. Os olhos soltaram lágrimas, não de tristeza, mas de uma felicidade complexa, incessante, que a penetrava a cada passo. Olhei-a de relance, jogando logo de seguida os olhos ao chão mordendo os lábios, na tentativa de apertar dentro de mim, de segurar às portas de cada um dos meus olhos, as lágrimas que me queriam fazer frágil. Mas, por muito que tentasse segurar, por mais que apertasse os olhos, não as pude controlar, foi também quando me deixei levar pelo momento e, as lágrimas pintaram-me o rosto. A voz tremeu ligeiramente ao saúda-la.
 
Ela passou a mão pelo cabelo, ajeitando-o, expondo o seu rosto triste e delicado. Acabei por me chegar a ela, de a apertar nos meus braços, de a elevar no ar e beijar-lhe qualquer parte do seu rosto, porque não queria nada mais do que sentir-lhe o corpo de novo, sentir-lhe a alma quente, o cheiro do perfume. Então ela pousou o rosto violentamente sobre o meu ombro, onde se aninhou, preparando-se para me falar, recebendo todo o amor que podia do meu corpo, tudo o que podia através daquele abraço apertado. Estava capaz de achar que me tinha chorado as saudades e a prórpia morte, bem ali no meu ombro. Retirei-a ao de leve e fitou-me o rosto. Cintilavam com tanta força, que podia ver os seus tenros olhos a andarem de um lado para o outro observando a minha cara, até que proferio algumas palavras de nó na garganta.
 
"Que desta vez haja mais tempo para nos conhecermos.”
 
Sorriu, fechou os olhos e refugiou-se no meu peito.

domingo, dezembro 28

Antes de nasceres...


Palavras caem gentilmente dos teus lábios e pousam sobre as minhas orelhas. 

Sozinho na escuridão choro alto e apareces tu com esse carinho nos braços, com esse amor que te afoga o coração no peito, entre essas costelas tão delicadas onde bate incansavelmente sem qualquer descanso. E dentro dessa mente de mulher tens tudo o que precisas para me levantar do chão. Fala só comigo, pois és apenas a única mulher que preciso, a seguir à minha mãe. 

Há uma voz que me fala dos medos. Há uma voz que me faz chorar de alegria, que me faz sentir que alguém se preocupa comigo, que ainda há quem seja amável para ver o melhor em mim. Há uma voz cuidadosa nas palavras que usa. E essa voz... Está nas palavras que ouço, nas palavras que leio, nas memórias que vou tendo. E não preciso de uma razão para dizer que não tenho medo de morrer, medo de perder o tacto do sentido da vida, medo de arriscar na vida, de saltar do topo do mundo, de dar o peito à espada, de dar tudo para vir a receber outro coração que não o meu.

«Já te amava muito antes de nasceres.» Matty Mullins - My Dear

sexta-feira, dezembro 26

Não te tive...

O natal passou. Mais um ano que não te tive, mais um ano que não te tenho. Entranho-me nas palavras, nas memórias, nos risos e lágrimas que vão povoando a minha cabeça. Vejo-te de rosto esbelto e sorridente, de voz calma e humilde. Tento descobrir-te, tento, viver com uma esperança que me possa alegrar o coração e todo o corpo. Que me aqueças como me aquecias antes. Hoje temo pela minha saúde mental mais do que antes, temo ainda mais pela saúde física, e menos pelo amor. Pois sem ele, durante estes últimos oito meses me tenho deixado ir com o vento. Mais dia menos dia, julgo que irei acabar como o esqueleto na cova, sem vida, sem amor, sem alma ou espírito que me faça agarrar a vida pelos cornos e dizer-lhe: "Esta é a minha vida e vou cuidar dela".

segunda-feira, dezembro 15

Apesar de não ter certezas...

 
Terá ela as costas das mãos tão suaves como a pele de um bebé? ou como o rosto de um homem depois de barba desfeita? Terá? Terá ela mãos tão doces como o beijo de uma mãe? Terá?
 
Pergunto-me se alguma vez caminhou pela terra coberta de legumes e vegetais da terra dos seus avós. Pergunto-me se alguma vez pegara numa enxada com o intuito de trabalhar a terra, ou se pelo menos sabe como é que os calos são adquiridos. Pergunto-me se terá ela a vontade de acordar ás 5 (cinco) da manhã para ir trabalhar, ou acordar ao meio da noite para acudir ao filho que chora desalmadamente pelo colo, pela mão suave e delicada da mãe, ou se não for choro de berreiro, é porque precisa da força do pai, do suspiro calmo e sonolento, que, cantarolando o vai adormecendo ao de leve, surpreendendo a mãe muitas vezes.
 
Pergunto-me se alguma vez ela será capaz de sujar as mãos com terra, ou qualquer outro tido de sujidade considerada horrenda para se tocar.
 
E agora pergunto-me a mim mesmo. Serei eu capaz de lhe pegar ao colo? De a acudir no choro, de saber falar-lhe calmamente, para lhe tirar do peito o stress, o mau olhado de que é alvo, ou os problemas que carrega no peito. Julgo que sim. Julgo que terei essa capacidade quando o momento surgir. E se não tiver, pelo menos até lá, tentarei sempre aprender com os erros que o passado me fez fazer, para que hoje e amanhã tenha o exemplo do que não devo fazer. Pergunto-me se correrá bem o resto da vida, de hoje até ao ultimo dia. Apesar de não ter certezas, espero que corra bem, ou pelo menos que haja mais felicidade do que tristeza.
 
A conversar, a partilhar, a viver, se vai ganhando/adquirindo a experiencia necessária para que o futuro se torne mais produtivo que o passado. E que assim seja, que daqui haja mulher capaz de pensar como eu, querendo tanto desta vida como eu o quero.

sexta-feira, dezembro 12

Se te voltasse a ver...


Há dias em que a cabeça quer sair de casa, mas não o corpo. O coração quer-se aventurar, mas não o corpo. Os olhos querem ver coisas novas, mas não o corpo. Tento achar um sentido para este momento em que o frio que me ataca os pés de noite quando estou deitado na cama, não é de uma rapariga, é do frio da noite, o frio do inverno que teima em ser esquisito e mesquinho. Começo a achar que esta sensação de frio constante é falta de amor.
 
Tenho planos, mas ninguém com quem os realizar. Conto os dias aos pares, conto as semanas, chegando a aperceber-me que não tarda muito e o ano acaba e eu de cama fria, de boca fechada, de olhos abertos para o tecto, de mãos e braços completamente pousados ao longo do corpo. A respiração abranda, o batimento quase que pausa, e à memória surge-me a rapariga do comboio, os seus olhos, a sua aparência tão menina, tão educada.
 
Poderia dizer que nada me acontece, mas tenho que admitir que tenho tido oportunidades que não tenho feito para as agarrar, ou porque sinto que não vale a pena, ou porque o não está sempre pronto a ser enviado. Mas "o se" nunca chega a ter resposta concreta.
 
Se te voltasse a ver, diante dos meus olhos, prometo aqui hoje, que se te voltar a encontrar, irei falar contigo. Mesmo que haja um não, ou negação da tua parte, irei falar contigo. Porque por mais estranho que te pareça o que te vou dizer, apesar de não saber se lês o que escrevo ou não, foste a única com quem me senti capaz de avançar e deter-te algumas palavras. Que seja a vida a dar-me frutos. Que seja.

terça-feira, dezembro 2

As minhas mãos sobre os teus ombros...


Ponho os olhos no teu peito, ponho as palavras na ponta da língua, coloco as minhas mãos sobre os teus ombros, sobre o teu rosto, sobre os teus cabelos. Olha para mim por-favor. Gosto de como o jeito ameaçador do teu olhar me faz arrepiar a pele do corpo. O sangue aflui ás tuas bochechas, as sardas ganham cor, os olhos intensificam o brilho, o corpo meça a tremelicar levemente. Separas os lábios enquanto esticas o pescoço para que o possa beijar. Mais do que desejar-te o corpo e a sexualidade, é perder tempo a conhecer-te, a entender-te, a sobreviver ao dia-a-dia com a preocupação no coração. Com borboletas na barriga, tendo-te no pensamento quase constantemente. Mais o teu sorriso, mais o teu "amo-te", mais o "gosto de ti". Há tanto que merecemos. E mais do que sermos felizes, merecemos desaparecer do mundo quando entramos em casa. A nossa única casa onde podemos pintar as paredes de negro, onde as palavras poderão sair sem que os outros se preocupem com a nossa vida. Com os nossos sentimentos preocupamos-nos nós e a nossa vida é feita apenas por nós.

Oh amor, que história contam os outros sobre o passado que tivemos? Surgem como leões na savana a querer apoderar-se da nossa vida, como se fizessem questão de nos fazer sentir de que não há sitio nenhum no mundo onde nos podemos esconder dos seus olhares, das suas cruéis palavras, dos gestos, dos horrores que querem provocar, das mentiras que espalham como sendo verdade. Acreditam eles que assim tocam o céu e que o inferno será para nós. Diria antes, tal como tu, que o céu irá arder e o inferno irá ganhar a luz que injustamente plantaram no céu.

Dizem que a verdade dói. Querem eles levantar a guerra. Sorte a deles que estamos em tempo de prendas.

sexta-feira, novembro 28

O que tenho não chega...

Se tudo o que tenho não me chega a completar, se tudo o que tenho, de alguma maneira não me faz falta, porque teimo em colocar na cabeça que tu me fazes uma falta imensa, uma falta com um tamanho tão grande que não consigo caracterizar? Porquê? Porque continuo a achar que as saudades de beijar e acariciar lábios, a saudade de pegar na mão de alguém me continuam a deixar tão indeciso? 

Quando penso em mudar a minha vida por inteiro, começar do zero, numa cidade diferente, num sitio novo, com rostos e gentes novas, com costumes diferentes daqueles a que estou habituado, e isso dá-me sorrisos, e muitos, devo eu dizer. Pretendo arriscar neste momento na minha vida, de a alterar e fazer as coisas por mim, sem ter este ou aquele nome, sem ter esta ou aquela cunha. Quero o meu nome, deixado por mim, criado por mim. E na volta deste arriscar de vida, conhecer a alma gémea, se não for gémea que pelo menos me seja querida, me seja simpática e delicada nas vozes, nas acções, na personalidade.

Quero começar a vida de novo e fazê-la florescer numa outra cidade, esta onde vivo, não me dá esperanças. Esta onde vivo, já está demasiado atulhada de "não dá", atulhada de "falta de oportunidades".

quarta-feira, novembro 19

As palavras saíram-me da boca...


 As palavras saíram-me da boca como se fossem a coisa mais cruel do mundo. O teu olhar ganhou um brilho, não de paixão ou de amor, mas das lágrimas que soltaste tão dolorosamente. Pareciam queimar-te o rosto. A cada lágrima, a cada engolir de saliva, a cada palavra que tentavas proferir era como uma facada, como um cortar de pulsos. Engoliste por fim em seco e respondeste às minhas palavras. As bochechas rosaram, os olhos ficaram apertados e vermelhos. As mãos tremeram e também a voz lhes ganhou o jeito. Balbuciaste meras palavras de sofrimento. Querias gritar mas não conseguias. Podia ver a dor a tomar conta dos teus olhos, o aperto no coração tão delicado.

Hoje não estou disponível para tomar conta de ti. Limpa as lágrimas e levanta-te. O dia ainda não acabou. Faz-te forte, faz-te mulher. Hoje vais ter de te levantar sozinha.

domingo, novembro 9

Aquela que ficou...



Cada vez que me lembro do seu rosto, é como se pudesse sentir e apreciar o carinhoso e gentil trato que ela, carregou em tempos no coração. As suas mãos generosas, bem como as palavras que da sua boca saíram, sempre com tanto carinho, com tanto cuidado, com tanto gosto e dedicação. O que hoje, é tão difícil encontrar em mulher alguma. Apesar de não lhe saber o tom da voz, gosto de imaginar que era como uma melodia, como a voz de alguém que tem dentro de si o coração de um anjo e o amor do mundo. O pulsar do seu coração certamente que era calmo, teimoso de sentimentos, raivoso quando contrariado e deliciosamente afável quando era afagado no peito do seu amado. As mãos tremeram-lhe todas as vezes que lhe tocara no rosto, cada vez que lhe saboreou a ponta dos lábios, cada vez que os olhos cruzaram a linha do horizonte. O corpo frágil de mulher susteve no colo três filhos, susteve ainda no pescoço e no peito, as facas de dois gumes que com tanto ódio, tanta raiva, tanta cegueira causada pela inveja, lhe tirou a vida. A ela. A ti! À mulher que "Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas."

"O melhor tipo de pessoa é aquela que fica" Ela de nome Agnez Peres De Castro, ficou até ao ultimo minuto, junto daquele que dela nunca os olhos tirou, nem desde o primeiro dia. A ela nunca uma mão levantou, e dela, nenhuma do regaço tirou.

O amor que no peito tinha...


Apesar de tudo, quem virou as costas ao mundo fui eu. Quem agora maltrata quem me gosta sou eu, porque podem elas mostrar o interesse por mim, que eu pouco ou nada lhes dou como resposta aos sinais que me enviam. O toque de cabeça, o colocar o cabelo atrás das orelhas, o cruzar e descruzar pernas com frequência, o olhar incessante que me dirigem, com vontades. Vontades de me tocar, de me falar, de me dizerem tudo o que o coração as faz sentir. Dou comigo a pensar que fiquei frio. Que a ausência do corpo feminino, não tanto o corpo, mas talvez o seu calor, as suas mãos, os seus lábios, o seu amor, a sua preocupação, me tenham deixado frio. Ou então foi a vida que me pôs mais homem e veja no seu olhar (nas mulheres que me olham) que ainda não estão preparadas para mim. Ou estarei eu distante de mais dos sentimentos? A ausência que tenho dado À escrita têm me deixado mais apático ás emoções. E com isso talvez não seja capaz de sentir com facilidade o que elas sentem por mim. Eu deixei de esperar por ela. E, com isso, talvez depois de tanto tempo a escrever sobre o amor que no peito tinha assim se foi de dentro de mim.

Eu quero acreditar que é apenas uma fase estranha e complicada da minha vida, que devo ter ficado assim, depois de ter visto os outros a ganhar amizades para a vida, a juntarem-se, a casarem-se, a serem pais. Talvez tenha sido tudo isto que me tenha tirado da alma as emoções. Talvez. Quero apenas acreditar que é uma fase.

Acredito que seja temporário.

domingo, novembro 2

Pousar a cabeça...

O frio atacou levemente pela manhã, sem que déssemos por ele ao acordar. Pôs-se em geito de escondida bem atrás de todas as portas que davam para a rua e de todas as janelas que chegámos a abrir com o intuito de deixar os raios de sol e o seu calor entrar livremente. Mas o que aconteceu foi que também o frio veio com ele e inundou a casa com o seu frio, com o seu bafo gélido. O vento aquele inimigo do animal e do homem. Tomámos banho de água fria para aquecer os corpos com mais rapidez e vestimos as roupas de inverno.

Nos meus pensamentos estavam a ideia de aproveitar o dia para ir passear, de aproveitar o sol que nos alegrou e aqueceu o coração. Mas não, hoje será um dia para ficar por casa, para estender a manta sobre o chão e ir buscar ao armário um cobertor, ficando sentados em frente à televisão, mesmo que não estejamos a ligar-lhe alguma, cada um com a sua ferramenta de trabalho. Eu de lápis, papel e imagens na mão e tu de livros e caderno no colo. Tendo na mesa à nossa frente o chá quente a fumegar. E à medida que o tempo vai passando, também tu vais ganhando um sono, um mimo no cérebro que te faz pousar a cabeça sobre o meu ombro e recostando-te, adormeces.

 O inverno chegou.

sábado, outubro 25

Essas coisas que te estragam a pele...

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Debaixo de toda essa base, dessa máscara que pintas com tanto gosto, com tanta dedicação todos os dias antes de sair de casa, acredito que esteja algo ainda mais belo do que as linhas pretas por baixo e cima dos olhos, as longas pestanas, o rímel, o bâton, os pós, todas essas coisas que te estragam a pele. E essa máscara, essa segunda pele que vestes num ritual diário não é, não mostra a pessoa que por dentro se transforma, que sente, que vive, que pensa, que ama, que toca e deseja, que vive do calor das chamas do futuro e das cinzas do passado.

Há dias em que a minha mão chega mais cedo do que a tua ao teu rosto. Chega mais cedo para te impedir de te pintares, de te transformares em algo que não és por dentro. Deixa que a natureza te dê a beleza naturalmente, meu amor. Tu és linda, tu és perfeita e deverias evitar usar essas coisas. Sabes como me faz impressão ver-te toda sarapintada, toda perfeita, sem rugas, sem pontos negros no rosto, no nariz, sem marcas da vida no rosto. Prefiro ter-te ao meu lado na cama em que não usas qualquer tipo de maquilhagem do que ter-te pintada, escondendo as cicatrizes que a vida te dá.

quinta-feira, outubro 23

Choras uma promessa...


Sussurro-te ao ouvido as palavras de conforto. Pudesses sentir o que eu sinto. Pudesses entender o que eu tento para te fazer entender. Há coisas, meu amor, que não sei como te explicar. Não te consigo explicar como o teu sorriso me aquece o peito, como as tuas mãos suaves me alegram o sorriso, como os teus lábios me enchem de alegria.

Fechas os olhos e choras uma promessa. Observas-me enquanto choro diante de ti, enquanto te prometo algo que para mim faz sentido e para ti faz só uma pequena confusão no coração. Tocas-me o rosto com intenção de me dares carinho. Beijas-me os lábios e choras de novo. Como és bonita! Como és bonito! Já pouco sei como te fazer sentir especial. Já pouco sei como deixar-te de coração cheio, de barriga carregada de borboletas, de sorriso estranho no rosto ou um certo brilhar nos olhos. Por muito que eu tente, acho difícil voltar a sentir-te da mesma maneira como senti por outras no passado. E é difícil agora que a visão do mundo é outra, que o amor é-me vazio e estranho no corpo, haja alguém capaz de forjar de novo o coração e os seus sentimentos.

Dia em que sol não brilha, coração não se aquece sozinho.

terça-feira, outubro 21

Saiu-lhe do rosto...


Sorriste para mim, olhaste com o desejo de me tocar. Mas o mordiscar de lábio mostrou-me que não me podias tocar, mesmo que pudesses, não podias, algo impedia que te atirasses a mim, mesmo que tivesses sorrido com os olhos. Dificilmente saberás o timbre da minha voz, a cor dos meus olhos com detalhe. Eu não sou teu, mas desejarias que o fosse. A alma é minha, mas desejarias que a partilhasse contigo. A casa é minha, mas queria-la para ti se soubesses que eu tenho uma. Hoje não me esperava sentir assim. Os olhares eram tantos, os sorrisos discretos eram ainda mais, os movimentos que mostravam o interesse eram visíveis e eu sabendo deixa-as que me observassem. Houve uma que me lançou um olhar que me mostrou ser mais do que interesse, foi um desejo. E feriu-lhe o coração quando me afastei dela e me viu com outra rapariga. O sorriso saiu-lhe do rosto e os olhos entristeceram levemente. 

Sei que haverá outro dia. Talvez aí tenhas a coragem para soltar de novo um sorriso e eu irei certamente ter contigo. Caso nos voltemos a encontrar.

segunda-feira, outubro 20

Eu sei que posso eu não ser o tal...

Ela está diante do altar e eu sentado na plateia observando aquela cerimonia tão maravilhosa, tão ao seu jeito. O casamento perfeito, com tudo o que ela sempre sonhou, com tudo o que ela sempre quis. É tão bom vê-la com aquele brilho no rosto e a lágrima pronta a sair do canto do olho. Quando o padre está prestes a casa-la com o homem que com ela vai para sempre ficar, levanto-me e tudo olha para mim, tudo suspira alto e o meu coração começa a bater com muita força. Eu quero falar mas a minha voz não sai, quero andar, mas nem do lugar consigo sair. E é então que solto estas palavras:
"Há uma coisa que te preciso de contar antes de te deixar ir, para que de alguma maneira eu possa finalmente descansar de todo este constante arranhar de coração."

Eu sei que posso eu não ser o tal, aquele com quem não decidiste casar, que posso não ser o homem perfeito para ti, ou aquilo com que sempre sonhaste todos estes anos de vida, eu sei que sou imperfeito e que posso por vezes ser uma pessoa difícil, eu sei. Mas quando se trata de ti tudo muda, o mundo cala e, à volta tudo fica silencioso. Dás-me alegrias em formas de sorriso, em formas de amor, de carinho, de mimos, de sons, os sons agradáveis da tua voz, a paz que habita nos teus olhos e o brilho que deles iluminam o meu coração, a minha alma. É agradável sair contigo, estar contigo, fazer tudo contigo. É agradável ver-te sorrir. Oh como me encanta ver-te de sorriso posto no rosto e com um leve brilho nos olhos da cor do caramelo. Os teus beijos são mimos do céu, são encantos de alma que não consigo engolir. Adoro a suave pele das tuas mãos, das bochechas rechonchudas e calorosas que se pintam de vermelho ou cor-de-rosa quando te faço corar, ou te encanto a alma. A tua voz acarinha-me o coração e, acalma-me o peito. Adoro como tu choras, é tão doce e desajeitada, tão meiga e delicada. Gosto de ti e não sei bem porquê. Gosto de ti assim, com esse olhar com que me olhas agora, com esse carinho que carregas no peito, com esse orgulho que trazes na ponta da língua, na atitude tão louca que por vezes te fere e faz o sangue correr desalmadamente pelo teu corpo. Adoro quando bates o pé e dizes o que tens a dizer. Adoro quando colocas a mão sobre o meu peito e me dizes para ter calma. Gosto da maneira como caminhas, como as tuas ancas se movem. Podes não ser perfeita aos teus olhos, podes achar que tens milhares de imperfeições, tenho-te a dizer que se não fosses tão imperfeita, também nunca serias tão perfeita dentro dessas tuas imperfeições. Completas-me e nada mais me importa.

Todos os momentos que passamos juntos são tão fortes, tão completos e naturais. A tua maneira de ser cativa-me o espírito, motiva-me a alma. Esse bichinho que escondes de toda agente, esse pequenino segredo que escondes em cantos e recantos no coração, esse delicado amor que fechas a sete chaves dentro de ti seja apenas usado com as pessoas de quem gostas. A certeza de que serás uma grande mulher, uma maravilhosa mãe com uma vida cheia e completa faz-me querer dizer-te mais do que estas simples palavras. Por mais que eu tente não sei como te dizer aquilo que me fazes sentir. É complicado dizer-te as coisas boas que me fazes sentir. Sair contigo é viver outra vida.

Por cada dia que te via, mesmo que fosse ao longe, o meu coração batia com tanta força que o conseguia sentir a querer sair-me do corpo, a querer rasgar o peito para ir ter contigo. Adoro a tua maneira de falar, o tom da tua voz, o suspiro que tens na tua respiração. Adoro quando me olhas com esse brilho nos olhos, quando me seguras na mão e dizes que não me queres perder, que não queres que me vá embora e, eu sinto o mesmo, eu sinto o mesmo quando me beijas com esses lábios tão delicados, sinto o mesmo quando te delicio a testa com mimos. Adoro quando o teu corpo toca no meu, quando te enroscas no meu peito e ficas com um olhar bebe, com um olhar doce e carinhoso. Gosto quando berras e quando choras. Gosto quando dizes que vais embora e acabas por voltar atrás e pedir desculpa e beijas-me como no nosso primeiro dia, o dia me que te pedi para tomar café.

A tua voz não pertence à terra, mas ao céu.
Tens vida dentro de ti!
Pedro Miguel Mota 29-12-2013 (Escrito às 23:09)

quarta-feira, outubro 15

A chuva lava-me...

Uma semana sem o teu sorriso é tão cruel como a faca abrir uma ferida na minha mão. Tenho a tua melancolia no meu olhar. Continuas a ter em ti uma vida estranha, uma vida que te dá alentos quando sorris com o desejo que a chuva pare de cair, que o sol volte a dar-te calor, que as nuvens se parem de formar e os relâmpagos que iluminam e serpenteiam os céus abrandem ou desapareçam com o seu horroroso som que te deixa tão aflita. E aflito fico eu quando passo semanas sem ouvir uma palavra tua, sem saber onde andas, sem saber o que sentes.


A chuva lava-me a mente e o coração. Fico vazio, fico apático e a tua ausência facilita ainda mais o estado melancólico em que fico.

segunda-feira, outubro 13

Verbalização de palavras...


Ela olhou-me com um desejo. Olhou-me com vontades. Olhou-me só, penso eu. Olhou-me e penetrou-me no corpo, tocou-me na alma, sugou-me a vida, roubou-me o sorriso e, no fim. Antes de ir embora ainda esboçou um sorriso.

Muito antes tínhamos estado a falar, não me lembro já bem do quê, não me quero lembrar já. Ela surria, mas não tanto como aquele olhar seguido de um sorriso tão brilhante. Não foi um sorriso de despedida, foi um sorriso de um até já. E permaneço assim estranho, com uma mão agarrada ao coração e a outra a bater com as pontas dos dedos na testa, com o desejo de tentar perceber que sentimento é este, que sentimento foi aquele e, onde irá tal situação dar. Agarrei-me ao que tinha no momento e falei, falei como se a conhecesse, como se fossemos amigos. Terei feito bem? Julgo que não, facilitou-me a verbalização de palavras, ajudou-me a impedir a balbuciação dessas mesmas palavras. Tinha ela o corpo virado para mim, e por vezes sacudia o cabelo e voltava-lhe a mexer de tempos em tempos como se lhe estorva-se a consciência, o pensamento.

Ela disse que gostava do meu olhar. Foi nesse momento que se levantou e foi embora, assim me lembrei do meu primeiro beijo. Estranho e excitante.

quarta-feira, outubro 8

O que não se vive...


Aos poucos a chuva pára e eventualmente o calor do sol terá capacidade de te aquecer o rosto. Os dias vão ficando mais compridos à medida que o outono deixa chegar o inverno. E no inverno é quando o coração te aquece mais sobe o peito. Aquece-te a alma, aconchega-te o coração, alivia-te os pesadelos e faz atormentar as más decisões. É a altura do ano em que olhas para a tua aliança e fazes uma introspecção sobre o que aconteceu durante todo o ano, não só pessoal como familiarmente. E aquela aliança, além de representar um sentimento, um momento, um amor, um afável gosto, é também o sinónimo de uma luta diária constante. Porque (e vou ser sincero) se não fosse essa aliança no dedo a relembrar-te do meu rosto, a relembrar-te da minha voz, das minhas mãos suaves a passar pelo teu rosto, dos meus lábios quentes a pousar sobre os teus que tão frios ficam nesta altura do ano, se não fosse essa aliança, certamente que haveria não só na tua cabeça, mas também na minha, um ser to desconforto, não que o anel signifique que pertencemos um ao outro, mas ajuda-nos a entender que, estamos ligados emocionalmente a alguém e certamente estará a pensar em nós nos momentos em que olha para a aliança.

O que não se vive com o coração não pode ser escrito na pedra.

terça-feira, outubro 7

Uma postura bonita...



Ajoelho-me diante de ti para que possas sentir de melhores maneiras aquilo que tenho para te dizer. Não espero que respondas de imediato, espero sim que entendas o que eu digo, e tentarei de alguma forma colocar palavra por palavra o pensamento, a ideia, o assunto delicado que tenho há muito para te contar, de maneira que ao ouvires o possas entender, colocando bem a voz, usando a maneira como se diz, e as palavras que se dizem, para que não hajam enganos ledos e cegos de alma.

Hoje é um dia especial, tanto para mim como para ti. É o dia em que escolhemos finalmente dar o nó na nossa relação, dar o nó na corda que usávamos para nos comunicarmos todos os dias. Hoje é um dia especial e gostaria de o ter eterno no coração, eterno na memória. Pude eu ter tido a oportunidade de namorar com outra rapariga que não tu, pude até ter dito que não à tua proposta de namoro e não estaria hoje aqui ajoelhado diante de ti, vestido assim destas maneiras e o poder olhar para esse sorriso tão lindo, tão brilhante, tão contagiante e carinhoso. Adoro a maneira como me tratas, não só a mim mas também ao que te rodeia. Não és perfeita e é certo que nunca espero muito de ti, porque todos temos os nossos dias, as nossas falhas, as nossas quedas, os nossos podres. E de alguma maneira tens conseguido manter uma postura bonita, sem muitos deslizes, sem muitos desvaneios de alma, sempre com peso e medida. Eu posso ser por vezes pouco preocupado, ou até desmotivado e intolerante em certas alturas, mas acredita que no fundo deste meu coração o que mais quero neste mundo e desde o momento que te conheci o nome e a voz, era poder dar-te tudo o que de bom tenho. Pensava desta maneira: Irei tratar-te como se fosses minha filha. Tirando a parte de que tu tens a tua vida, as tuas escolhas e eu só te daria a opinião se soubesse o que estava a dizer, ou na eventualidade de tu ma pedires.

O que me faz hoje ajoelhar diante de ti é o facto de que sempre conseguiste ser mulher, com ou sem defeitos, foste e és mulher, cheia de amor e carinho, sempre pronta a ajudar. Tens o sorriso mais bonito de todas as mulheres, excepto o da minha mãe. Tens a força de vontade capaz de me elevar quando estou em baixo. E adoro quando me ponho doente e me tratas com tanto amor, com tanto carinho, como se fosse o teu bem mais precioso. Há coisas que não te sei explicar, que não sei ainda como tas descrever. Talvez mais tarde quando a idade pesar no corpo, talvez aí eu saiba explicar o que me vai concretamente no coração. Até lá só posso agradecer todo o tempo que gastaste ao meu lado, todo o apoio, incentivo, todo o amor e humildade que desse corpo, que dessas mãos saíram.

sábado, outubro 4

Da corda que entre nós cortaste...


Soubesse eu que tu irias desistir de tudo o que o tempo construiu. Que te irias deixar derrotar assim à primeira oportunidade. Podes até chorar, podes gritar o quanto quiseres, eu já não estou ao teu lado para te calar o grito e colher essas lágrimas. Deves agora sofrer sozinha. Também eu sofro com a distancia que teimaste em criar. Com a distancia que deixaste que acontecesse entre ti e o sentimento que tinhas sobre mim, se é que alguma vez tiveste algum sentimento dentro de ti que fosse sobre mim.   Faz parecer que tudo o que me disseste aos ouvidos, tudo o que me fizeste sentir, na realidade era um engano, uma mentira, uma crueldade dada ao coração. Agora não passas de uma memória. De uma cruel memória que por breves minutos se torna num pesadelo.

O teu rosto continua a ser simpático, a tua orelha delicada, os teus olhos cheios de força, mas o teu coração virou pedra fria, tornaste-te algo que não previa.

Independentemente da corda que entre nós cortaste, continuas a ser mulher, continuas a ter um coração que precisa de ser amado e cuidado, tal como eu necessito de um certo conforto. Que encontres finalmente quem realmente te faça florescer de novo o sorriso no rosto.

sexta-feira, outubro 3

Tornas as coisas difíceis...



O Sorriso foi a primeira coisa que apreciei no teu rosto. Jovem, livre e espontâneo. Um sorriso controlado sem querer mostrar demasiado dele, sem que seja demasiado cobiçado. Deixas que o olhar fale por ti. Sinto-me estranho ao olhar-te, ao ver-te o olhar que por vezes se fica pela timidez, mesmo que o corpo mostre o contrário, que queres muito mais do que palavras, do que beijos nas bochechas do rosto. Tornas as coisas difíceis quando com esses olhos carregados de uma ternura jovem e sedutora me querem por inteiro, sem metades, sem medos e rodeios. Ganho um medo que me faz tremer o coração. Não é o beijar-te ou tocar-te suavemente pelo corpo, é o perder a voz, perder a força nas mãos, perder a força para respirar, para te dar a mão e viver.

Tens um espírito carinhoso dentro de ti, uma coisa estranha e rara ao mesmo tempo.

domingo, setembro 28

Tenho-te à minha janela...

De Wuthering Heights (2011)
Tenho-te à minha janela e estás tão bonita que não sei se devo sair ou convidar-te a entrar. A luz do candeeiro de rua ilumina-te os ombros, mas escurece-te o rosto. Sorris. Sei que o fazes porque te vejo um certo brilho nos olhos e esse brilho é difícil de disfarçar. Esta noite põem-se um delicado nevoeiro e uma charmosa melodia no ar. Cantas, não com palavras mas com pequenos sons saídos da tua garganta, como se embalasses a lua para que adormeça depressa. Queres que a noite passe devagar, queres agarrar-te ao meu braço e sorrir sobre o meu ombro, queres olhar-me nos olhos enquanto me fazes perguntas. Queres que te aqueça o coração com palavras pequeninas e preciosas, com beijos sobre a testa e outros sobre as costas das mãos. Queres ouvir-me falar porque gostas de ouvir os outros, dizes tu que é o teu pior defeito, ouvir os outros, ouvir e ouvir e raramente falar.

Tenho-te à minha janela de sorriso estampado no rosto, numa mão seguras o prático chapéu de chuva e a outra mão deixas-la dentro do bolso para que quando me segurares o pescoço para que o beijo seja doce e controlado eu não me queixe da mão fria.

Sinto que me encantas. que me corres nas veias como se fosses uma doença.

quarta-feira, setembro 24

Aquela coisa...


O silêncio é aquela coisa que te deixa apática de sentimentos. Sofres de tal maneira o frio que povoa a casa, o vazio e o silêncio que impestam o teu quarto, que chegas a chorar agarrada a almofada. O corpo fica-te frio e nesses momentos chegas a querer cometer loucuras ao teu corpo para aliviar os sentimentos estranhos que sofres na cabeça e no coração.

Tens complexos contigo própria e isso arruinou a relação que tinhas com ele, com o rapaz que sempre conseguia tirar de ti um sorriso, uma lágrima de felicidade, um gosto, um encanto que fazia a alma rejuvenescer. Nesse mar de emoções confusas e silenciosas, há um único som no mundo que te faz esquecer tudo o que te atormenta e esse som é o som da trovoada. Nos dias em que o céu se cobre de negro e as estradas de um azul escuro, o coração acalma, a respiração abranda e o teu rosto ganha um alivio, não sorris, mas quem olha para ti sente que estás bem.

O teu corpo encolhe com a solidão e quando alguém te sorri, ganhas um brilho nos olhos. E aquele sorriso é o sopro da vida a puxar por ti, a dizer-te de maneiras mais tenras: "Vá! Continua."

segunda-feira, setembro 22

A maneira como olhas...


Oh Inês, eu não sou ingénuo. Eu vejo bem a maneira como olhas para ele e não me olhas da mesma maneira. Deve ser amor e ambos sabemos que não é entre nós. Não, eu não quero ser adorado, não quero que me digas que fico bonito de azul para apenas disfarçares o gosto que tens de olhar para ele. Gosto quando falas para mim no escuro e dizes o meu nome.

Posso ficar em tua casa hoje à noite? Para poder sentir o teu corpo a desejar o meu.

E pela ultima vez, tira esse olhar triste do rosto, mesmo que isso te dê um ar carinhoso e delicado, prefiro ver-te de sorriso, sempre faz melhor a nós dois.

sábado, setembro 20

O vento frio...


O sorriso saiu-te do rosto com a mesma rapidez com que a tempestade se pôs. 
Não te preocupes que a trovoada já passa. A fonte de terror já passa. Concentra-te agora na televisão, esquece as nuvens escuras, os raios que iluminam os céus, as gotas de água que alagam os telhados, o vento frio que faz abanar as árvores. Vai aquecer chá e pôr pão a torrar, eu vou acender a lareira da sala e ligar o iMac para vermos um filme esta tarde. E se isso não for suficiente para te afastar o pensamento da terrível trovoada que decidiu estacionar aqui, iremos para a cama cobrirmos-nos com os cobertores.

Tenta não ligar ao que se passa lá fora e ela certamente que vendo-se ignorada se irá embora num abrir e fechar de olhos. Tão simples como dar um gole rápido na caneca de chá quente e uma trincadela nas torradas carregadas de tanta manteiga.

Sempre vestiste a camisola que te ofereci. Estás deslumbrante.

sexta-feira, setembro 19

Que uses com gosto...


Tenho um presente para ti. O tipo de presente que condiz com a estação do ano que se avizinha e com o tempo que veio para ficar até ao fim do ano. Mal posso esperar para que chegues a casa para que possas abrir a prenda que tenho para te oferecer. Foi comprada com carinho, foi comprada com a intenção de te ter sempre quente e calorosa, para afastar do corpo os males, as constipações, as febres e dores de cabeça. E mais ainda impedir que tenhas aquelas dias maus em que não te apetece colocar um pé à frente do outro.

Espero que uses com gosto. Acho que condiz com a tua personalidade. 

quarta-feira, setembro 17

Tenho saudades...


Tenho saudades dos dias de cumplicidade.

sábado, setembro 13

A tua mãe diz...

Diz a tua mãe que não sou digno do sorriso que surge no teu rosto. Diz ela também que não mereço todo o carinho, todo o tempo que tens dispensado comigo, que não sou aquele com quem deverás casar, que não devo ser o homem que partilhará o resto da vida contigo, o cuidar de um ou mais filhos, cuidar da casa e levantar-me todos os dias de manhã para ir trabalhar. Para ela eu não posso passar da linha que nos une por mais um pedaço do tempo. E quando lhe dizes que sou eu o homem que escolheste para chorar, gritar e ter filhos, ela diz-te zangada e de maneiras que toda a mulher conhece, de te colocar contra mim, ou pelo menos numa tentativa de te fazer perder a cabeça e de caíres na realidade. Mas na tua realidade eu estou ao teu lado, ela pode dizer que irás desiludir-te ao perceberes o tempo que perdeste supostamente comigo.

É uma pessoa adorável a tua mãe, quando coloca de lado toda a raiva, todas as infelicidades que a vida já lhe dera, e acredito que ela diga muitas das coisas só da boca para fora para nos chatear, mais a mim do que a ti. Ela ainda julga que casar com alguém rico irá fazer-te feliz. Vê-de o casamento quase arranjado da tua irmã, a vida que ele tem e a estranha vida que ela vai vivendo.

A tua mãe diz...

quarta-feira, setembro 10

Tenta...


Escondeste do mundo como se quisesses deixar de sentir o seu cheiro, deixar de sentir o desconforto que te causa no peito, a ansiedade que te causa a cada vez que te atiras às ruas com a vontade de viver. Tens medo de ser esquecida, medo de não ser correspondida, medo de não seres bonita suficiente para o rapaz que tanto desejas amar. Escondeste do mundo com o desejo que o tempo cuide de todas as cicatrizes que ganhaste com a vida e com isso te tornes na pessoa maravilhosa que julgas não ser. Porque fazes isso? 

Porque tens de ser tão fria quando te toco? Porque não aceitas o amor e a atenção de alguém que realmente se preocupa contigo? Sentes que precisas de ser forte sozinha sem ter de necessitar a ajuda de ninguém. É isso que eu vejo quando viras o rosto para o lado quando te tento confortar. Contudo o beijo suave sobre a testa permanece a coisa que mais gostas de receber, mesmo que teimes em bater-me no peito ou apertar-me os braços com força.

Conheces-me bem, sabes como sou.
Para mim nada mais importa quando te vejo desistir de lutar. Sentes o mundo a desabar sobre ti? Imagina como fica o meu quando vejo as lágrimas que se soltam sobre o rosto tornam-te ainda mais frágil, insegura. Olha bem para ti, liberta-te dessas mágoas, desses terrores que te assombram, dessas maldades que criaste dentro de ti, julgando que te tornariam mais forte, mais resistente ao olhar e ao trato do homem. Vê no que te tornaste. Estou aqui ao teu lado desde que decidiste ficar assim, distante das gentes, distante de mim, distante das nossas conversas tidas com uma bela caneca de café. Estamos perto um do outro fisicamente e apesar de tentar ter-te comigo desse modo e em jeito intelectual, achas que já mais te irei entender. Tenta.

Poderão os nossos corações ser amigos?

segunda-feira, setembro 8

Transformar as feridas em cicatrizes...

Foste a única. Foste a única que arriscou a dar-me a mão, a única que assumiu a relação de tantas outras, a única que teve a coragem em concorrer com os demónios que me queriam habitar o coração. Foste a única a ganhar tal batalha, foste a única que depois de cair, não desistiu e me voltou a dar a mão para me ajudar a aprender de novo a andar.

Há já tanto tempo que tinha perdido o jeito de caminhar, de falar, as boas maneiras de comer. Sentia-me tal e qual como o Monstro da Bela. Foste tu a Bela que entrou no coração com o intuito não só de ajudar, como de me amar como sou. Ficaste o tempo que quiseste, ficaste o tempo suficiente para me ver de novo erguer. Enquanto as outras não acreditavam em mim, foste tu a única que teve a ousadia de me beijar o rosto e dizer que ia ficar tudo bem, foste a única que me tocou o coração sem uma única palavra, sem um único beijo, apenas e simplesmente a tua suavis vox.

É tudo uma questão de transformar as feridas em cicatrizes. E fazes das cicatrizes momentos de alegria únicos.

domingo, setembro 7

O facto de te ver partir...


Provavelmente não será tanto o facto de te ver partir, mas mais o de me ter de ir embora, deixando-te para trás com um sorriso estranho e um olhar de confusão. Posso ver-te duas ou três vezes por dia, e a conversa não passar do "olá, tudo bem", mas fico satisfeito que já exista a interacção de duas ou três palavras. É bom sinal. Julgo eu que o seja, ou não fosse eu gostar da voz e do suave sorriso que fazes surgir de maneiras tão subtis na tua face.

Talvez já não saiba falar com uma rapariga. Talvez na minha cabeça haja outras coisas mais importantes do que sexo, lábios e rabos. Talvez sejam as palavras a tomar conta de mim, os livros e as suas letras. Terei eu perdido o jeito?

quinta-feira, setembro 4

Amo-te


Amo-te a ti e às sestas de fim-de-semana.