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sexta-feira, dezembro 12

Se te voltasse a ver...


Há dias em que a cabeça quer sair de casa, mas não o corpo. O coração quer-se aventurar, mas não o corpo. Os olhos querem ver coisas novas, mas não o corpo. Tento achar um sentido para este momento em que o frio que me ataca os pés de noite quando estou deitado na cama, não é de uma rapariga, é do frio da noite, o frio do inverno que teima em ser esquisito e mesquinho. Começo a achar que esta sensação de frio constante é falta de amor.
 
Tenho planos, mas ninguém com quem os realizar. Conto os dias aos pares, conto as semanas, chegando a aperceber-me que não tarda muito e o ano acaba e eu de cama fria, de boca fechada, de olhos abertos para o tecto, de mãos e braços completamente pousados ao longo do corpo. A respiração abranda, o batimento quase que pausa, e à memória surge-me a rapariga do comboio, os seus olhos, a sua aparência tão menina, tão educada.
 
Poderia dizer que nada me acontece, mas tenho que admitir que tenho tido oportunidades que não tenho feito para as agarrar, ou porque sinto que não vale a pena, ou porque o não está sempre pronto a ser enviado. Mas "o se" nunca chega a ter resposta concreta.
 
Se te voltasse a ver, diante dos meus olhos, prometo aqui hoje, que se te voltar a encontrar, irei falar contigo. Mesmo que haja um não, ou negação da tua parte, irei falar contigo. Porque por mais estranho que te pareça o que te vou dizer, apesar de não saber se lês o que escrevo ou não, foste a única com quem me senti capaz de avançar e deter-te algumas palavras. Que seja a vida a dar-me frutos. Que seja.

terça-feira, dezembro 2

As minhas mãos sobre os teus ombros...


Ponho os olhos no teu peito, ponho as palavras na ponta da língua, coloco as minhas mãos sobre os teus ombros, sobre o teu rosto, sobre os teus cabelos. Olha para mim por-favor. Gosto de como o jeito ameaçador do teu olhar me faz arrepiar a pele do corpo. O sangue aflui ás tuas bochechas, as sardas ganham cor, os olhos intensificam o brilho, o corpo meça a tremelicar levemente. Separas os lábios enquanto esticas o pescoço para que o possa beijar. Mais do que desejar-te o corpo e a sexualidade, é perder tempo a conhecer-te, a entender-te, a sobreviver ao dia-a-dia com a preocupação no coração. Com borboletas na barriga, tendo-te no pensamento quase constantemente. Mais o teu sorriso, mais o teu "amo-te", mais o "gosto de ti". Há tanto que merecemos. E mais do que sermos felizes, merecemos desaparecer do mundo quando entramos em casa. A nossa única casa onde podemos pintar as paredes de negro, onde as palavras poderão sair sem que os outros se preocupem com a nossa vida. Com os nossos sentimentos preocupamos-nos nós e a nossa vida é feita apenas por nós.

Oh amor, que história contam os outros sobre o passado que tivemos? Surgem como leões na savana a querer apoderar-se da nossa vida, como se fizessem questão de nos fazer sentir de que não há sitio nenhum no mundo onde nos podemos esconder dos seus olhares, das suas cruéis palavras, dos gestos, dos horrores que querem provocar, das mentiras que espalham como sendo verdade. Acreditam eles que assim tocam o céu e que o inferno será para nós. Diria antes, tal como tu, que o céu irá arder e o inferno irá ganhar a luz que injustamente plantaram no céu.

Dizem que a verdade dói. Querem eles levantar a guerra. Sorte a deles que estamos em tempo de prendas.

sexta-feira, novembro 28

O que tenho não chega...

Se tudo o que tenho não me chega a completar, se tudo o que tenho, de alguma maneira não me faz falta, porque teimo em colocar na cabeça que tu me fazes uma falta imensa, uma falta com um tamanho tão grande que não consigo caracterizar? Porquê? Porque continuo a achar que as saudades de beijar e acariciar lábios, a saudade de pegar na mão de alguém me continuam a deixar tão indeciso? 

Quando penso em mudar a minha vida por inteiro, começar do zero, numa cidade diferente, num sitio novo, com rostos e gentes novas, com costumes diferentes daqueles a que estou habituado, e isso dá-me sorrisos, e muitos, devo eu dizer. Pretendo arriscar neste momento na minha vida, de a alterar e fazer as coisas por mim, sem ter este ou aquele nome, sem ter esta ou aquela cunha. Quero o meu nome, deixado por mim, criado por mim. E na volta deste arriscar de vida, conhecer a alma gémea, se não for gémea que pelo menos me seja querida, me seja simpática e delicada nas vozes, nas acções, na personalidade.

Quero começar a vida de novo e fazê-la florescer numa outra cidade, esta onde vivo, não me dá esperanças. Esta onde vivo, já está demasiado atulhada de "não dá", atulhada de "falta de oportunidades".

quarta-feira, novembro 19

As palavras saíram-me da boca...


 As palavras saíram-me da boca como se fossem a coisa mais cruel do mundo. O teu olhar ganhou um brilho, não de paixão ou de amor, mas das lágrimas que soltaste tão dolorosamente. Pareciam queimar-te o rosto. A cada lágrima, a cada engolir de saliva, a cada palavra que tentavas proferir era como uma facada, como um cortar de pulsos. Engoliste por fim em seco e respondeste às minhas palavras. As bochechas rosaram, os olhos ficaram apertados e vermelhos. As mãos tremeram e também a voz lhes ganhou o jeito. Balbuciaste meras palavras de sofrimento. Querias gritar mas não conseguias. Podia ver a dor a tomar conta dos teus olhos, o aperto no coração tão delicado.

Hoje não estou disponível para tomar conta de ti. Limpa as lágrimas e levanta-te. O dia ainda não acabou. Faz-te forte, faz-te mulher. Hoje vais ter de te levantar sozinha.

domingo, novembro 9

Aquela que ficou...



Cada vez que me lembro do seu rosto, é como se pudesse sentir e apreciar o carinhoso e gentil trato que ela, carregou em tempos no coração. As suas mãos generosas, bem como as palavras que da sua boca saíram, sempre com tanto carinho, com tanto cuidado, com tanto gosto e dedicação. O que hoje, é tão difícil encontrar em mulher alguma. Apesar de não lhe saber o tom da voz, gosto de imaginar que era como uma melodia, como a voz de alguém que tem dentro de si o coração de um anjo e o amor do mundo. O pulsar do seu coração certamente que era calmo, teimoso de sentimentos, raivoso quando contrariado e deliciosamente afável quando era afagado no peito do seu amado. As mãos tremeram-lhe todas as vezes que lhe tocara no rosto, cada vez que lhe saboreou a ponta dos lábios, cada vez que os olhos cruzaram a linha do horizonte. O corpo frágil de mulher susteve no colo três filhos, susteve ainda no pescoço e no peito, as facas de dois gumes que com tanto ódio, tanta raiva, tanta cegueira causada pela inveja, lhe tirou a vida. A ela. A ti! À mulher que "Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas."

"O melhor tipo de pessoa é aquela que fica" Ela de nome Agnez Peres De Castro, ficou até ao ultimo minuto, junto daquele que dela nunca os olhos tirou, nem desde o primeiro dia. A ela nunca uma mão levantou, e dela, nenhuma do regaço tirou.

O amor que no peito tinha...


Apesar de tudo, quem virou as costas ao mundo fui eu. Quem agora maltrata quem me gosta sou eu, porque podem elas mostrar o interesse por mim, que eu pouco ou nada lhes dou como resposta aos sinais que me enviam. O toque de cabeça, o colocar o cabelo atrás das orelhas, o cruzar e descruzar pernas com frequência, o olhar incessante que me dirigem, com vontades. Vontades de me tocar, de me falar, de me dizerem tudo o que o coração as faz sentir. Dou comigo a pensar que fiquei frio. Que a ausência do corpo feminino, não tanto o corpo, mas talvez o seu calor, as suas mãos, os seus lábios, o seu amor, a sua preocupação, me tenham deixado frio. Ou então foi a vida que me pôs mais homem e veja no seu olhar (nas mulheres que me olham) que ainda não estão preparadas para mim. Ou estarei eu distante de mais dos sentimentos? A ausência que tenho dado À escrita têm me deixado mais apático ás emoções. E com isso talvez não seja capaz de sentir com facilidade o que elas sentem por mim. Eu deixei de esperar por ela. E, com isso, talvez depois de tanto tempo a escrever sobre o amor que no peito tinha assim se foi de dentro de mim.

Eu quero acreditar que é apenas uma fase estranha e complicada da minha vida, que devo ter ficado assim, depois de ter visto os outros a ganhar amizades para a vida, a juntarem-se, a casarem-se, a serem pais. Talvez tenha sido tudo isto que me tenha tirado da alma as emoções. Talvez. Quero apenas acreditar que é uma fase.

Acredito que seja temporário.

domingo, novembro 2

Pousar a cabeça...

O frio atacou levemente pela manhã, sem que déssemos por ele ao acordar. Pôs-se em geito de escondida bem atrás de todas as portas que davam para a rua e de todas as janelas que chegámos a abrir com o intuito de deixar os raios de sol e o seu calor entrar livremente. Mas o que aconteceu foi que também o frio veio com ele e inundou a casa com o seu frio, com o seu bafo gélido. O vento aquele inimigo do animal e do homem. Tomámos banho de água fria para aquecer os corpos com mais rapidez e vestimos as roupas de inverno.

Nos meus pensamentos estavam a ideia de aproveitar o dia para ir passear, de aproveitar o sol que nos alegrou e aqueceu o coração. Mas não, hoje será um dia para ficar por casa, para estender a manta sobre o chão e ir buscar ao armário um cobertor, ficando sentados em frente à televisão, mesmo que não estejamos a ligar-lhe alguma, cada um com a sua ferramenta de trabalho. Eu de lápis, papel e imagens na mão e tu de livros e caderno no colo. Tendo na mesa à nossa frente o chá quente a fumegar. E à medida que o tempo vai passando, também tu vais ganhando um sono, um mimo no cérebro que te faz pousar a cabeça sobre o meu ombro e recostando-te, adormeces.

 O inverno chegou.

sábado, outubro 25

Essas coisas que te estragam a pele...

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Debaixo de toda essa base, dessa máscara que pintas com tanto gosto, com tanta dedicação todos os dias antes de sair de casa, acredito que esteja algo ainda mais belo do que as linhas pretas por baixo e cima dos olhos, as longas pestanas, o rímel, o bâton, os pós, todas essas coisas que te estragam a pele. E essa máscara, essa segunda pele que vestes num ritual diário não é, não mostra a pessoa que por dentro se transforma, que sente, que vive, que pensa, que ama, que toca e deseja, que vive do calor das chamas do futuro e das cinzas do passado.

Há dias em que a minha mão chega mais cedo do que a tua ao teu rosto. Chega mais cedo para te impedir de te pintares, de te transformares em algo que não és por dentro. Deixa que a natureza te dê a beleza naturalmente, meu amor. Tu és linda, tu és perfeita e deverias evitar usar essas coisas. Sabes como me faz impressão ver-te toda sarapintada, toda perfeita, sem rugas, sem pontos negros no rosto, no nariz, sem marcas da vida no rosto. Prefiro ter-te ao meu lado na cama em que não usas qualquer tipo de maquilhagem do que ter-te pintada, escondendo as cicatrizes que a vida te dá.

quinta-feira, outubro 23

Choras uma promessa...


Sussurro-te ao ouvido as palavras de conforto. Pudesses sentir o que eu sinto. Pudesses entender o que eu tento para te fazer entender. Há coisas, meu amor, que não sei como te explicar. Não te consigo explicar como o teu sorriso me aquece o peito, como as tuas mãos suaves me alegram o sorriso, como os teus lábios me enchem de alegria.

Fechas os olhos e choras uma promessa. Observas-me enquanto choro diante de ti, enquanto te prometo algo que para mim faz sentido e para ti faz só uma pequena confusão no coração. Tocas-me o rosto com intenção de me dares carinho. Beijas-me os lábios e choras de novo. Como és bonita! Como és bonito! Já pouco sei como te fazer sentir especial. Já pouco sei como deixar-te de coração cheio, de barriga carregada de borboletas, de sorriso estranho no rosto ou um certo brilhar nos olhos. Por muito que eu tente, acho difícil voltar a sentir-te da mesma maneira como senti por outras no passado. E é difícil agora que a visão do mundo é outra, que o amor é-me vazio e estranho no corpo, haja alguém capaz de forjar de novo o coração e os seus sentimentos.

Dia em que sol não brilha, coração não se aquece sozinho.

terça-feira, outubro 21

Saiu-lhe do rosto...


Sorriste para mim, olhaste com o desejo de me tocar. Mas o mordiscar de lábio mostrou-me que não me podias tocar, mesmo que pudesses, não podias, algo impedia que te atirasses a mim, mesmo que tivesses sorrido com os olhos. Dificilmente saberás o timbre da minha voz, a cor dos meus olhos com detalhe. Eu não sou teu, mas desejarias que o fosse. A alma é minha, mas desejarias que a partilhasse contigo. A casa é minha, mas queria-la para ti se soubesses que eu tenho uma. Hoje não me esperava sentir assim. Os olhares eram tantos, os sorrisos discretos eram ainda mais, os movimentos que mostravam o interesse eram visíveis e eu sabendo deixa-as que me observassem. Houve uma que me lançou um olhar que me mostrou ser mais do que interesse, foi um desejo. E feriu-lhe o coração quando me afastei dela e me viu com outra rapariga. O sorriso saiu-lhe do rosto e os olhos entristeceram levemente. 

Sei que haverá outro dia. Talvez aí tenhas a coragem para soltar de novo um sorriso e eu irei certamente ter contigo. Caso nos voltemos a encontrar.

segunda-feira, outubro 20

Eu sei que posso eu não ser o tal...

Ela está diante do altar e eu sentado na plateia observando aquela cerimonia tão maravilhosa, tão ao seu jeito. O casamento perfeito, com tudo o que ela sempre sonhou, com tudo o que ela sempre quis. É tão bom vê-la com aquele brilho no rosto e a lágrima pronta a sair do canto do olho. Quando o padre está prestes a casa-la com o homem que com ela vai para sempre ficar, levanto-me e tudo olha para mim, tudo suspira alto e o meu coração começa a bater com muita força. Eu quero falar mas a minha voz não sai, quero andar, mas nem do lugar consigo sair. E é então que solto estas palavras:
"Há uma coisa que te preciso de contar antes de te deixar ir, para que de alguma maneira eu possa finalmente descansar de todo este constante arranhar de coração."

Eu sei que posso eu não ser o tal, aquele com quem não decidiste casar, que posso não ser o homem perfeito para ti, ou aquilo com que sempre sonhaste todos estes anos de vida, eu sei que sou imperfeito e que posso por vezes ser uma pessoa difícil, eu sei. Mas quando se trata de ti tudo muda, o mundo cala e, à volta tudo fica silencioso. Dás-me alegrias em formas de sorriso, em formas de amor, de carinho, de mimos, de sons, os sons agradáveis da tua voz, a paz que habita nos teus olhos e o brilho que deles iluminam o meu coração, a minha alma. É agradável sair contigo, estar contigo, fazer tudo contigo. É agradável ver-te sorrir. Oh como me encanta ver-te de sorriso posto no rosto e com um leve brilho nos olhos da cor do caramelo. Os teus beijos são mimos do céu, são encantos de alma que não consigo engolir. Adoro a suave pele das tuas mãos, das bochechas rechonchudas e calorosas que se pintam de vermelho ou cor-de-rosa quando te faço corar, ou te encanto a alma. A tua voz acarinha-me o coração e, acalma-me o peito. Adoro como tu choras, é tão doce e desajeitada, tão meiga e delicada. Gosto de ti e não sei bem porquê. Gosto de ti assim, com esse olhar com que me olhas agora, com esse carinho que carregas no peito, com esse orgulho que trazes na ponta da língua, na atitude tão louca que por vezes te fere e faz o sangue correr desalmadamente pelo teu corpo. Adoro quando bates o pé e dizes o que tens a dizer. Adoro quando colocas a mão sobre o meu peito e me dizes para ter calma. Gosto da maneira como caminhas, como as tuas ancas se movem. Podes não ser perfeita aos teus olhos, podes achar que tens milhares de imperfeições, tenho-te a dizer que se não fosses tão imperfeita, também nunca serias tão perfeita dentro dessas tuas imperfeições. Completas-me e nada mais me importa.

Todos os momentos que passamos juntos são tão fortes, tão completos e naturais. A tua maneira de ser cativa-me o espírito, motiva-me a alma. Esse bichinho que escondes de toda agente, esse pequenino segredo que escondes em cantos e recantos no coração, esse delicado amor que fechas a sete chaves dentro de ti seja apenas usado com as pessoas de quem gostas. A certeza de que serás uma grande mulher, uma maravilhosa mãe com uma vida cheia e completa faz-me querer dizer-te mais do que estas simples palavras. Por mais que eu tente não sei como te dizer aquilo que me fazes sentir. É complicado dizer-te as coisas boas que me fazes sentir. Sair contigo é viver outra vida.

Por cada dia que te via, mesmo que fosse ao longe, o meu coração batia com tanta força que o conseguia sentir a querer sair-me do corpo, a querer rasgar o peito para ir ter contigo. Adoro a tua maneira de falar, o tom da tua voz, o suspiro que tens na tua respiração. Adoro quando me olhas com esse brilho nos olhos, quando me seguras na mão e dizes que não me queres perder, que não queres que me vá embora e, eu sinto o mesmo, eu sinto o mesmo quando me beijas com esses lábios tão delicados, sinto o mesmo quando te delicio a testa com mimos. Adoro quando o teu corpo toca no meu, quando te enroscas no meu peito e ficas com um olhar bebe, com um olhar doce e carinhoso. Gosto quando berras e quando choras. Gosto quando dizes que vais embora e acabas por voltar atrás e pedir desculpa e beijas-me como no nosso primeiro dia, o dia me que te pedi para tomar café.

A tua voz não pertence à terra, mas ao céu.
Tens vida dentro de ti!
Pedro Miguel Mota 29-12-2013 (Escrito às 23:09)

quarta-feira, outubro 15

A chuva lava-me...

Uma semana sem o teu sorriso é tão cruel como a faca abrir uma ferida na minha mão. Tenho a tua melancolia no meu olhar. Continuas a ter em ti uma vida estranha, uma vida que te dá alentos quando sorris com o desejo que a chuva pare de cair, que o sol volte a dar-te calor, que as nuvens se parem de formar e os relâmpagos que iluminam e serpenteiam os céus abrandem ou desapareçam com o seu horroroso som que te deixa tão aflita. E aflito fico eu quando passo semanas sem ouvir uma palavra tua, sem saber onde andas, sem saber o que sentes.


A chuva lava-me a mente e o coração. Fico vazio, fico apático e a tua ausência facilita ainda mais o estado melancólico em que fico.

segunda-feira, outubro 13

Verbalização de palavras...


Ela olhou-me com um desejo. Olhou-me com vontades. Olhou-me só, penso eu. Olhou-me e penetrou-me no corpo, tocou-me na alma, sugou-me a vida, roubou-me o sorriso e, no fim. Antes de ir embora ainda esboçou um sorriso.

Muito antes tínhamos estado a falar, não me lembro já bem do quê, não me quero lembrar já. Ela surria, mas não tanto como aquele olhar seguido de um sorriso tão brilhante. Não foi um sorriso de despedida, foi um sorriso de um até já. E permaneço assim estranho, com uma mão agarrada ao coração e a outra a bater com as pontas dos dedos na testa, com o desejo de tentar perceber que sentimento é este, que sentimento foi aquele e, onde irá tal situação dar. Agarrei-me ao que tinha no momento e falei, falei como se a conhecesse, como se fossemos amigos. Terei feito bem? Julgo que não, facilitou-me a verbalização de palavras, ajudou-me a impedir a balbuciação dessas mesmas palavras. Tinha ela o corpo virado para mim, e por vezes sacudia o cabelo e voltava-lhe a mexer de tempos em tempos como se lhe estorva-se a consciência, o pensamento.

Ela disse que gostava do meu olhar. Foi nesse momento que se levantou e foi embora, assim me lembrei do meu primeiro beijo. Estranho e excitante.

quarta-feira, outubro 8

O que não se vive...


Aos poucos a chuva pára e eventualmente o calor do sol terá capacidade de te aquecer o rosto. Os dias vão ficando mais compridos à medida que o outono deixa chegar o inverno. E no inverno é quando o coração te aquece mais sobe o peito. Aquece-te a alma, aconchega-te o coração, alivia-te os pesadelos e faz atormentar as más decisões. É a altura do ano em que olhas para a tua aliança e fazes uma introspecção sobre o que aconteceu durante todo o ano, não só pessoal como familiarmente. E aquela aliança, além de representar um sentimento, um momento, um amor, um afável gosto, é também o sinónimo de uma luta diária constante. Porque (e vou ser sincero) se não fosse essa aliança no dedo a relembrar-te do meu rosto, a relembrar-te da minha voz, das minhas mãos suaves a passar pelo teu rosto, dos meus lábios quentes a pousar sobre os teus que tão frios ficam nesta altura do ano, se não fosse essa aliança, certamente que haveria não só na tua cabeça, mas também na minha, um ser to desconforto, não que o anel signifique que pertencemos um ao outro, mas ajuda-nos a entender que, estamos ligados emocionalmente a alguém e certamente estará a pensar em nós nos momentos em que olha para a aliança.

O que não se vive com o coração não pode ser escrito na pedra.

terça-feira, outubro 7

Uma postura bonita...



Ajoelho-me diante de ti para que possas sentir de melhores maneiras aquilo que tenho para te dizer. Não espero que respondas de imediato, espero sim que entendas o que eu digo, e tentarei de alguma forma colocar palavra por palavra o pensamento, a ideia, o assunto delicado que tenho há muito para te contar, de maneira que ao ouvires o possas entender, colocando bem a voz, usando a maneira como se diz, e as palavras que se dizem, para que não hajam enganos ledos e cegos de alma.

Hoje é um dia especial, tanto para mim como para ti. É o dia em que escolhemos finalmente dar o nó na nossa relação, dar o nó na corda que usávamos para nos comunicarmos todos os dias. Hoje é um dia especial e gostaria de o ter eterno no coração, eterno na memória. Pude eu ter tido a oportunidade de namorar com outra rapariga que não tu, pude até ter dito que não à tua proposta de namoro e não estaria hoje aqui ajoelhado diante de ti, vestido assim destas maneiras e o poder olhar para esse sorriso tão lindo, tão brilhante, tão contagiante e carinhoso. Adoro a maneira como me tratas, não só a mim mas também ao que te rodeia. Não és perfeita e é certo que nunca espero muito de ti, porque todos temos os nossos dias, as nossas falhas, as nossas quedas, os nossos podres. E de alguma maneira tens conseguido manter uma postura bonita, sem muitos deslizes, sem muitos desvaneios de alma, sempre com peso e medida. Eu posso ser por vezes pouco preocupado, ou até desmotivado e intolerante em certas alturas, mas acredita que no fundo deste meu coração o que mais quero neste mundo e desde o momento que te conheci o nome e a voz, era poder dar-te tudo o que de bom tenho. Pensava desta maneira: Irei tratar-te como se fosses minha filha. Tirando a parte de que tu tens a tua vida, as tuas escolhas e eu só te daria a opinião se soubesse o que estava a dizer, ou na eventualidade de tu ma pedires.

O que me faz hoje ajoelhar diante de ti é o facto de que sempre conseguiste ser mulher, com ou sem defeitos, foste e és mulher, cheia de amor e carinho, sempre pronta a ajudar. Tens o sorriso mais bonito de todas as mulheres, excepto o da minha mãe. Tens a força de vontade capaz de me elevar quando estou em baixo. E adoro quando me ponho doente e me tratas com tanto amor, com tanto carinho, como se fosse o teu bem mais precioso. Há coisas que não te sei explicar, que não sei ainda como tas descrever. Talvez mais tarde quando a idade pesar no corpo, talvez aí eu saiba explicar o que me vai concretamente no coração. Até lá só posso agradecer todo o tempo que gastaste ao meu lado, todo o apoio, incentivo, todo o amor e humildade que desse corpo, que dessas mãos saíram.

sábado, outubro 4

Da corda que entre nós cortaste...


Soubesse eu que tu irias desistir de tudo o que o tempo construiu. Que te irias deixar derrotar assim à primeira oportunidade. Podes até chorar, podes gritar o quanto quiseres, eu já não estou ao teu lado para te calar o grito e colher essas lágrimas. Deves agora sofrer sozinha. Também eu sofro com a distancia que teimaste em criar. Com a distancia que deixaste que acontecesse entre ti e o sentimento que tinhas sobre mim, se é que alguma vez tiveste algum sentimento dentro de ti que fosse sobre mim.   Faz parecer que tudo o que me disseste aos ouvidos, tudo o que me fizeste sentir, na realidade era um engano, uma mentira, uma crueldade dada ao coração. Agora não passas de uma memória. De uma cruel memória que por breves minutos se torna num pesadelo.

O teu rosto continua a ser simpático, a tua orelha delicada, os teus olhos cheios de força, mas o teu coração virou pedra fria, tornaste-te algo que não previa.

Independentemente da corda que entre nós cortaste, continuas a ser mulher, continuas a ter um coração que precisa de ser amado e cuidado, tal como eu necessito de um certo conforto. Que encontres finalmente quem realmente te faça florescer de novo o sorriso no rosto.

sexta-feira, outubro 3

Tornas as coisas difíceis...



O Sorriso foi a primeira coisa que apreciei no teu rosto. Jovem, livre e espontâneo. Um sorriso controlado sem querer mostrar demasiado dele, sem que seja demasiado cobiçado. Deixas que o olhar fale por ti. Sinto-me estranho ao olhar-te, ao ver-te o olhar que por vezes se fica pela timidez, mesmo que o corpo mostre o contrário, que queres muito mais do que palavras, do que beijos nas bochechas do rosto. Tornas as coisas difíceis quando com esses olhos carregados de uma ternura jovem e sedutora me querem por inteiro, sem metades, sem medos e rodeios. Ganho um medo que me faz tremer o coração. Não é o beijar-te ou tocar-te suavemente pelo corpo, é o perder a voz, perder a força nas mãos, perder a força para respirar, para te dar a mão e viver.

Tens um espírito carinhoso dentro de ti, uma coisa estranha e rara ao mesmo tempo.

domingo, setembro 28

Tenho-te à minha janela...

De Wuthering Heights (2011)
Tenho-te à minha janela e estás tão bonita que não sei se devo sair ou convidar-te a entrar. A luz do candeeiro de rua ilumina-te os ombros, mas escurece-te o rosto. Sorris. Sei que o fazes porque te vejo um certo brilho nos olhos e esse brilho é difícil de disfarçar. Esta noite põem-se um delicado nevoeiro e uma charmosa melodia no ar. Cantas, não com palavras mas com pequenos sons saídos da tua garganta, como se embalasses a lua para que adormeça depressa. Queres que a noite passe devagar, queres agarrar-te ao meu braço e sorrir sobre o meu ombro, queres olhar-me nos olhos enquanto me fazes perguntas. Queres que te aqueça o coração com palavras pequeninas e preciosas, com beijos sobre a testa e outros sobre as costas das mãos. Queres ouvir-me falar porque gostas de ouvir os outros, dizes tu que é o teu pior defeito, ouvir os outros, ouvir e ouvir e raramente falar.

Tenho-te à minha janela de sorriso estampado no rosto, numa mão seguras o prático chapéu de chuva e a outra mão deixas-la dentro do bolso para que quando me segurares o pescoço para que o beijo seja doce e controlado eu não me queixe da mão fria.

Sinto que me encantas. que me corres nas veias como se fosses uma doença.

quarta-feira, setembro 24

Aquela coisa...


O silêncio é aquela coisa que te deixa apática de sentimentos. Sofres de tal maneira o frio que povoa a casa, o vazio e o silêncio que impestam o teu quarto, que chegas a chorar agarrada a almofada. O corpo fica-te frio e nesses momentos chegas a querer cometer loucuras ao teu corpo para aliviar os sentimentos estranhos que sofres na cabeça e no coração.

Tens complexos contigo própria e isso arruinou a relação que tinhas com ele, com o rapaz que sempre conseguia tirar de ti um sorriso, uma lágrima de felicidade, um gosto, um encanto que fazia a alma rejuvenescer. Nesse mar de emoções confusas e silenciosas, há um único som no mundo que te faz esquecer tudo o que te atormenta e esse som é o som da trovoada. Nos dias em que o céu se cobre de negro e as estradas de um azul escuro, o coração acalma, a respiração abranda e o teu rosto ganha um alivio, não sorris, mas quem olha para ti sente que estás bem.

O teu corpo encolhe com a solidão e quando alguém te sorri, ganhas um brilho nos olhos. E aquele sorriso é o sopro da vida a puxar por ti, a dizer-te de maneiras mais tenras: "Vá! Continua."

segunda-feira, setembro 22

A maneira como olhas...


Oh Inês, eu não sou ingénuo. Eu vejo bem a maneira como olhas para ele e não me olhas da mesma maneira. Deve ser amor e ambos sabemos que não é entre nós. Não, eu não quero ser adorado, não quero que me digas que fico bonito de azul para apenas disfarçares o gosto que tens de olhar para ele. Gosto quando falas para mim no escuro e dizes o meu nome.

Posso ficar em tua casa hoje à noite? Para poder sentir o teu corpo a desejar o meu.

E pela ultima vez, tira esse olhar triste do rosto, mesmo que isso te dê um ar carinhoso e delicado, prefiro ver-te de sorriso, sempre faz melhor a nós dois.

sábado, setembro 20

O vento frio...


O sorriso saiu-te do rosto com a mesma rapidez com que a tempestade se pôs. 
Não te preocupes que a trovoada já passa. A fonte de terror já passa. Concentra-te agora na televisão, esquece as nuvens escuras, os raios que iluminam os céus, as gotas de água que alagam os telhados, o vento frio que faz abanar as árvores. Vai aquecer chá e pôr pão a torrar, eu vou acender a lareira da sala e ligar o iMac para vermos um filme esta tarde. E se isso não for suficiente para te afastar o pensamento da terrível trovoada que decidiu estacionar aqui, iremos para a cama cobrirmos-nos com os cobertores.

Tenta não ligar ao que se passa lá fora e ela certamente que vendo-se ignorada se irá embora num abrir e fechar de olhos. Tão simples como dar um gole rápido na caneca de chá quente e uma trincadela nas torradas carregadas de tanta manteiga.

Sempre vestiste a camisola que te ofereci. Estás deslumbrante.

sexta-feira, setembro 19

Que uses com gosto...


Tenho um presente para ti. O tipo de presente que condiz com a estação do ano que se avizinha e com o tempo que veio para ficar até ao fim do ano. Mal posso esperar para que chegues a casa para que possas abrir a prenda que tenho para te oferecer. Foi comprada com carinho, foi comprada com a intenção de te ter sempre quente e calorosa, para afastar do corpo os males, as constipações, as febres e dores de cabeça. E mais ainda impedir que tenhas aquelas dias maus em que não te apetece colocar um pé à frente do outro.

Espero que uses com gosto. Acho que condiz com a tua personalidade. 

quarta-feira, setembro 17

Tenho saudades...


Tenho saudades dos dias de cumplicidade.

sábado, setembro 13

A tua mãe diz...

Diz a tua mãe que não sou digno do sorriso que surge no teu rosto. Diz ela também que não mereço todo o carinho, todo o tempo que tens dispensado comigo, que não sou aquele com quem deverás casar, que não devo ser o homem que partilhará o resto da vida contigo, o cuidar de um ou mais filhos, cuidar da casa e levantar-me todos os dias de manhã para ir trabalhar. Para ela eu não posso passar da linha que nos une por mais um pedaço do tempo. E quando lhe dizes que sou eu o homem que escolheste para chorar, gritar e ter filhos, ela diz-te zangada e de maneiras que toda a mulher conhece, de te colocar contra mim, ou pelo menos numa tentativa de te fazer perder a cabeça e de caíres na realidade. Mas na tua realidade eu estou ao teu lado, ela pode dizer que irás desiludir-te ao perceberes o tempo que perdeste supostamente comigo.

É uma pessoa adorável a tua mãe, quando coloca de lado toda a raiva, todas as infelicidades que a vida já lhe dera, e acredito que ela diga muitas das coisas só da boca para fora para nos chatear, mais a mim do que a ti. Ela ainda julga que casar com alguém rico irá fazer-te feliz. Vê-de o casamento quase arranjado da tua irmã, a vida que ele tem e a estranha vida que ela vai vivendo.

A tua mãe diz...

quarta-feira, setembro 10

Tenta...


Escondeste do mundo como se quisesses deixar de sentir o seu cheiro, deixar de sentir o desconforto que te causa no peito, a ansiedade que te causa a cada vez que te atiras às ruas com a vontade de viver. Tens medo de ser esquecida, medo de não ser correspondida, medo de não seres bonita suficiente para o rapaz que tanto desejas amar. Escondeste do mundo com o desejo que o tempo cuide de todas as cicatrizes que ganhaste com a vida e com isso te tornes na pessoa maravilhosa que julgas não ser. Porque fazes isso? 

Porque tens de ser tão fria quando te toco? Porque não aceitas o amor e a atenção de alguém que realmente se preocupa contigo? Sentes que precisas de ser forte sozinha sem ter de necessitar a ajuda de ninguém. É isso que eu vejo quando viras o rosto para o lado quando te tento confortar. Contudo o beijo suave sobre a testa permanece a coisa que mais gostas de receber, mesmo que teimes em bater-me no peito ou apertar-me os braços com força.

Conheces-me bem, sabes como sou.
Para mim nada mais importa quando te vejo desistir de lutar. Sentes o mundo a desabar sobre ti? Imagina como fica o meu quando vejo as lágrimas que se soltam sobre o rosto tornam-te ainda mais frágil, insegura. Olha bem para ti, liberta-te dessas mágoas, desses terrores que te assombram, dessas maldades que criaste dentro de ti, julgando que te tornariam mais forte, mais resistente ao olhar e ao trato do homem. Vê no que te tornaste. Estou aqui ao teu lado desde que decidiste ficar assim, distante das gentes, distante de mim, distante das nossas conversas tidas com uma bela caneca de café. Estamos perto um do outro fisicamente e apesar de tentar ter-te comigo desse modo e em jeito intelectual, achas que já mais te irei entender. Tenta.

Poderão os nossos corações ser amigos?

segunda-feira, setembro 8

Transformar as feridas em cicatrizes...

Foste a única. Foste a única que arriscou a dar-me a mão, a única que assumiu a relação de tantas outras, a única que teve a coragem em concorrer com os demónios que me queriam habitar o coração. Foste a única a ganhar tal batalha, foste a única que depois de cair, não desistiu e me voltou a dar a mão para me ajudar a aprender de novo a andar.

Há já tanto tempo que tinha perdido o jeito de caminhar, de falar, as boas maneiras de comer. Sentia-me tal e qual como o Monstro da Bela. Foste tu a Bela que entrou no coração com o intuito não só de ajudar, como de me amar como sou. Ficaste o tempo que quiseste, ficaste o tempo suficiente para me ver de novo erguer. Enquanto as outras não acreditavam em mim, foste tu a única que teve a ousadia de me beijar o rosto e dizer que ia ficar tudo bem, foste a única que me tocou o coração sem uma única palavra, sem um único beijo, apenas e simplesmente a tua suavis vox.

É tudo uma questão de transformar as feridas em cicatrizes. E fazes das cicatrizes momentos de alegria únicos.

domingo, setembro 7

O facto de te ver partir...


Provavelmente não será tanto o facto de te ver partir, mas mais o de me ter de ir embora, deixando-te para trás com um sorriso estranho e um olhar de confusão. Posso ver-te duas ou três vezes por dia, e a conversa não passar do "olá, tudo bem", mas fico satisfeito que já exista a interacção de duas ou três palavras. É bom sinal. Julgo eu que o seja, ou não fosse eu gostar da voz e do suave sorriso que fazes surgir de maneiras tão subtis na tua face.

Talvez já não saiba falar com uma rapariga. Talvez na minha cabeça haja outras coisas mais importantes do que sexo, lábios e rabos. Talvez sejam as palavras a tomar conta de mim, os livros e as suas letras. Terei eu perdido o jeito?

quinta-feira, setembro 4

Amo-te


Amo-te a ti e às sestas de fim-de-semana.

Não é difícil...

Não é difícil amar alguém. É difícil amar algo que não existe, algo que já existe na ideia do pensamento. Digo difícil de amar no sentido físico, porque psicologicamente amamos mais o que criamos na cabeça do que as coisas que nela colocamos ou deixamos colocar pelos outros. E é estranho falar ti, pois quando falo de ti imagino vários rostos, vários corpos, várias cores para os teus olhos, várias personalidades, várias coisas sobre ti, apesar de que a única coisa que não muda é o nome que te dou, continua sempre o mesmo.Eu entendo porque o faço e mesmo que fosses tu verdadeira, fosses tu realmente genuína como me és em pensamento, eu todos os dias vinha a este canto deixar pedaços de mim em jeito de palavras para que mais tarde pudéssemos ler as coisas boas pelo quais passámos, sem tirar as coisas más que nos ficaram na memória.

Olho pelo quarto e vejo-te a ti erguida de pé e sinto coisas tão boas que não sei como te as devo explicar.

domingo, agosto 31

Estranho as maneiras carinhosas...


Estranho as maneiras carinhosas como o teu corpo se chega ao meu e de como os teus braços envolvem o meu tronco na esperança de me aquecer o peito que vai ficando frio. Ele fica frio com a tua ausência, talvez seja por isso que estranho mais o teu corpo junto ao meu do que a cama vazia nos dias em que não estás, ou quando a noite me chama para trabalhar e não posso fazer companhia ao teu calor, à tua alma, ao teu amor.

Por vezes quando te enroscas em mim, quando te aninhas sobre o meu peito encostando a orelha ao meu corpo para sentires o meu coração, sentes de uma maneira ou de outra a calma que te trago, talvez tenha sido por isso que te aproximaste tanto de mim e quando me levanto para ir ao quarto de banho me puxas de novo para a cama, para te confortar, para te preencher o coração com delicadas canções, com deliciosas pequenas histórias inventas para te ver sorrir.


O meu coração é tão delicado como a natureza de um girassol. Quando não há sol deprime, quando há sol enche o peito de forças. Quando não estás sofro de saudades, quando estás ao meu lado volto a sentir de novo a vida a bater-me no peito.

sexta-feira, agosto 22

Menos enraivecido...

Fervilha na minha mente a ideia de te ter nos meus braços. Tenho formigueiros nas pontas dos dedos quando abraço a almofada durante a noite julgando que és tu, que é o teu corpo que agarro, que é o teu rosto que vejo que são os teus lábios que beijo. Mas na realidade não passas de uma simples almofada. Estico-me sobre a cama na esperança de ouvir um resmungar indelicado pronunciado com uma voz feminina, mas outra vez, não ouço, não sinto.

O teu perfume ainda reside no quarto-de-banho. Será que ainda me visitas? Será que surges durante a noite para espalhar o perfume suave, tão delicado e aconchegante que faz sentir menos saudoso do teu pescoço, menos enraivecido com as palavras saídas da tua boca?

Sou cheio de pecados. E há algo dentro de mim não consegue apagar os teu silenciosos sorrisos das minhas memórias, do sabor que os teus lábios continham, da força bruta de mulher que os teus braços e mãos erguiam contra o meu corpo quando te apertava em abraços.

Ó menina de olhos verdes...

domingo, agosto 17

Eu criei-te...

Eu criei-te, pedaço a pedaço, detalhe a detalhe. Construí-te à minha imagem, perfeitíssima. Cada vez que vejo o teu rosto asseguro-te de que não me arrependo de nada, então porque haverias tu? Não há nada em ti que não adore, que não seja capaz de dizer que estou orgulhoso com a mulher que tenho todos os dias diante de mim, de esbelto sorriso. 


Agarra-te a mim quando achares que estás a afundar-te. Corre até mim quando julgares que não consegues andar mais. Meu doce, chora no meu peito quando a vida for injusta para ti. Percorre o meu rosto com as tuas mãos, procura as imperfeições e beija-as com carinho e eu tratar-te-ei das feridas que o coração não deixa cicatrizar.

É a tua voz a coisa mais doce que prefiro ouvir todos os dias sobre os meus ouvidos. Essa voz, esse instrumento tão ternurento, tão carinhoso, doce e delicado, tal como as mãos que tens, tal como a alma que dentro de ti se acanha quando me beija, quando me toca e me deseja. Olha para mim quando não conseguires ver o mundo com clareza. Não tenhas medo quando me sentires por perto. Meu amor, fica calma e percebe que estou junto a ti. Eu já mais tirei os meus olhos de ti. Eu seguro a tua mão em todas as situações que passares. Nunca estarás sozinha. Carregar-te-ei por todos os altos e baixo, por todas as coisas em que precises de alguém para te apoiar, para te ouvir, de te apertar com mais força quando precisares de um abraço que te faça sentir viva, calma, segura e que te acalme as batidas de coração. Quando houver dias em que sentires que o mundo desaba sobre os teus ombros recordar-te de que estou sempre a teu lado.


Vem cair sobre os meus braços para que te possa de novo seduzir. Rende a tua mão sobre o meu peito, falece gentilmente esses lábios sobre os meus e deixa que o tempo os faça despegarem-se. Por vezes tornas-te um labirinto quando não queres ouvir as outras pessoas, em dias de choro, de maldade sobre esse coração. A maldade que as gentes e o mundo teimam em depositar sobre ele, sobre ti.

Quando em pequena caiaste de joelhos sobre o chão, soltaste lágrimas de dor, de sofrimento, e foste de maneiras tão delicadas agarrar-te aos joelhos, chorando. Foi nesse momento que deuses e anjos choraram pela primeira vez, e foi por ti.

quarta-feira, agosto 13

Já alguma vez pensaste...

Já alguma vez pensaste que chegarias a ver o mundo das maneiras que o vês? Que a visão que temos do mundo mudaria ao longo dos tempos e que o amor iria ajudar a maneira como nos vemos a nós próprios, como vemos e nos damos com os outros. E que o acharmos a vida adulta a coisa mais simples de todas, se tornaria na mais complexa, mais desgastante e desonesta que há?

Alguma vez pensaste que te tornarias na pessoa que és hoje, que chegarias a amar quem já amaste, que irias chorar por pessoas que te chegaram a tocar de maneiras tão complexas que te deixavam com um nó na garganta impedindo-te de falar e outro nos pulmões que te impediam de respirar.

O mundo pode ser estranho e por vezes confuso, mas tenho a certeza de que quando juntamos as mãos, o que era complexo se torna simples e fácil. Teremos também de ter a certeza e o cuidado a quem damos a mão, pois a pessoa a quem a damos terá de ter tanta confiança em nós como nós nele. Terá essa pessoa de nos proteger dos males do mundo e nós a ela. 


Entendes o que te quero dizer?
Que te dou a mão porque tenho confiança em ti.

domingo, agosto 10

Somos dois tolos...

Fecha os olhos meu amor. Deixa que te prove de novo os lábios para saber de que são feitos, a que sabem eles, a que devo eu a honesta e a maravilhosa oportunidade de saborear tais instrumentos de carinho. Num dia falamos de amor, no outro vivemos o ardor que nos consome o coração, que nos arrebita o corpo, que nos coloca de mãos a suar em bica, ou quando se ganha uma incerta comichão na cabeça, ou mesmo até em dias de frio em que os corpos se junto e dele nascem as maiores cumplicidades entre dois corpos, entre duas almas, entre duas pessoas que até então só falavam do amor que sentiam um pelo outro.

Colocamos as mãos nos bolsos um do outro na tentativa de dar o melhor de nós. Unimo-nos um ao outro com outra tentativa de fazer o nosso amor continuar a viver muito depois de termos morrido, ou caso queiras perceber melhor do que te falo, unimos os nossos corpos na tentativa de adiar a morte, de nos fazer sentir com a vida que nos foge pela ponta dos dedos, que nos foge do corpo sem nos dizer, sem nos perguntar, sem avisar.

Diz-me de que maneira preferes ser abraçada.
Diz-me de que maneira é que os meus beijos te fazem sentir especial.
Diz-me de que jeitos preferes o meu corpo.

Somos dois tolos quando se trata de falar de amor.

quinta-feira, julho 31

Deve ela ser humilde...


Deve ela ser humilde.

Sim! Humilde e com um grande coração. Que não tenha medo de sorrir, que não tenha medo de falhar, de se levantar sozinha ou pedir ajuda. Que seja orgulhosa mas que saiba dar o braço a torcer. Que seja corajosa o suficiente para pegar na vida pela mão ou quando esta lhe falhar, que lhe pegue pelos cornos. Que saiba dar valor às pequenas coisas e saiba dar e receber, principalmente dar e que não tenha medo de dar e partilhar. Que seja ela honesta, que seja ela sincera, que seja ela mulher com os seus defeitos e sabia assumir os seus erros, sem medos, sem vergonhas. Saiba ser mulher com responsabilidade, com maturidade. Que seja mãe, que seja mulher acima de todas as coisas e saiba usar as palavras para conseguir ganhar. Não ganhar de se tornar orgulhosa ou digna de algo, mas que saiba usar as palavras para mostrar (quando certa) que as coisas são "estas" e "não aquelas". Que não julgue ou aponte o dedo aos erros dos outros. Saiba dar a volta e mostrar a sua visão, o seu ponto de vista.

Tenha ou não dinheiro. E se tiver que seja humilde e que não se vanglorie-se que o tem, que tem poder, que tem isto ou tem aquilo. Saiba ela dar o valor às pequenas coisas que não se compram com dinheiro e sim aquelas que se adquirem com um sorriso, ou o simples obrigado. Seja capaz de valorizar cada gesto de carinho, de atenção, de compaixão, de amor e ternura. Seja ela sensível aos problemas dos outros e educada, mas que não torne a vida dos outros a sua. Seja ela firme na postura e na voz quando tal for necessário. Seja rainha ou princesa, mas não tenha medo ou vergonha de lavar casas-de-banho, que não tenha medo ou vergonha de meter as mãos na terra, que não tenha nojo quando limpar o rabo ao filho. Seja ela princesa ou rainha mas saiba como é viver como a gente pobre do povo e lhes dê valor. Que tenha coragem para continuar. E no dia em que se preocupar se é ou não uma boa mãe, que coloque os olhos na mãe dela e pense nas coisas boas e más que a fizeram tornar-se na mulher que é hoje e que isso sirva de exemplo. As boas atitudes prevalecem sempre. Deve ela ser humana!

O orgulho exagerado faz a alma horrorosa.

domingo, julho 27

Enquanto fores uma ilusão...

Era já altura de me dizeres onde foste desencantar esse sorriso. Em que lugar estranho e imundo foste tu recuperar a leveza do teu olhar. Em que melodia foste buscar o alegre canto, o leve timbre e essa tão doce voz. Até onde foste capaz de ir para conquistar esse angélico rosto, esse corpo feminino de formosas formas. Conta-me o teu segredo...

Sempre vi em ti um olhar tão digno e nobre, tão forte e cheio de vida que poderia jurar que as palavras que em tempos Homero escreveu se possam hoje aplicar a ti. «não parecia filha dum mortal, mas sim dum Deus».

Talvez enquanto fores uma ilusão, uma simples ideia do que não tenho em mim, do que gostava de poder tocar fora do que sou, fora deste corpo. Poder tocar um corpo que não o meu. O de conseguir sentir outras mãos sobre o meu rosto que não as minhas. Outras lágrimas sobre o peito que não as que me magoam quando as solto. Que as dores no peito sejam causadas pelas saudades de alguém e, a tristeza que me invade a alma e me faz tremer como se fosse um velho fossem causadas por algum beijo amargo sobre os meus lábios.

sábado, julho 26

Sobre o olhar atento...

Sobre o olhar atento das trinta e duas pessoas que sentadas nas suas cadeiras ansiosamente esperavam pela cerimónia, atravessas-te tu à frente do meu olhar, radiante, saída de uma preta limousine, acompanhada do teu pai que fez questão de te abrir a porta e estender a mão, cumprimentando-te como um verdadeiro cavalheiro. Pude ver a lágrima a rolar-te pelo rosto, mesmo que tentasses não chorar por causa do momento, por causa das fotografias que viriam a seguir, soltaste uma lágrima e o teu pai amparou-te no seu ombro quando o abraças-te, quando o apertaste contra ti como se fosse a ultima vez que visses o sorriso extraordinário do teu pai.

Seguraste-o pelo braço, ou terá sido ele a fazer isso? Foi ele quem tomou as rédeas naquele momento. Estavas a tremer e ele acalmou-te beijando-te a têmpora direita, também ele tremendo. Mas tremia por ver a sua filha casar. Caminharam lentamente pelo corredor entapetado de vermelho e esticando o meu braço recebi-te. Chorei ao sorrir-te, ao ter-te diante de mim, tão bela, tão radiante e perfeita, com esse sorriso branco, com esses olhos verdes, com esse carinho no rosto e esse amor suave pela ponta dos dedos.

Sim! Choraste tu.
Sim! Sorri-te eu.


Duas árvores. Foi nisso que nos tornámos nesse dia.

terça-feira, julho 22

Longe das minhas mãos...


Custa-me tanto ter-te longe das minhas mãos, dos meus braços, do meu peito, dos meus olhos, dos meus lábios. Por muito que tente imaginar-te ao meu lado é-me tão difícil reviver o teu cheiro no meu nariz, ouvir as tuas palavras carinhosas e motivadoras à porta dos meus ouvidos. Enterro-me completamente nos lençóis e cobertores enquanto me deito na cama, ou no sofá onde, passo algumas horas solitário, sozinho sem a tua presença, sem o teu braço a pedir-me conforto e um pedaço de calor. 

Tento esquecer-te. Não, calma! Eu não te tento esquecer, quero dizer, tento ver-me livre dos pensamentos que me fazem nós no coração, como quando me tento lembrar do teu perfume, ou do tom da tua voz, ou ainda ao que sabiam os teus lábios, eu tento esquecer-me disso, porque já não me recordo de como era quando estavas comigo e por isso, tento esquecer.

Tenho apertos na garganta quando à memória me surgem as tuas palavras já com o teu tom de voz meio enferrujado de esquecimento: - Dorme bem, boa noite. - e me davas um beijo curto sobre os lábios, segurando-me a cabeça gentilmente.

Mais me custa ainda quando em certos dias a minha cabeça me prega partidas, - das boas - e me faz sentir-te cá e com isso corro um bocado depois de sair do trabalho até à florista mais próxima e ao mini-mercado para comprar chocolates para tos dar. Quando chego a casa e me deparo com o silêncio causado pela ausência do teu ser, acabo por colocar as flores na jarra junto à porta trocando-as pelas mortas que lá estão e os chocolates, acabo por abrir uma garrafa de vodka para ajudar a engolir tais afrodisíacos que me empanturram a garganta.

Se soubesses como é estranho escrever-te sem te conhecer... Torna-te real! Torna-te!

terça-feira, julho 15

Serei eu digno...


Quando tu não estás aqui só eu sei a falta que me fazes, a saudade que em mim despertas, a dor… A dor que me causas no peito ao largares a minha mão, a dor que me causas nos nós dos dedos, porque eu debato-me com o silêncio causado pela tua ausência. Debato-me contra paredes, contra as madeiras que se transformaram em armários e portas. Transformaram-se em tudo o que nos é tão útil tal como tu me encantaste a vida. Tu que com esse sorriso tão delicado, com esse brilho nos olhos sempre me conseguiste acalmar. 

Envolve com os teus braços o meu corpo tenso. Beija com esse carinho que trazes nos lábios as feridas que fiz sacrificar sobre o meu corpo com o sentimento de desespero por te perder para sempre. Em forma de gente ou de luz, traz esses lábios para junto daquilo que mais precisa de ser beijado. O coração! Sim porque o coração também se partiu quando decidiste deixar-me ou terei sido eu quem te abandonou todo este tempo? Terei sido eu quem te mandou embora? Segreda-me aos ouvidos o pecado que cometi. Ajuda-me a libertar de toda esta dor.

Diz-me!
Serei eu digno de pisar a terra seca e rasgada do inferno?
Ou será antes o chão macio do paraíso?

sexta-feira, julho 11

Te magoar o rosto...


Há dias em que nada mais são do que apenas dias comuns. Dias em que tudo se envolve em rotina e por vezes quando me liberto da rotina e parto para longe da terra que me viu crescer dá-se o caso de dar de caras com gente que nunca vi, com feitios diferentes do meu, diferentes das gentes da minha terra e por vezes nesses momentos soltam-se sorrisos, gargalhadas, apertos de mãos, cumprimentos rápidos ou longos, sempre com um sorriso sobre os lábios, ou estampada no rosto. Gostava tanto de partilhar os meus dias, de partilhar o sorriso, a alegria, a leveza que a alma ganha. Partilhar as saudades de casa, de abraçar o corpo, de beijar a forma única dos seus lábios. Mas só posso imaginar e não ligar ao que a vida me rouba todos os dias. Enquanto eu conseguir ver um sorriso nos seus rostos, ou imaginar-lhes um, estarei bem. Mesmo que a figura feminina me falte sobre os ombros, sobre o coração tempestuoso, estarei bem, despreocupado vivendo cada dia com um novo raiar de sol.

Havia nela uma delicadeza. Os seus olhos eram algo que nunca tinha visto, o rosto era tão delicado, tão belo e silencioso. Transmitiu-me uma paz estranha, uma calma que pude sentir com suavidade a esbarrar contra o meu corpo. O seu sorriso era caloroso, confiante; Confortante devo eu dizer. Voz suave e bem colocada. Corpo atlético e bem tratado. Quem és? Como te chamas? Tu de perna traçada debruçada sobre um livro, tendo como destino, Coimbra. Não fungues, assoa-te. :)

Se a lágrima te magoar o rosto, lembra-te de a magoar também!

quarta-feira, julho 9

Fui comprada...

Acorda sua preguiçosa duma-figa. Hoje é dia de treino, é dia de correr dez quilómetros. Deixa-te de fitas meu amor, levanta mas é esse cu gordo da cama e vamos correr que já se faz tarde. Depois dizes que estás gorda. Levanta o cu da cama e vem comigo. Ainda te compro qualquer coisa. "-Tu e as tuas negociações!" dizes-me tu com esse olhar revirado com o sentimento de que "fui comprada". Já não há nada a fazer. Ou vens correr comigo ou ficas em casa a tomar conta das paredes. Escolhe. Ou cu gordo entre quatro paredes ou corpo magro por porta curta.

Tu não gostas de suar no sexo? De que estás à espera? Bora resmungo-na!

- "Tu falas para mim com palavras, eu olho para ti com sentimentos." - Dizes-me tu.

sábado, julho 5

Foi esse sorriso...

A cama está ocupada com dois corpos e eu dou comigo a olhar para o tecto a pensar em tudo o que já vivemos, em tudo o que já passamos, em tudo o que já te fiz sofrer e em todas as coisas maravilhosas que te fiz sentir. Lembro-me de todas as palavras de conforto que tu sempre foste capaz de dar. Ouço subitamente o meu coração bater com força. Olho-te vislumbrando um sorrido delicado, mas não é o mesmo sorriso que vi no primeiro dia que te deitaste comigo, é outro, completamente diferente. Levanto-me ao de-leve, visto-me com toda a rapidez que posso e desço as escadas do apartamento levando no pensamento esse sorriso delicado.


Descendo as escadas penso para mim próprio sobre como poderei eu voltar atrás? Recuar mais do que três anos. Apenas três anos para aquele dia antes de te ter conhecido. Certamente que eu nunca te teria dito "Olá"! Ter-te-ia deixado ir, porque tu mereces tanto mais do que tudo isto. Tanto mais do que um simples sorriso no rosto, tanto mais do que um falso conforto sobre o corpo. Não, meu amor, a culpa não é tua, é minha porque eu vejo nesse teu delicado rosto, que mereces muito mais do que isto, mereces muito mais do que tudo aquilo que te dou todos os dias. Mereces o calor das estrelas e não o frio da lua que olha sobre nós através da nossa janela.

Entro na loja ao fundo da rua, e saio com um saco nas mãos, correndo o mais que posso para que chegue antes do momento de acordares sem mim. No pensamento trago de novo a ideia de nunca te ter dito olá. Sim eu nunca te teria dito olá! Chego a casa com um sorriso estranho no rosto. Sobre o meu lado da cama deito o saco. O saco que na verdade é um ramo de flores.

Viraste para me abraçar. Mas a única coisa que abraçaste foi o ramo de flores. Acordas com os olhos ainda carregados de sono e olhas-as com questões. Vês-me e sorris, esfregas o olho direito e sorris intensamente. Nesse momento o que me ia na cabeça era se tinha escolhido as flores certas. Parece que sim. Sim! É esse o sorriso que ansiava ver esta manhã no teu rosto.

Foi esse sorriso que se manteve todo o dia.

sexta-feira, julho 4

Espero que gostes...

 
Colocando o meu nariz sobre a tua nuca é possível quase saborear o cheiro, o intenso aroma que a tua pele liberta depois de te dar as mãos, depois de cada beijo sobre esses sedosos lábios, ou sobre a delicada e confortante testa. Espero que gostes do novo cheiro que comprei para ti, não com a ideia de alterar o maravilhoso que ostentas naturalmente no corpo, as para aclamar com ainda mais intensidade a beleza do cheiro que carregas contigo nesse corpo belo e altivo.
 
Adorei o aroma assim que o cheirei nas costas da minha mão. Lembrei-me logo daquele sabonete que costumas usar para lavar o corpo, usando-o como gel de banho. Quando a tua pele se torna suave, macia e sedosa e lhe chego o nariz quase que à memória me vem o aroma do dia em que te beijei pela primeira vez. Aquele momento em que o teu cheiro natural se entranhou na minha memória, gravando para sempre o cheiro do teu corpo nos meus neurónios.

Espero que gostes do perfume.

segunda-feira, junho 30

Faltou pouco...

O dia urge com o seu frio a tirar-nos da cama. O mesmo frio que nos junto aos dois na cama. O mesmo frio que nos fez encontrar um ao outro no acaso do dia. O frio que te fez arrepiar e dar pele-de-galinha.

O teu inglês faz-me corar. O meu inglês faz-te rir. é estranho escrever-te. Falta já pouco para me ir embora.

domingo, junho 29

Até que o meu coração decida...

 
A casa já não tem a mesma alegria desde que te foste embora. Julguei que esse sorriso significava algo entre nós e afinal significava algo entre outro. Como pude eu pensar que esse sorriso seria por minha causa? A cama à noite fica fria e o meu corpo arrepia-se por cada vez que penso nesse teu olhar, por cada vez que relembro a tua voz a dizer o meu nome. Gostava tanto de ser eu a ter-te nos braços. Fui tão burro pensar que esse sorriso carinho, esse brilho nos olhos seria em tudo culpa por minha causa e não o foi.

A porta está aberta. Pelo menos até ao dia em que o coração decida fechá-la..

segunda-feira, junho 23

Este beijo suave...


Sobre o céu estrelado a companhia não podia ser mais gloriosa. Tu! Tu que com tanto carinho o peito me enches, com tanto amor me acalmas os nervos, com um beijo me fazes sentir de novo o ar com o seu doce e delicado sabor salgado. Ao mesmo tempo que me dás tanto e me pedes tão pouco e sendo eu igual, fico quase sem jeito, sem modos, sem palavras, sem falas, sem conversas, sem olhares. Sem nada por onde possa dizer: - Nem um beijo me dás!

Esses teus braços tão finos e suaves, tão cheios de bochecha muscular encantam-me o espírito, alegram-me a alma, enchem-me de força. Esses mesmos braços com que me abraças apertadamente, com força, com vinco e sem qualquer medo. Queres que te sinta, que sinta todo o teu amor bem junto do teu corpo, bem junto de ti. Enquanto sorris para mim e me apertas contra esse teu belíssimo corpo eu vou pensando: - Que sorte que tenho de tu me teres dado a mão.

E como tu és uma mulher que por vezes também tem as suas necessidades de menina-princesa, são os meus braços à tua volta e o peito encostado ao teu ouvido que permanece a maior parte do tempo. Dizes tu com esse carinhoso tom de voz: - Preciso de mimo, Pedro!

Este beijo suave que te deixo sobre a testa quente, não é de despedida, meu amor, é antes uma das minhas maneiras de te mostrar que me preocupo contigo. Que também choro por não conseguir ouvir as palavras deliciosas que o meu coração tanto te quer dizer.

Quantas vezes terei eu de te beijar?
Quantas vezes terei de me declarar?
Quantas vezes terei de dizer?: - Foi o teu sorriso que me despertou o interesse em ti.

sexta-feira, junho 20

Estarás cá...

Estarás cá quando eu voltar? Estarás decidida a acolher-me no teu peito protegendo-me com os teus braços? Estarás pronta quando eu chegar, quando eu voltar?

Eu sei que terei de largar a mão de muita coisa ao longo da vida, mas não quero fazê-lo contigo. A distância pode até ser grande, posso chegar a chorar do outro lado do telefone, quero que fiques a saber que gosto bastante de ti, que é o teu amor que me faz sentir o peito cheio de amor, é o teu coração que me embala nas noites frias, é o teu sorriso que me refresca nos dias de verão, é o teu beijo que me faz querer arriscar.


Estarás cá quando eu voltar?
Quando eu voltar prometo que estarei pronto para ti. Que terei um novo sorriso no rosto e um carinho especial nas mãos para cada toque que fizer em ti, no teu corpo, no teu rosto.


Dizer adeus é demasiado triste, digo-te antes até já que fica bem melhor e mais alegre.

quinta-feira, junho 19

Nos meus olhos...


Já pensaste como consegues agredir num bom sentido a alma de qualquer um que tem a maravilhosa, a extraordinária possibilidade de vislumbrar esse radiante sorriso? Esse tão delicado, tão silencioso sorriso que fazes questão de ser a tua arma e moeda de troca em todas as situações. Para não falar da beleza desse teu rosto tão suave, tão de anjo, tão perfeito, com as suas irregularidades. Esse colo, esse peito tão caloroso, as mãos tão suaves como seda. Quando coras sinto que te toquei no ponto certo para de ti roubar mais um sorriso, mais um pedacinho de ti, não um beijo, não um abraço, mas algo que não consigo explicar. Adoro ouvir a tua voz do outro lado do telefone, adoro a maneira carinhosa como olhas para mim, adoro. Adoro sentir a tua presença diante de mim.

Consegues ver nos meus olhos o quanto me fizeste deixar a concha e simplesmente falar? Neste momento para te ser sincero acho que olhar para uma fotografia tua em que sorris foi o que me tirou todas as preocupações da cabeça, não sei se é mau, não sei se é bom, sei apenas que me aliviou.

"Há definitivamente algo em ti que me faz querer mais."

domingo, junho 15

A noite está a nu e cru...


O corpo treme. A boca seca. As mãos transpiram. As pernas perdem a força e a voz fica escondida na garganta. As palavras saem tortas. Os pulmões trabalham a todo o gás. Sinto na planta dos pés a erva do jardim, sinto o frio da chuva a penetrar-me na pele. Sobre a cabeça o cabelo molhado deixa-me a cabeça gelada. Os ombros a descobertos fazem-me sentir o frio da noite. As estrelas só me aquecem o coração, só me aquecem o peito quando as olho. 

Deito-me sobre a relva molhada a fim de puder sentir o mundo com mais intensidade. Sobre a barriga, do lado esquerdo, está a tua cabeça, ouvindo o bater do coração e o turbilhão infernal do meu estômago. Respiras profundamente tocando-me com uma certa delicadeza na barriga da perna. Beijas-me o umbigo e sorris com o maior e mais bonito suspiro. 

A noite está a nu e cru. Os corpos juntam-se. O calor das estrelas dissipasse à medida que os lábios se juntam, os corpos se unem, os dedos das mãos se entrelaçam e as almas se fundem uma na outra, libertando uma explosão de sentimentos sobre todos os sentidos dos nossos corpos.

A noite está a nu e cru, tal como nós.

sexta-feira, junho 13

Não podemos continuar...


Por vezes sinto que não faço parte da tua vida, como se houvesse uma espada que cortasse tudo o que nos possa chegar a unir. Agora que tenho a coragem para te dizer aquilo que sinto em relação a ti, é quando tu decides desaparecer. Decides ir embora levando contigo esse sorriso, esse corpo, essa beldade, esse carinho. Decides ir embora. Levas contigo a coragem que ganhei nestes últimos quinze dias. Agora não sei se deva dizer aquilo que sinto por ti ou se escondo tudo.

Não podemos continuar a andar em círculos. Eu digo-te o que sinto e engulo o "não", ou digo-te deixando-te ir. Perdendo-te mais uma vez. Desde o dia que te reencontrei foste a rapariga que me deu a força para me erguer da cama todos os dias, sorrindo sem medo, chorando sem vergonha, transformando-me melhor a cada dia. Fico contente por saber que nunca foste nenhuma miragem.

"Parece que quando tu queres alguém, esse alguém não te quer. E quando alguém te quer, tu não queres esse alguém. Mas quando ambos se querem, é quando vem alguma coisa de lado nenhum estragar tudo."

quarta-feira, junho 11

Como abraçar o teu coração....


As mãos mostram-se delicadas nas palmas e grosseiras nas costas. As veias povoam-tas sem dó ou qualquer sinal de misericórdia. Mostram a força e a dureza, a destreza e a brutalidade que a alma e a vida ajudaram a fazer delas o que são hoje, a fazer delas o que se vê quando andas com as mãos fora dos bolsos. A tua palma da mão é suave porque assim fazes para as ter. Dizes que o bebé deve sempre sentir a harmonia a cada toque intimo, seja no banho ou na muda de fralda. 

As costas direitas e ágeis, os braços finos mas carregados de força necessária para me abraçar, ou para suportar o peso da filha quando se carrega ao colo. O cabelo anda sempre apanhado, dizes que é mais fácil, retirando-te a constante preocupação de o colocares preso atrás das orelhas. Quando nãos estás a trabalhar, largas os vestidos, as camisas, os brincos, os anéis e os colares para te vestires de fato de treino e sapatilhas desportivas, tendo constantemente o cabelo amarrado. Até quando chegamos a sair de casa, vestes-te sempre de tons alegres, como o laranja, o vermelho, o verde, o amarelo, o cor-de-rosa. Não gostas do preto porque te faz lembrar o dia em que a tua mãe se vestiu completamente de tal cor porque o teu pai faleceu de cancro, não gostas do castanho porque te faz lembrar o podre da terra, não gostas do cinzento porque detestas os dias de chuva intensa.

A simplicidade está-te na alma, a força nos braços e o carinho no peito. Cada gesto, cada fala, cada beijo sobre a testa, cada aperto no teu peito, cada colo que dás à pequena "Inês" é um motivo para que ela, todos os dias sorria. Ela sorri porque aprendeu contigo, porque preferes o sorriso ao choro. Eu fico perdido pelos livros que se vão completando sobre a mesa de escrita, dizes sempre que adoras o que escrevo, dizes sempre para não os deixar incompletos, bem eu te ouço meu amor, mas por vezes o ser pai também tira bastante da alma de cada um. Mas tu. Tu parece que tens uma constante bateria agarrada a ti, sempre cheia de vida e energia.

O sorriso estampado no rosto surge todos os dias e permanece nele até que os teus olhos se fechem e o teu corpo lentamente repouse na cama, junto a mim, depois de leres mais um livro no meio de tantos que tens amontoados junto à tua mesinha de cabeceira, alguns oferecidos por amigos e outros tantos por mim, mas a maioria sem dúvida que foste tu que os compraste só para ler, porque devoras as letras com uma rapidez hábil, dizes que é como respirar o próprio ar que te mantém viva. A tua alma sossega agora sobre a almofada, o sorriso mantém-se, mas muito subtil pela noite dentro.

Beijar-te é como fazer amor com o teu corpo.
Beijar-te é como abraçar o teu coração.

Podias ser real. Por enquanto não o és.
E eu não me importo que sejas apenas um pedaço da minha imaginação. Sabe-me bem escrever-te!

Diz-lhe que me vais chamar...


Se pelo menos tu fosses capaz de ver o que vejo, pudesses sentir o que eu sinto quando olho para ti, ou, quando te chego a tocar no braço, no rabo, no rosto, nos lábios. Se pudesses sentir o mesmo que eu, farias tal e qual como eu? Tal e qual como eu estou a fazer agora? Que sinto uma palpitação no coração? Que as dores que surgem no meu corpo desaparecem quando a tua mão assenta sobre o meu rosto, sobre o meu peito quase como se me pedisses colo ou um sitio sossegado para nele deitares o teu corpo que treme, não por medo, mas porque te dói a alma, porque te sentes cansada da vida, porque me dizes às vezes quando nos sentamos para um café, que dói-te a alma por causa das exigências que ela faz sobre a tua vida.

Respira fundo quando o demónio te quiser atacar.
Respira fundo e diz-lhe que me vais chamar se ele tentar alguma coisa.