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quarta-feira, julho 1

Foram feitas por ti...

As feridas que vês espalhadas por todo o meu corpo foram feitas pelas coisas estranhas que sentia sobre ti. Foi cada toque, cada olhar, cada palavra dita e não dita. Cada molhar de lábio, cada desejo, cada pensamento puro e impuro. Foi tudo o que te disse e não disse. Todos os medos, pesadelos e sonhos. Foram todos os beijos dados e os que nunca tive oportunidade de te dar. Foram as mãos dadas e os berros que te desferi sobre o peito. Foram os maus olhados, as ternuras, as emoções, as paixões que me fizeste sentir, foi o amor que sempre me deste, do amor que sempre te dei. Da crueldade do mundo sobre nós, do sopro rápido da vida, das confusões, das metas que nunca cruzamos juntos, dos choros silenciosos e das lágrimas que nunca cheguei a secar.

Estas feridas meu amor foram feitas porque te amava, foram feitas por ti. Foram feitas com carinho, com ódio, com alegria e tristeza. Foram feitas com as minhas lágrimas, com o suor dos nossos corpos, com as palavras cruas e verdadeiras, com os beijos doces e carinhosos. Por mais raiva que pudesse sentir em alguns momentos eu olhava de novo para ti, respirava fundo e pedia desculpa, pegava-te pela mão, abraçava-te, beijava-te a boca, o rosto, a testa, sempre com carinho, sempre com uma lágrima a pintar-me o rosto. Eras tu que me atormentavas e acalmavas o coração, a respiração, a vontade que ganhei da vida, a vontade de fazer tudo e de te dar tudo. Vontade de te por acima de deus. Pois o Diabo meu amor, sou eu, e para mim és tu quem mais importa.


Estas feridas foram feitas por ti, pela vida, por mim.
Foram feitas por ti...


terça-feira, junho 30

O tom a bege...

A voz tremeu quando soltou aquele "olá". Os olhos ganharam brilho e um sorriso ficou-se-lhe rasgado no rosto. As bochechas rosaram e os dentes brancos ficaram à mostra. Que rapariga tão linda. Só a posso relembrar em pensamento. Como eram lindos os seus olhos, os seus lábios, como as costas das suas mãos eram tão delicadas, os seus dedos esguios e bonitos. O tom a bege por todo o seu rosto, por toda a sua beleza tão natural, tão perfeita, tão... Mas que digo eu? Não a conheço, não lhe sei o nome, não lhe perguntei a idade, muito menos sei onde mora, o que faz e fez e qual a sua história. Que importa? Pelo menos se não for hoje, será amanha. Não vivo à procura, mas poderei morrer sem encontrar. É esse o meu medo. Cara vergonha, és tu para sempre? Por mais quanto tempo terei eu de sofrer para bem dos teus caprichos?


Hoje pude sentir o desconhecido a bater-me no rosto e dizer em choro e de nó na garganta que, eu, já não sei o que é amar.
 

28/10/2014
Pedro Miguel Mota

segunda-feira, junho 29

Sem a tua mão...

Sem ti não há nada que faça sentido, mesmo que eu olhe para outra rapariga, mesmo até que me apaixone por outra que não tu, um dia mais tarde, és tu quem vai deixar marcas, és tu quem me vai amar, és tu e não outra qualquer, porque só de te olhar nos olhos percebo como o nosso destino se cruza mais do que uma vez num dia. É ouvir a tua voz e saber que de tão bem que se encaixa no meu ouvido que és tu a tal.

Sem a tua mão não há amor dentro de mim.
Sem o teu calor não há vontade de te amar.
Sem a tua voz não há motivo para conversas.

A alma é-nos tão cheia e a vida tão curta. Mantens-te firme, de olhar radiante e poderoso. É na vida que te vingas, é na vida que levas a peito tudo o que te dá e se transforma em preto. A escuridão para ti é um parque de diversões, assim que lá entras és a ultima a sair. Até o Diabo te tem em consideração.

Gostas do silêncio porque te faz lembrar da voz da tua mãe.

quinta-feira, junho 25

Como se fossem teus...

É durante o dia que damos as mãos, enfrentamos juntos os nossos medos, as nossas preocupações, juntos lutamos contra a parte da vida que nos tenta levar deste mundo e de ao pé de um e de outro com as suas guerras, com os seus pequenos acidentes, mas mantemos-nos firmes. À noite adormecemos juntos com a janela do quarto aberta para que o ar circule pela casa, arrefecendo-a, arrefecendo-nos pedaço a pedaço, enquanto os nossos corpos se distanciam, ora te viras tu, ora me viro eu, cada um para o seu lado, cada um com os seus sonhos, cada um com as suas preocupações, cada um com as suas lutas internas que mais ninguém pode lutar.

Pega nos meus lábios e beija-os docemente e pega nos meus sentimentos e toma-os como se fossem teus para que nunca mais sintam maldade, para que nunca mais transpirem de medos, acabado assim com os meus pesadelos. 

O Paraíso Pertence-te!

terça-feira, junho 16

Teus fermosos olhos...

"Dos teus fermosos olhos nunca enxuito, Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas." Camões – Lusíadas Canto III

A voz que o Diabo te deu é das coisas mais belas que pude até hoje ouvir. A voz do anjo mais puro não podia ser dada a mulher alguma que não tu.

Todo o cuidado, todo o carinho, todo o calor que do teu corpo sai tornam-te com o tempo a relíquia mais bela de toda a criação. Nada há mais belo no mundo que o olhar meigo de uma mulher. As mãos suaves como a água pura do rio, os cabelos loiros que esvoaçam, os risos e as lágrimas que te pintam o rosto. Enalteço-te por fora pois sei que do lado da alma és tão forte e delicada que faz de mim um criminoso. Pode haver no céu mais pura alma que a tua?

Mesmo que tanto tu como eu não somos perfeitos ora de fora, ora de dentro, o amor é forte e a resistência às quedas é ainda mais. A vida amansa-nos o coração enquanto nos dá calos nas mãos.

Sê boa porque eu Amo-te.
Sê boa porque condiz com a cor dos teus olhos.

segunda-feira, junho 1

Tirar os pecados...

Ao acarinhar o teu rosto o teu peito acalma-se. Sinto-te mais descontraída, menos nervosa como antes estava. Dizes que te chego a tirar os pecados que a vida te coloca no coração. És o mundo para mim, és como o ar que respiro. Esse teu rosto de anjo e voz carinhosa faz-me sentir completo, preenchido de dentro para fora. Tenho-te com carinho no coração, tenho-te com respeito dentro de mim. A pessoa que és (e fazes questão de ser cada vez melhor) alegra-me a alma. Os meus pais adoram-te, as pessoas adoram-te e não podia pedir mais do que isso.

Desejas ser mãe e estás constantemente a dizer-me que vês em mim, neste rosto bolachudo quando a barba não me cobre o rosto, um garoto, mas que mesmo assim, afirmas orgulhosamente que serei um pai espectacular. Tal e qual como te digo que tu terás a capacidade de ser a melhor mãe que um filho pode ter, também eu te gabo a sorte, também eu te quero, até que a morte venha ter aqui com o Diabo.

És tu a noite que me a sombra os sonhos?

sábado, maio 30

Sempre tão modesto...

  
 
Disse um dia a minha a avó: Se queres que alguém te cuide do peito, sê gentil meu filho! Sê gentil e tudo cairá a teus pés. E que o teu sorriso (referindo-se à alma) te seja sempre tão modesto como a cor dos teus olhos!
 
Viana meu amor, que é feito de ti? Que é feito do teu sorriso? Que é feito da voz doce com que me costumavas embalar o coração? Que é feito do amor que das tuas mãos transpirava? Que é feito de ti meu amor? O lenço sobre o cabelo atado gentilmente á volta do pescoço, com formas de flores muito subtis. Encantavas-me a vista, ora com as cores do lenço ora com a cor dos teus olhos tão vivos e cheios de alegria.
 
Apesar de não caminharmos no mesmo trilho, as ideologias são semelhantes, as vontades igualáveis e as saudades da família tão grandes como as saudades que temos em ser novamente crianças. Crescemos juntos pedaço a pedaço, dia-a-dia, com complicações e desapegos, com fôlegos e faltas de ar. Vamos vivendo momento-a-momento com o intuito de nos tornar-mos amanhã em humanos com capacidades extraordinárias, humildes, modestos, sinceros, trabalhadores, amantes da vida nua e crua, amantes um do outro, amantes da vida e da vontade que ela nos dá todos os dias.
 
"Cabra, ele já está comprometido, pára de o seduzir!"

quarta-feira, maio 20

Daquilo que nos...

Ao não haver a calma do dia, que pelo menos haja o silencio da noite, que o possamos partilhar, que o possamos usar para arrancar do corpo, como a água e o sabão costumam fazer ao sujo do corpo as angustias, as arrogâncias que os outros nos disseram, as lágrimas que não chorámos, as palavras que não dissemos na altura devida e que assim possamos amar-nos melhor, amar-nos como animais, onde a natureza nos apanha desprevenidos e nos faz cometer loucuras saudáveis.

Se houver espaço para chorar que o façamos juntos, ou pelo menos que um de nós esteja num bom dia para que apoie o outro, para que dele possa limpar as lágrimas que lhe queimam o rosto e o ajude a apagar as más memórias colocando-lhe novas.

Recordarei sempre daquilo que nos juntou e do dia em que partimos as asas que nos foram dadas do céu para que pudéssemos viver na terra como mortais.

Coloca na minha cabeça a coroa. Coloca sobre os meus ombros os teus choros. Sobre os meus lábios um pedaço do teu amor.Sobre a palma da minha mão a chave do teu coração.De mim arranca pedaços de vida, pedaços de amor, de choro, de alegria.

Promete-me tirar da escuridão quando me meter nela.

sábado, maio 16

Por mais vezes que...

Por mais vezes que morras dentro de mim, não consigo deixar de pensar no teu olhar, na tua voz, no teu sorriso, na tua maneira simpática de ser. Todos os dias olho para ti com um carinho nos olhos. Todos os dias espero que me digas qualquer coisa. Todos os dias, desde o momento que ponho os pés na escola, que procuro incansavelmente por ti, pela pessoa que és, pelo rosto delicioso que tens, pelos olhos azulados que carregas com tanta força. Procuro-te para te ver sorrir, mesmo que te veja de longe, o corpo aquece como se fosses fogo, como se fosses a luz do sol a bater-me no peito.

Eu não te conheço e para infelicidade minha só te vejo quando perco a esperança de te ver. E no fim quando te acabo por ver, é como se a timidez tomasse conta de mim, como se os teus olhos fossem como pedras que me atiram, como agulhas que me espetam pelo corpo todo, eu sinto (e sinceramente espero que esteja certo) que olhas para mim com o mesmo sentimento que ganho no coração quando olho para ti. E eu não sei como arrancar esta coisa do coração, porque eu não te conheço e parece ser de malucos amar assim alguém cujo o nome é tão desconhecido como os sonhos, os segredos, os pesadelos e tudo o que te faz rir.

Sinto o meu coração partir-se debaixo da chuva. Por vezes parece-me ouvir-te chorar quando se faz silencio.

"O cheiro da tua mão que me aquece com carinho."

sábado, maio 9

Será difícil...

Sinto o teu corpo gemer, parece que te conheço de cor. A cada aperto, a cada beijo, tu tiras o ar dos meus pulmões, causas-me dor antes de me dares prazer. A garganta seca quando passamos tardes inteiras a conversa, os pés não têm tempo de se queixar quando caminhamos pelas ruas das cidades que sempre quisemos conhecer. Os olhos não têm tempo de soltar as suas lágrimas, os ouvidos não se podem por surdos pelo barulho dos festivais pois temos ainda tanto para viver, tanto para sentir, tanto para ver, tanto para tocar, para saborear.

Quando mais nos dermos a conhecer um ao outro, quanto mais trocarmos, mais difícil será separar-nos no futuro um do outro. Espero que te sintas preparada, espero que estejas satisfeita com as escolhas que tens tomado junto comigo. "Só a morte nos pode separar." Nenhum de nós é perfeito, por isso de todas as palavras que dissermos, já mais conseguiremos mostrar o quanto nos amamos. Será tão difícil ver-te partir, mas antes ver-te partir do que te partir o coração.

Não podemos nunca deixar de ter vontade de realizar os nossos sonhos.

sexta-feira, maio 1

O cheiro não é doce...


Adoro o cheiro que fica no ar depois da chuva. Recordo-me dos dias de verão quando acordava bem cedo ao teu lado e naquele momento sentia o cheiro doce da tua pele. Agora o cheiro não é doce, é antes mais forte, mas ácido, mais amargo, talvez porque a vida vai moldando a visão, a audição, o olfacto, e o tacto. Com o tempo começo a ter menos paciência para as tuas birras, para as meias palavras, para as tuas adivinhas a meio da conversa. Meu amor, se realmente gostas de mim, se realmente te preocupas comigo, diz-me de uma vez o que se passa. Diz-me que coisas são essas que te atormentam, que te fazem viver em constante preocupação.

Eu quero ouvir a tua verdade, não importa o quão dura e cruel ela é. Quero ouvir os teus pensamentos, sem qualquer tipo de censura ou que tenham sido alterados para evitar magoar-me. Se vais segurar-me pela mão quero que sejas verdadeira comigo, que me digas o que te corre na mente, que me digas o que sentes, o que as tuas entranhas te dizem, o que o teu coração te diz, e o que o teu instinto te diz. Quero-te ao meu lado verdadeira, honesta, humilde, sincera, franca e com coragem de viver.

"Deixai-os serem pequenos. Porque, se for para ter medo, que eu a tenha na morte!"

quinta-feira, abril 23

Onde está a tua mão...


Durante quanto tempo vivemos nós um amor imaginário? Quanto desse tempo vivemos nós o amor que sentíamos verdadeiramente um pelo outro? Por quando tempo mais vamos amar algo imaginário? Porquê dar importância à atracção física quando é a atracção mental que deve fazer de nós seres racionais e não sermos seres por instinto?

Onde está a tua mão? Quero tocar-lhe! Quero beijar-te os lábios, sentir-te junto a mim, saborear o pescoço com as minhas mãos, fazer-te arrepiar quando te morder a orelha e beijar-te o pescoço. Aproxima-te sem medo, pois se vamos deixar o medo envolver-se e falar por nós, certamente que nunca chegaremos a sentir nada do que haja para sentir.


Muitas vezes não somos nós os certos porque nos sentimos ameaçados ou ofendidos, mas antes os errados.

sexta-feira, abril 17

Foste fácil de amar...

Foste fácil de amar quando a trovoada não rasgava os céus.
Foste fácil de cuidar quando o calor não nos atormentava.
Foste fácil de agarrar quando a birra não te atacava.
E o teu avô sempre me disse que foste boa de educar.

A escuridão abata-se sobre a minha memória fazendo-me recordar pesadelos e dores que sofri no corpo com a tua ausência. Recordar sentimentos tão profundos como o desgosto da tua morte levam-me aos poucos deste mundo. Irão algum dia as recordações que tenho de ti, limpar a vergonha? Limpar a tristeza? Limpar a saudade que me cresce no peito? Irão elas algum dia lavar os demónios que carrego nos olhos e os que na alma vou ganhando?

Deixaste cá um pedaço de ti. Um pedaço enorme da tua força, do teu amor, do teu sorriso, do teu carinho, da tua alegria que me aquecia a alma. Todos os dias vejo o teu sorriso no dela e em todos estes dias, teima ela em fazer-me lembrar de ti. Brilham os seus olhos ao olhar para mim. Sinto-te nela. Desejava que nada tivesse de ser como é agora. Adorava partilhar tudo contigo. Cada dedo esticado, cada choro, cada queda, cada lágrima, cada sorriso, cada fralda, cada passeio pela praia, cada pesadelo, cada coisa pequenina que ela traz ao mundo.

O tempo tratará de compensar tudo.

segunda-feira, abril 6

Ver-te viver...


À medida que os seus lábios tocavam os meus, começava a ganhar uma consciência que até então não havia tido. De todas as raparigas que beijei até aquele momento, fora ela a única que me fez sentir assim. O seu beijo foi calmo, tranquilo, dado bem devagarinho. Esse momento de que falo foi o momento em que me apercebi do que queria para a minha vida, daí em diante. Era a ela que eu queria. Era o amor que ela tinha nas palavras, o carinho que tinha nas mãos, a atenção que carregava sempre consigo nos seus olhos. Aquele corpo que à sua maneira se ia compondo, para bem ou para o mal, magro ou gordo era o seu corpo. Fazia-me sentir bem comigo e ela sentia-se bem consigo. Mas foi preciso conhecer alguém assim para me ajudar a dar o próximo passo, tal como a ela a ajudei a dar o seu passo.

Olho-te com gosto, com um certo orgulho que me aquece as bochechas. Gosto de ti, pois tens aquela maneira simples de viver, de conviver, de falar, de ganhar gosto pelo mundo, de te dares a conhecer. É maravilhoso ver-te viver. Adoro o jeito simpático com que encaras as pessoas, a educação que te sai da boca, as maneiras, os tratos simples.

Pousei os meus lábios sobre o teu ombro.

segunda-feira, março 30

Não me cala a alma...

As lágrimas podem correr o meu rosto, podem marcar-me a alma, podem conquistar o coração, mas a saudade de as ter de novo no meu rosto não me foge do pensamento, mesmo que sejam geladas ao passar-me as bochechas, mesmo que me queimem as mãos ao limpa-las, mesmo assim, permaneço com a ideia de te deter num puxão de um braço e beijar-te. De te soltar, de te prender, de te tirar o ar dos pulmões e fazer esse curto coração acelerar de adrenalina. A dor que me sai dos olhos não me cala a alma.


Ergo-me diante de ti mas tu teimas em não aparecer. Por mais chuva que me molhe o corpo, por mais sol que me queime o rosto, por mais tempo que espere por ti, teimas em não aparecer e eu continuo a caminhar, na esperança de que  me pares a caminhada, ou te juntes a ela. Aparece, sê rápida e não te demores, pois daqui a pouco estarei a correr e não sei se conseguirás acompanhar a minha passada, pois também eu não te sei dizer se terei nas pernas as forças necessárias para abrandar e dar-te a mão ou caminhar ao teu lado.


Poderás tu sorrir para mim quando olhar para ti? Poderás dizer-me olá, mesmo que seja repentinamente? Vais olhar para trás e voltar? Ou terei eu de te seguir?

terça-feira, março 17

Perdeste o coração...

Perdeste o coração!
Ou será que te perdeste dele?

Saberás tu sobre o que te falo? Saberás o que significa? Se te disser que conseguirás passar para lá dos teus medos, para lá das mentiras que um dia te contaram uma e outra vez, que irás ultrapassar os poços que colocarem no teu caminho e que surgirem nele, acreditarás nas minhas palavras? Estás disposta a dar-me a tua mão e a confiar em mim? Estás disposta a deixar-me preocupar contigo? De partilhar sorrisos, de partilhar corridas ao fim-de-semana?

Estás disposta a deixar-me segurar-te a mão, de te beijar a testa com carinho, de te falar com bons modos, de te mostrar o mundo que tenho visto até hoje, de que tudo o que te disseram é mentira? Como eu gostava de te dizer que o mundo é muito mais belo do que to pintaram. Que as Estrelas têm voz e o Sol não serve apenas para nos aquecer o rosto. Dizer-te que a Lua só é fria quando o coração fica frio com a distancia um do outro, com as palavras amargas que nos saem da boca e nos ferem o peito. Gostava de te dizer que as coisas não são apenas más, que nem sempre chove, mas que também nem sempre faz sol, porque precisamos da tristeza para valorizar a felicidade, e da felicidade para aproveitar os momentos em que os pulmões se enchem de água e os olhos são cobertos por lágrimas que nos acalmam a alma, que a limpa, que cuidam dela, que a protegem. Porque chorar também faz parte da vida. 

Quero eu beijar-te mais do que os lábios que tendes no rosto, quero eu tocar-te mais do que as mãos que tens no corpo, quero eu conhecer de ti, mais do que aquilo que deitas cá para fora, quero conhecer o teu intimo, descobrir quem tu és, não te quero conhecer de cor, quero apenas conhecer-te os desejos, os pequenos mimos, as pequenas palavras, as pequenas coisas que te façam sorrir com tamanha satisfação pondo-te tão bela, tão simples, tão exuberante.

Quero beijar-te a mão e prometer-te outro beijo em sítio mais achegado.
Que o mar nunca te leve a voz. Que o sol nunca te tire a alma do peito e que a lua, possa sempre ouvir-te.

domingo, março 15

Se me não engano...

 

Acelera-se o coração quando lhe toco o rosto, quando lhe seguro pelas mãos, quando a aconchego com um carinho sobre os ombros, quando lhe sinto os cabelos a passar por entre os dedos. A respiração mantém-se normal, mas é a boca e a cabeça que parecem não se conseguir controlar. Quando a olho nos olhos ganho um calor estranho no peito, as mãos suam, os amores florescem na cabeça e as palavras que antes eram tão fáceis de pronunciar tornam-se quase rarefeitas. Ela é linda. O seu cabelo é lindo, os seus olhos transmitem uma força extraordinária, uma personalidade forte, vincada. Os gestos que os seus lábios fazem ao falar, os carinhos que os seus olhos transmitem, as expressões delicadas que comete, são para mim como o remédio para a gripe. Aquecem-me, dão-me outra vida, faz o sangue correr depressa pelo corpo.

No fim de tudo, é o seu sorriso que me faz acordar com vontade de viver, vontade de a ver novamente, vontade de ter mais um dia para lhe falar, de a conhecer, de a compreender e de a... descobrir.

Vejo-lhe nos olhos a honestidade, a humildade e a sinceridade de viver como uma rainha, de agir como uma mulher e trabalhar como uma rapariga. Serei apenas eu que lhe noto carinho nas mãos? Carinho nos olhos? Carinho no rosto? Carinho no corpo? Serei só eu que a acho interessante muito antes de lhe saber o nome completo? Será amor? A alma alegra-se cada vez que a vejo, cada vez que a olhos nos olhos, cada vez que a vejo sorrir com aquele tão confiante e contagioso sorriso rasgado que lhe aquece as bochechas, que a põem tão linda. Se me não engano, és um carinho da alma.

"Diz-me o que lês, diz-me o que ouves, fala-me de ti e poderei conhecer quem és."

domingo, março 8

A beleza do horizonte...

O teu coração é muito maior do que meu e mesmo assim teimo em dar-te tudo o que de melhor tenho para dar. beijo-te a testa com o intuito de te saber os pensamentos, beijo-te os lábios com o gosto de os saborear como fazemos com o gelado. Foste a mulher que desde o primeiro encontram, desde o primeiro beijo, desde o primeiro toque de lábios, desde o primeiro dia em que dirigiste para mim palavras que eu, hoje posso dizer com orgulho que ainda bem que todo o tempo que passámos juntos, mesmo que por curtos momentos, me sinto realizado, me sinto bem em ter ao meu lado uma mulher como tu, tão simpática, tão inteligente, que me puxa e volta a puxar quando me jogo para dentro do poço, que me abraça com carinho, que me mima com amor, que me ama de alma e coração.

"Nada há mais bonito no mundo do que a beleza do horizonte, o calor do sol, o frio da lua, a magia das palavras, o carinho da amizade e o conforto do amor." - Disseste-me tu um dia enquanto assistíamos ao por do sol. 

Sobre as generosas palavras que no peito escrito tens, sobre a voz doce que da boca te sai e da atenção com que os teus olhos aos meus lábios se cingem, estás linda.

São rosas meu amor. Segura-as, cheira-as e caso não gostes por-favor não as deites fora, devolve-mas para as poder dar à minha mãe, talvez ela as aceite com os defeitos que tu lhe colocaste. Como te conheço de ginjeira, saberás dar valor ao que te dou, mesmo que seja pouco.

sexta-feira, março 6

Tenho-te com carinho...


Que julgam eles sobre nós? Que julgam eles sobre a nossa vida? Que julgam eles sobre a nossa amizade? Que nos vale o seu julgamento, torna-nos mais fortes? Torna-nos mais leves do peso do mundo? Torna-nos mais íntimos? Que nos importa com o que os outros contam, com o que os outros inventam para se entreterem? Que nos importa os seus segredos? Que nos importa a sua opinião? Se até ao dia as suas palavras não mudaram em nada a nossa maneira de ver o mundo, se não mudaram o gosto que temos um pelo o outro, o carinho mutuo, o amor completo, as mãos dadas, o gosto pelo mundo, que nos vai importar o que dizem os outros?

Seguro-te pela mão porque te quero ao meu lado para que não percas nada do que te digo, nada do que te mostro, sentindo tudo o que sinto. Dou-te beijos de carinho sobre a testa e sobre a cabeça porque te tenho com carinho no coração, porque gosto da tua pessoa, do eu jeito, das palavras que me diriges, os gestos, as suaves melodias que soltas quando passas por mim. Encantas-me a alma, aqueces-me o peito, aceleras o meu respirar.

Tenho-te com carinho.

quarta-feira, março 4

Quantos desses filhos eram teus?

Já sentiste a necessidade de partilhar aquilo que tu sabes com alguém? Já sentiste desejo de trazer algo ao mundo tão frágil que é capaz de te fazer acordar todos os dias às quatro da manhã se assim for necessário, só para que haja comer na sua boca todos os dias? Já sentiste o prazer de segurar algo teu, algo tão delicado, algo que te aquece o peito mesmo quando faz birra? Já sentiste o desejo de beijar tal coisa? De a deter nos braços como sendo todo teu, ou toda tua, dependendo do sexo. Já? Alguma vez imaginaste as palavras bonitas que lhe dirias? Nas coisas boas que lhe farias?

E aquela vontade em pegar nesse alguém ao colo ainda tão pequeno de débil, crescer entre os teus braços, protegendo-o com o teu corpo, com a tua alma, com as poucas forças com que ficas ao fim de um dia árduo de trabalho, mas tu chegas ao fim, sobrevives aos milhares de testes, às milhares de guerras que são travadas diariamente só para te levar deste mundo. Mas chegas ao fim junto dele para o ver sorrir, sentindo-te que o que estás a fazer hoje, é amanhã, para ele.

Faltam-te os sonhos? Terás vontade de pelo menos imaginar para já, o acordar durante a noite para ver se ele/a dorme bem? De o/a acordar pela manhã perguntando-lhe se teve algum sonho bonito e como foi. Terás curiosidade de fazer estas coisas? Vontade de lhe explicar com palavras simples e de tom de voz calmo que não há monstros no armário, nem debaixo da cama? De dormires com ele/a até que adormeça para ganhar confiança? O despedires-te com um beijo sobre a testa acendendo a luz de presença? De lhe dizer que se for preciso alguma coisa que estás no quarto ao lado?

E estarás capaz de dares tu a coragem, a capacidade, a motivação, o fôlego da vida ao ser que com tanto esforço trouxeste ao mundo? Não queres ter essa experiência? A experiência de lhe dar alegrias, de lhe dizer que o mundo está nas suas mãos, que a vida está nas suas mãos? O que importa que a vida não te dê trabalho? Olha antes no tempo dos nossos avós, não havia luz, nem água quente, e hoje são os que mais sabem dar valor a um sorriso. Que me importa com a vida na cidade se é do campo que vem a vida? É claro que prefiro ter trabalho e dinheiro ao fim do mês. Mas e então se hoje não o temos? Significa que não iremos ter para sempre? Vais esperar para ser velha para fazeres filhos? Não os queres ter ainda nova, para que os vejas a envelhecer contigo?

Pergunto-te, se hoje és tu quem um dia irá enterrar os teus pais, esperemos numa idade avançada e que faleçam de morte natural, quem te irá enterrar a ti quando a tua vez chegar? Os filhos dos teus irmãos? Dos teus primos? Dos teus amigos mais chegados? Que marca deixaste no mundo? Que sonhos? Que ideias? Quantos filhos tiveste tu a oportunidade de amar, de segurar nos braços, de pegar ao colo e confortar? Quantos amaste tu na tua vida? Quantos desses filhos eram teus? E desses quantos guardas tu em fotografias e na memória?

Vem para perto de mim falar a voz do povo.