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quinta-feira, abril 23

Onde está a tua mão...


Durante quanto tempo vivemos nós um amor imaginário? Quanto desse tempo vivemos nós o amor que sentíamos verdadeiramente um pelo outro? Por quando tempo mais vamos amar algo imaginário? Porquê dar importância à atracção física quando é a atracção mental que deve fazer de nós seres racionais e não sermos seres por instinto?

Onde está a tua mão? Quero tocar-lhe! Quero beijar-te os lábios, sentir-te junto a mim, saborear o pescoço com as minhas mãos, fazer-te arrepiar quando te morder a orelha e beijar-te o pescoço. Aproxima-te sem medo, pois se vamos deixar o medo envolver-se e falar por nós, certamente que nunca chegaremos a sentir nada do que haja para sentir.


Muitas vezes não somos nós os certos porque nos sentimos ameaçados ou ofendidos, mas antes os errados.

sexta-feira, abril 17

Foste fácil de amar...

Foste fácil de amar quando a trovoada não rasgava os céus.
Foste fácil de cuidar quando o calor não nos atormentava.
Foste fácil de agarrar quando a birra não te atacava.
E o teu avô sempre me disse que foste boa de educar.

A escuridão abata-se sobre a minha memória fazendo-me recordar pesadelos e dores que sofri no corpo com a tua ausência. Recordar sentimentos tão profundos como o desgosto da tua morte levam-me aos poucos deste mundo. Irão algum dia as recordações que tenho de ti, limpar a vergonha? Limpar a tristeza? Limpar a saudade que me cresce no peito? Irão elas algum dia lavar os demónios que carrego nos olhos e os que na alma vou ganhando?

Deixaste cá um pedaço de ti. Um pedaço enorme da tua força, do teu amor, do teu sorriso, do teu carinho, da tua alegria que me aquecia a alma. Todos os dias vejo o teu sorriso no dela e em todos estes dias, teima ela em fazer-me lembrar de ti. Brilham os seus olhos ao olhar para mim. Sinto-te nela. Desejava que nada tivesse de ser como é agora. Adorava partilhar tudo contigo. Cada dedo esticado, cada choro, cada queda, cada lágrima, cada sorriso, cada fralda, cada passeio pela praia, cada pesadelo, cada coisa pequenina que ela traz ao mundo.

O tempo tratará de compensar tudo.

segunda-feira, abril 6

Ver-te viver...


À medida que os seus lábios tocavam os meus, começava a ganhar uma consciência que até então não havia tido. De todas as raparigas que beijei até aquele momento, fora ela a única que me fez sentir assim. O seu beijo foi calmo, tranquilo, dado bem devagarinho. Esse momento de que falo foi o momento em que me apercebi do que queria para a minha vida, daí em diante. Era a ela que eu queria. Era o amor que ela tinha nas palavras, o carinho que tinha nas mãos, a atenção que carregava sempre consigo nos seus olhos. Aquele corpo que à sua maneira se ia compondo, para bem ou para o mal, magro ou gordo era o seu corpo. Fazia-me sentir bem comigo e ela sentia-se bem consigo. Mas foi preciso conhecer alguém assim para me ajudar a dar o próximo passo, tal como a ela a ajudei a dar o seu passo.

Olho-te com gosto, com um certo orgulho que me aquece as bochechas. Gosto de ti, pois tens aquela maneira simples de viver, de conviver, de falar, de ganhar gosto pelo mundo, de te dares a conhecer. É maravilhoso ver-te viver. Adoro o jeito simpático com que encaras as pessoas, a educação que te sai da boca, as maneiras, os tratos simples.

Pousei os meus lábios sobre o teu ombro.

segunda-feira, março 30

Não me cala a alma...

As lágrimas podem correr o meu rosto, podem marcar-me a alma, podem conquistar o coração, mas a saudade de as ter de novo no meu rosto não me foge do pensamento, mesmo que sejam geladas ao passar-me as bochechas, mesmo que me queimem as mãos ao limpa-las, mesmo assim, permaneço com a ideia de te deter num puxão de um braço e beijar-te. De te soltar, de te prender, de te tirar o ar dos pulmões e fazer esse curto coração acelerar de adrenalina. A dor que me sai dos olhos não me cala a alma.


Ergo-me diante de ti mas tu teimas em não aparecer. Por mais chuva que me molhe o corpo, por mais sol que me queime o rosto, por mais tempo que espere por ti, teimas em não aparecer e eu continuo a caminhar, na esperança de que  me pares a caminhada, ou te juntes a ela. Aparece, sê rápida e não te demores, pois daqui a pouco estarei a correr e não sei se conseguirás acompanhar a minha passada, pois também eu não te sei dizer se terei nas pernas as forças necessárias para abrandar e dar-te a mão ou caminhar ao teu lado.


Poderás tu sorrir para mim quando olhar para ti? Poderás dizer-me olá, mesmo que seja repentinamente? Vais olhar para trás e voltar? Ou terei eu de te seguir?

terça-feira, março 17

Perdeste o coração...

Perdeste o coração!
Ou será que te perdeste dele?

Saberás tu sobre o que te falo? Saberás o que significa? Se te disser que conseguirás passar para lá dos teus medos, para lá das mentiras que um dia te contaram uma e outra vez, que irás ultrapassar os poços que colocarem no teu caminho e que surgirem nele, acreditarás nas minhas palavras? Estás disposta a dar-me a tua mão e a confiar em mim? Estás disposta a deixar-me preocupar contigo? De partilhar sorrisos, de partilhar corridas ao fim-de-semana?

Estás disposta a deixar-me segurar-te a mão, de te beijar a testa com carinho, de te falar com bons modos, de te mostrar o mundo que tenho visto até hoje, de que tudo o que te disseram é mentira? Como eu gostava de te dizer que o mundo é muito mais belo do que to pintaram. Que as Estrelas têm voz e o Sol não serve apenas para nos aquecer o rosto. Dizer-te que a Lua só é fria quando o coração fica frio com a distancia um do outro, com as palavras amargas que nos saem da boca e nos ferem o peito. Gostava de te dizer que as coisas não são apenas más, que nem sempre chove, mas que também nem sempre faz sol, porque precisamos da tristeza para valorizar a felicidade, e da felicidade para aproveitar os momentos em que os pulmões se enchem de água e os olhos são cobertos por lágrimas que nos acalmam a alma, que a limpa, que cuidam dela, que a protegem. Porque chorar também faz parte da vida. 

Quero eu beijar-te mais do que os lábios que tendes no rosto, quero eu tocar-te mais do que as mãos que tens no corpo, quero eu conhecer de ti, mais do que aquilo que deitas cá para fora, quero conhecer o teu intimo, descobrir quem tu és, não te quero conhecer de cor, quero apenas conhecer-te os desejos, os pequenos mimos, as pequenas palavras, as pequenas coisas que te façam sorrir com tamanha satisfação pondo-te tão bela, tão simples, tão exuberante.

Quero beijar-te a mão e prometer-te outro beijo em sítio mais achegado.
Que o mar nunca te leve a voz. Que o sol nunca te tire a alma do peito e que a lua, possa sempre ouvir-te.

domingo, março 15

Se me não engano...

 

Acelera-se o coração quando lhe toco o rosto, quando lhe seguro pelas mãos, quando a aconchego com um carinho sobre os ombros, quando lhe sinto os cabelos a passar por entre os dedos. A respiração mantém-se normal, mas é a boca e a cabeça que parecem não se conseguir controlar. Quando a olho nos olhos ganho um calor estranho no peito, as mãos suam, os amores florescem na cabeça e as palavras que antes eram tão fáceis de pronunciar tornam-se quase rarefeitas. Ela é linda. O seu cabelo é lindo, os seus olhos transmitem uma força extraordinária, uma personalidade forte, vincada. Os gestos que os seus lábios fazem ao falar, os carinhos que os seus olhos transmitem, as expressões delicadas que comete, são para mim como o remédio para a gripe. Aquecem-me, dão-me outra vida, faz o sangue correr depressa pelo corpo.

No fim de tudo, é o seu sorriso que me faz acordar com vontade de viver, vontade de a ver novamente, vontade de ter mais um dia para lhe falar, de a conhecer, de a compreender e de a... descobrir.

Vejo-lhe nos olhos a honestidade, a humildade e a sinceridade de viver como uma rainha, de agir como uma mulher e trabalhar como uma rapariga. Serei apenas eu que lhe noto carinho nas mãos? Carinho nos olhos? Carinho no rosto? Carinho no corpo? Serei só eu que a acho interessante muito antes de lhe saber o nome completo? Será amor? A alma alegra-se cada vez que a vejo, cada vez que a olhos nos olhos, cada vez que a vejo sorrir com aquele tão confiante e contagioso sorriso rasgado que lhe aquece as bochechas, que a põem tão linda. Se me não engano, és um carinho da alma.

"Diz-me o que lês, diz-me o que ouves, fala-me de ti e poderei conhecer quem és."

domingo, março 8

A beleza do horizonte...

O teu coração é muito maior do que meu e mesmo assim teimo em dar-te tudo o que de melhor tenho para dar. beijo-te a testa com o intuito de te saber os pensamentos, beijo-te os lábios com o gosto de os saborear como fazemos com o gelado. Foste a mulher que desde o primeiro encontram, desde o primeiro beijo, desde o primeiro toque de lábios, desde o primeiro dia em que dirigiste para mim palavras que eu, hoje posso dizer com orgulho que ainda bem que todo o tempo que passámos juntos, mesmo que por curtos momentos, me sinto realizado, me sinto bem em ter ao meu lado uma mulher como tu, tão simpática, tão inteligente, que me puxa e volta a puxar quando me jogo para dentro do poço, que me abraça com carinho, que me mima com amor, que me ama de alma e coração.

"Nada há mais bonito no mundo do que a beleza do horizonte, o calor do sol, o frio da lua, a magia das palavras, o carinho da amizade e o conforto do amor." - Disseste-me tu um dia enquanto assistíamos ao por do sol. 

Sobre as generosas palavras que no peito escrito tens, sobre a voz doce que da boca te sai e da atenção com que os teus olhos aos meus lábios se cingem, estás linda.

São rosas meu amor. Segura-as, cheira-as e caso não gostes por-favor não as deites fora, devolve-mas para as poder dar à minha mãe, talvez ela as aceite com os defeitos que tu lhe colocaste. Como te conheço de ginjeira, saberás dar valor ao que te dou, mesmo que seja pouco.

sexta-feira, março 6

Tenho-te com carinho...


Que julgam eles sobre nós? Que julgam eles sobre a nossa vida? Que julgam eles sobre a nossa amizade? Que nos vale o seu julgamento, torna-nos mais fortes? Torna-nos mais leves do peso do mundo? Torna-nos mais íntimos? Que nos importa com o que os outros contam, com o que os outros inventam para se entreterem? Que nos importa os seus segredos? Que nos importa a sua opinião? Se até ao dia as suas palavras não mudaram em nada a nossa maneira de ver o mundo, se não mudaram o gosto que temos um pelo o outro, o carinho mutuo, o amor completo, as mãos dadas, o gosto pelo mundo, que nos vai importar o que dizem os outros?

Seguro-te pela mão porque te quero ao meu lado para que não percas nada do que te digo, nada do que te mostro, sentindo tudo o que sinto. Dou-te beijos de carinho sobre a testa e sobre a cabeça porque te tenho com carinho no coração, porque gosto da tua pessoa, do eu jeito, das palavras que me diriges, os gestos, as suaves melodias que soltas quando passas por mim. Encantas-me a alma, aqueces-me o peito, aceleras o meu respirar.

Tenho-te com carinho.

quarta-feira, março 4

Quantos desses filhos eram teus?

Já sentiste a necessidade de partilhar aquilo que tu sabes com alguém? Já sentiste desejo de trazer algo ao mundo tão frágil que é capaz de te fazer acordar todos os dias às quatro da manhã se assim for necessário, só para que haja comer na sua boca todos os dias? Já sentiste o prazer de segurar algo teu, algo tão delicado, algo que te aquece o peito mesmo quando faz birra? Já sentiste o desejo de beijar tal coisa? De a deter nos braços como sendo todo teu, ou toda tua, dependendo do sexo. Já? Alguma vez imaginaste as palavras bonitas que lhe dirias? Nas coisas boas que lhe farias?

E aquela vontade em pegar nesse alguém ao colo ainda tão pequeno de débil, crescer entre os teus braços, protegendo-o com o teu corpo, com a tua alma, com as poucas forças com que ficas ao fim de um dia árduo de trabalho, mas tu chegas ao fim, sobrevives aos milhares de testes, às milhares de guerras que são travadas diariamente só para te levar deste mundo. Mas chegas ao fim junto dele para o ver sorrir, sentindo-te que o que estás a fazer hoje, é amanhã, para ele.

Faltam-te os sonhos? Terás vontade de pelo menos imaginar para já, o acordar durante a noite para ver se ele/a dorme bem? De o/a acordar pela manhã perguntando-lhe se teve algum sonho bonito e como foi. Terás curiosidade de fazer estas coisas? Vontade de lhe explicar com palavras simples e de tom de voz calmo que não há monstros no armário, nem debaixo da cama? De dormires com ele/a até que adormeça para ganhar confiança? O despedires-te com um beijo sobre a testa acendendo a luz de presença? De lhe dizer que se for preciso alguma coisa que estás no quarto ao lado?

E estarás capaz de dares tu a coragem, a capacidade, a motivação, o fôlego da vida ao ser que com tanto esforço trouxeste ao mundo? Não queres ter essa experiência? A experiência de lhe dar alegrias, de lhe dizer que o mundo está nas suas mãos, que a vida está nas suas mãos? O que importa que a vida não te dê trabalho? Olha antes no tempo dos nossos avós, não havia luz, nem água quente, e hoje são os que mais sabem dar valor a um sorriso. Que me importa com a vida na cidade se é do campo que vem a vida? É claro que prefiro ter trabalho e dinheiro ao fim do mês. Mas e então se hoje não o temos? Significa que não iremos ter para sempre? Vais esperar para ser velha para fazeres filhos? Não os queres ter ainda nova, para que os vejas a envelhecer contigo?

Pergunto-te, se hoje és tu quem um dia irá enterrar os teus pais, esperemos numa idade avançada e que faleçam de morte natural, quem te irá enterrar a ti quando a tua vez chegar? Os filhos dos teus irmãos? Dos teus primos? Dos teus amigos mais chegados? Que marca deixaste no mundo? Que sonhos? Que ideias? Quantos filhos tiveste tu a oportunidade de amar, de segurar nos braços, de pegar ao colo e confortar? Quantos amaste tu na tua vida? Quantos desses filhos eram teus? E desses quantos guardas tu em fotografias e na memória?

Vem para perto de mim falar a voz do povo.

sábado, fevereiro 28

O que sentes tu?

É agradável quando pousas a tua cabeça no meu ombro. Sabe bem quando é a minha vez de pousar a minha cabeça sobre o teu peito, sobre as tuas pernas, sobre o teu ombro, quando me acarinhas o rosto e me beijas a testa falando com voz doce para eu descansar. Sabes que tenho a cabeça sempre a trabalhar e por isso fazes tudo para me acalmar o pensamento. Mal sei como te agradecer. As idas ao fim-de-semana à baixa do Porto, ou as mini-férias que fazemos volta e meia na Guarda, ou nas serras do Gerês são do pouco que posso dizer em que estou de cabeça limpa de problemas, podemos viver, podemos sentir-nos um ao outro, podemos aproveitar os momentos a dois, os risos, as palavras amigas e as mais amargas, porque o mau também faz parte da relação. Fazes-me querer aproveitar cada vez mais a vida. Ganho a cada pedaço teu uma vontade enorme de gritar o teu nome.

Eu estou aqui. Não me vou embora, por isso podes chorar, podes gritar, podes desabafar todos os teus problemas, pois até agora tens-me ouvido, tens-me feito descansar a cabeça com o teu amor, com o teu carinho, com bocadinhos de ti, com a humildade e a disponibilidade que tens para me arrefecer o corpo.

O que sentes tu? Eu sei o que sinto quando te vejo sorrir para mim fazendo sinal para descansar a cabeça sobre o teu ombro.

quinta-feira, fevereiro 26

Agradável ou não...

 
 
Segurar-te pela mão é coisa do passado? E os beijos são o quê? Os mimos no nariz? As palavras ditas sobre o teu peito que sobe e desce com a ternura do teu respirar. É do passado olhar para ti com carinho e desejar o melhor para ti? É mau? Será do passado desejar-te felicidade? Seja comigo ou com qualquer outro? É do passado dizer que te amo? Antiquado talvez? Fora de moda? Se o amor não é sincero, que ganhamos nós com isso? Em que pé ficamos? Que dúvidas temos, sobre mim, sobre ti, sobre nós, sobre o futuro, sobre o que temos agora? Como podemos dizer da melhor maneira, com as palavras mais simples do mundo, aquilo que o coração sente? Aquilo que nos faz pesar a alma, que causa um nó no estômago.
 
No momento em que te vi, no meio da chuva, com ela a cair com força como se te quisesse arrancar a roupa do corpo, como se te quisesse fazer desaparecer, aproximei-me de ti e não pude destingir entre as gotas da chuva e as lágrimas no teu rosto. São tantas as noites que recordo os teus olhos tristes. São tantas as noites que recordo as palavras fortes que proferes contra ti. São tantas as noites que passo em branco a pensar nos teus carinhos. São mais ainda as noites que passo em que me arrependo de não te ter dado a mão nas alturas que devia.
Algumas vezes quando a noite se põem eu ponho-me a pensar como gostava tanto de dormir para sempre. Mas depois olho para ti, para a pessoa que foste ao início, a pessoa que vi crescer diante de mim e a pessoa que agora és. Nada mais me dá orgulho do que ver-te sorrir, ver-te chegar ao topo da montanha e gritar a pulmões vivos o gosto que tens pela vida. E voltas os teus olhos para mim e lanças de novo o olhar ao mundo. Respiras fundo, devolves o olhar e sorris. Os meus braços mesmo estando velhos e quase sem força, conseguem ainda dar-te o apoio de que precisas. Não há coisa mais deliciosa do que ter a tua voz a bater sobre o meu peito, de ter a tua cabeça sobre ele enquanto adormeces a ouvir o meu coração bater. E se o carinho não te interessar, a viagem, o passeio de fim-de-semana, o gargalhar à noite no café, e as conversas intermináveis, serão uma boa solução.
 
Até lá. Tudo o que vier, agradável ou não, será recebido com todo o gosto.

terça-feira, fevereiro 24

Há um tempo para tudo...


Há um tempo para tudo. Há um tempo para ter medo ao inicio, um tempo para trocar olhares, outro tempo para trocar palavras, trocar beijos, trocar amores e lágrimas. Mas não há nenhum tempo em que o coração de um chegue sequer a pertencer ao outro. Por mais "amo-te" que digamos, por mais lágrimas de felicidade que deitemos cá para fora, por mais palavras honestas e humildes despejemos para este lado, este lado exposto ao mundo nu e cru, o coração não sairá o seu sitio, por muito que queiramos, serão apenas as palavras, os abraços, os choros as alegrias, os sorrisos e olhares que chegam a ser trocados de sitio e muitas vezes, a alma ganha outras forças, outras vidas que antes não tinha, que antes não produzia. E agora que os beijos se tocaram, os olhares se desviam, e os corpos se juntam, podemos dizer que trocámos os corações de lugar. Querias tu que cuidasse do teu, que dele cuidasse como se de um bebé se tratasse, mas não o posso fazer, infelicidade minha, meu anjo, nem tu podes cuidar do meu, dar-lhe forças, tocar-lhe quando te apetecer, como fazes com as fotografias que tens no telemóvel que podes ver e rever uma e outra vez até que a vista se canse de me olhar tão atentamente.

Por mais defeitos que notes ter, por mais rasgos no corpo que achas que tenhas, para mim serão sempre pedaços de ti, perdidos, abandonados, pedaços de ti que queres apagar, fazer desaparecer, esquecer. São parte de ti e serão para mim pedaços de alma que me servirão como pontos de referencia para me lembrar de ti. Pode a tua voz não ser doce, mas acredito que a alma to seja. Talvez sem que eu me aperceba me estejas a dar bocadinhos de ti em cada palavra, em cada gesto, em cada momento. Chamo-lhes pedaços, pois não te podes entregar por inteira e de uma só vez.

Tenho medos e inseguranças tal como tu. Porque o amor é coisa criada e é tido com maldade no coração.

sexta-feira, fevereiro 6

O amor é uma avalanche...


Abranda. Ouve-me primeiro antes de abrires a boca para dizeres coisas más a meu respeito. Ou coisas boas se for o caso. Este sou eu nos melhores e piores dias. Não procuro em ti a pessoa que foste, antes a pessoa que és, a pessoa que te poderás tornar. O passado só a ti compete julgar não a mim que nada sei ainda sobre ti, que a nada tenho audácia para o fazer, nem a falta de vergonha para incriminar algo sobre a tua pessoa. Atiras-te demasiado depressa às pessoas e às respostas negativas que elas fazem sobre ti. Eu estou aqui para te amar, para te conhecer melhor do que a ti mesma se me deixares. Quero abraçar-te, segurar-te, apertar-te forte contra o meu peito, com a força que a vida me deixando como réstia dentro do meu corpo já fracturado fisicamente. Vou segurando em ti o tempo que puder, e espero que me possas servir de apoio nos momentos que precisar.

Peço-te apenas que me garantas um lugar no coração, que me garantas um carinho na hora de dormir e, um incontrolável sorriso para dias de chuva, dias de mau agoiro, dias em que o sol deseje não brilhar os nossos três mundos. O teu, o meu e aquele em que vivemos juntos. Juntos é como anseias ficar, juntos é como eu faço para ficar. Seria crime se dissesse que me tinhas roubado a alma.

Em que mundo é que eu vou para a cama depois de e acordar depois de ti? Bem ficarei sempre à espera que me telefones a dizer que acordaste, que tiveste um sonho maravilhoso, em que sorrias, dançavas e cantavas e eu vou-te dizer que nunca deixar de pensar em ti desde que me levantei da cama onde dormias.

O amor é uma avalanche, leva tua à frente, só pára quando a força escasseia no interior, ou algo se atravessa no seu caminho com a capacidade de o parar.

segunda-feira, janeiro 26

A lado nenhum...



De cabelos louros, de olhos azuis como o céu do lado de fora da janela, de pele branca e vestido negro, fiquei enfeitiçado pela tua beleza. Olhava-te sempre que podia, olhava-te sempre que o meu coração me dizia «Olha para ela! Ela não te vai morder! Olha para aquele rosto, tão bonito!»

Poder conhecer o sabor doce dos teus lábios, poder dar-te a mão sempre que me apetecer, ligar-te a meio do trabalho mesmo sabendo que não vais atender, só para que quando vires a minha chamada me ligues logo a seguir, dizendo o quanto de saudades tens de me ver. Todos os dias despedir-me de ti com um beijo ora na testa, ora nos lábios. Ver-te recostar na cama, puxando cobertores para cima, enquanto eu me vou embora trabalhar. Ou que aconteça o contrário. Deitar-me ao teu lado e ao teu lado acordar. Não quero uma relação perfeita, não quero. Quero que chores quando me esqueço de te dizer que te amo, quando me esqueço de te dizer que sinto muito. Zanga-te comigo quando me esquecer do dia do nosso aniversário, quando me esqueço dos anos da tua mãe, ou dos dias que com tanto carinho agendas e organizas para que possamos sair juntos no fim-de-semana. Bate com a porta quando as palavras que me saírem da boca não forem as mesmas, quando for frio contigo, quando me esquecer de te ligar perguntando-te se está tudo bem. Bate-me, berra comigo quando te magoar, mas tem a humildade de me perdoar, tal como teu te perdoarei. Que seja uma relação com carinho, carregado de amor, de paixão, de lágrimas, de berros e mimos a meio da noite, de sexo louco a qualquer hora e em qualquer lugar.

Não sejamos hipócritas, judeus, gente de má-rês. Sejamos acima de tudo, gente, pessoas, com sentimentos e que nunca nos esqueçamos de dar ao outro o melhor de nós. É a promessa que quero fazer contigo. Não pensar no futuro como algo definitivo, mas fazer o hoje para que ele seja melhor do que é hoje. Sem amor não vamos a lado nenhum.

domingo, janeiro 18

Haja mais tempo...

 
O coração pesou-lhe no momento que estendeu os braços para me alcançar. As mãos começaram a tremer, as palavras saíram balbuciadas pela boca e o rosto ganhou a palidez da neve e as bochechas o afogueado da maçã madura. Os olhos soltaram lágrimas, não de tristeza, mas de uma felicidade complexa, incessante, que a penetrava a cada passo. Olhei-a de relance, jogando logo de seguida os olhos ao chão mordendo os lábios, na tentativa de apertar dentro de mim, de segurar às portas de cada um dos meus olhos, as lágrimas que me queriam fazer frágil. Mas, por muito que tentasse segurar, por mais que apertasse os olhos, não as pude controlar, foi também quando me deixei levar pelo momento e, as lágrimas pintaram-me o rosto. A voz tremeu ligeiramente ao saúda-la.
 
Ela passou a mão pelo cabelo, ajeitando-o, expondo o seu rosto triste e delicado. Acabei por me chegar a ela, de a apertar nos meus braços, de a elevar no ar e beijar-lhe qualquer parte do seu rosto, porque não queria nada mais do que sentir-lhe o corpo de novo, sentir-lhe a alma quente, o cheiro do perfume. Então ela pousou o rosto violentamente sobre o meu ombro, onde se aninhou, preparando-se para me falar, recebendo todo o amor que podia do meu corpo, tudo o que podia através daquele abraço apertado. Estava capaz de achar que me tinha chorado as saudades e a prórpia morte, bem ali no meu ombro. Retirei-a ao de leve e fitou-me o rosto. Cintilavam com tanta força, que podia ver os seus tenros olhos a andarem de um lado para o outro observando a minha cara, até que proferio algumas palavras de nó na garganta.
 
"Que desta vez haja mais tempo para nos conhecermos.”
 
Sorriu, fechou os olhos e refugiou-se no meu peito.

domingo, dezembro 28

Antes de nasceres...


Palavras caem gentilmente dos teus lábios e pousam sobre as minhas orelhas. 

Sozinho na escuridão choro alto e apareces tu com esse carinho nos braços, com esse amor que te afoga o coração no peito, entre essas costelas tão delicadas onde bate incansavelmente sem qualquer descanso. E dentro dessa mente de mulher tens tudo o que precisas para me levantar do chão. Fala só comigo, pois és apenas a única mulher que preciso, a seguir à minha mãe. 

Há uma voz que me fala dos medos. Há uma voz que me faz chorar de alegria, que me faz sentir que alguém se preocupa comigo, que ainda há quem seja amável para ver o melhor em mim. Há uma voz cuidadosa nas palavras que usa. E essa voz... Está nas palavras que ouço, nas palavras que leio, nas memórias que vou tendo. E não preciso de uma razão para dizer que não tenho medo de morrer, medo de perder o tacto do sentido da vida, medo de arriscar na vida, de saltar do topo do mundo, de dar o peito à espada, de dar tudo para vir a receber outro coração que não o meu.

«Já te amava muito antes de nasceres.» Matty Mullins - My Dear

sexta-feira, dezembro 26

Não te tive...

O natal passou. Mais um ano que não te tive, mais um ano que não te tenho. Entranho-me nas palavras, nas memórias, nos risos e lágrimas que vão povoando a minha cabeça. Vejo-te de rosto esbelto e sorridente, de voz calma e humilde. Tento descobrir-te, tento, viver com uma esperança que me possa alegrar o coração e todo o corpo. Que me aqueças como me aquecias antes. Hoje temo pela minha saúde mental mais do que antes, temo ainda mais pela saúde física, e menos pelo amor. Pois sem ele, durante estes últimos oito meses me tenho deixado ir com o vento. Mais dia menos dia, julgo que irei acabar como o esqueleto na cova, sem vida, sem amor, sem alma ou espírito que me faça agarrar a vida pelos cornos e dizer-lhe: "Esta é a minha vida e vou cuidar dela".

segunda-feira, dezembro 15

Apesar de não ter certezas...

 
Terá ela as costas das mãos tão suaves como a pele de um bebé? ou como o rosto de um homem depois de barba desfeita? Terá? Terá ela mãos tão doces como o beijo de uma mãe? Terá?
 
Pergunto-me se alguma vez caminhou pela terra coberta de legumes e vegetais da terra dos seus avós. Pergunto-me se alguma vez pegara numa enxada com o intuito de trabalhar a terra, ou se pelo menos sabe como é que os calos são adquiridos. Pergunto-me se terá ela a vontade de acordar ás 5 (cinco) da manhã para ir trabalhar, ou acordar ao meio da noite para acudir ao filho que chora desalmadamente pelo colo, pela mão suave e delicada da mãe, ou se não for choro de berreiro, é porque precisa da força do pai, do suspiro calmo e sonolento, que, cantarolando o vai adormecendo ao de leve, surpreendendo a mãe muitas vezes.
 
Pergunto-me se alguma vez ela será capaz de sujar as mãos com terra, ou qualquer outro tido de sujidade considerada horrenda para se tocar.
 
E agora pergunto-me a mim mesmo. Serei eu capaz de lhe pegar ao colo? De a acudir no choro, de saber falar-lhe calmamente, para lhe tirar do peito o stress, o mau olhado de que é alvo, ou os problemas que carrega no peito. Julgo que sim. Julgo que terei essa capacidade quando o momento surgir. E se não tiver, pelo menos até lá, tentarei sempre aprender com os erros que o passado me fez fazer, para que hoje e amanhã tenha o exemplo do que não devo fazer. Pergunto-me se correrá bem o resto da vida, de hoje até ao ultimo dia. Apesar de não ter certezas, espero que corra bem, ou pelo menos que haja mais felicidade do que tristeza.
 
A conversar, a partilhar, a viver, se vai ganhando/adquirindo a experiencia necessária para que o futuro se torne mais produtivo que o passado. E que assim seja, que daqui haja mulher capaz de pensar como eu, querendo tanto desta vida como eu o quero.

sexta-feira, dezembro 12

Se te voltasse a ver...


Há dias em que a cabeça quer sair de casa, mas não o corpo. O coração quer-se aventurar, mas não o corpo. Os olhos querem ver coisas novas, mas não o corpo. Tento achar um sentido para este momento em que o frio que me ataca os pés de noite quando estou deitado na cama, não é de uma rapariga, é do frio da noite, o frio do inverno que teima em ser esquisito e mesquinho. Começo a achar que esta sensação de frio constante é falta de amor.
 
Tenho planos, mas ninguém com quem os realizar. Conto os dias aos pares, conto as semanas, chegando a aperceber-me que não tarda muito e o ano acaba e eu de cama fria, de boca fechada, de olhos abertos para o tecto, de mãos e braços completamente pousados ao longo do corpo. A respiração abranda, o batimento quase que pausa, e à memória surge-me a rapariga do comboio, os seus olhos, a sua aparência tão menina, tão educada.
 
Poderia dizer que nada me acontece, mas tenho que admitir que tenho tido oportunidades que não tenho feito para as agarrar, ou porque sinto que não vale a pena, ou porque o não está sempre pronto a ser enviado. Mas "o se" nunca chega a ter resposta concreta.
 
Se te voltasse a ver, diante dos meus olhos, prometo aqui hoje, que se te voltar a encontrar, irei falar contigo. Mesmo que haja um não, ou negação da tua parte, irei falar contigo. Porque por mais estranho que te pareça o que te vou dizer, apesar de não saber se lês o que escrevo ou não, foste a única com quem me senti capaz de avançar e deter-te algumas palavras. Que seja a vida a dar-me frutos. Que seja.

terça-feira, dezembro 2

As minhas mãos sobre os teus ombros...


Ponho os olhos no teu peito, ponho as palavras na ponta da língua, coloco as minhas mãos sobre os teus ombros, sobre o teu rosto, sobre os teus cabelos. Olha para mim por-favor. Gosto de como o jeito ameaçador do teu olhar me faz arrepiar a pele do corpo. O sangue aflui ás tuas bochechas, as sardas ganham cor, os olhos intensificam o brilho, o corpo meça a tremelicar levemente. Separas os lábios enquanto esticas o pescoço para que o possa beijar. Mais do que desejar-te o corpo e a sexualidade, é perder tempo a conhecer-te, a entender-te, a sobreviver ao dia-a-dia com a preocupação no coração. Com borboletas na barriga, tendo-te no pensamento quase constantemente. Mais o teu sorriso, mais o teu "amo-te", mais o "gosto de ti". Há tanto que merecemos. E mais do que sermos felizes, merecemos desaparecer do mundo quando entramos em casa. A nossa única casa onde podemos pintar as paredes de negro, onde as palavras poderão sair sem que os outros se preocupem com a nossa vida. Com os nossos sentimentos preocupamos-nos nós e a nossa vida é feita apenas por nós.

Oh amor, que história contam os outros sobre o passado que tivemos? Surgem como leões na savana a querer apoderar-se da nossa vida, como se fizessem questão de nos fazer sentir de que não há sitio nenhum no mundo onde nos podemos esconder dos seus olhares, das suas cruéis palavras, dos gestos, dos horrores que querem provocar, das mentiras que espalham como sendo verdade. Acreditam eles que assim tocam o céu e que o inferno será para nós. Diria antes, tal como tu, que o céu irá arder e o inferno irá ganhar a luz que injustamente plantaram no céu.

Dizem que a verdade dói. Querem eles levantar a guerra. Sorte a deles que estamos em tempo de prendas.