Páginas

quinta-feira, fevereiro 26

Agradável ou não...

 
 
Segurar-te pela mão é coisa do passado? E os beijos são o quê? Os mimos no nariz? As palavras ditas sobre o teu peito que sobe e desce com a ternura do teu respirar. É do passado olhar para ti com carinho e desejar o melhor para ti? É mau? Será do passado desejar-te felicidade? Seja comigo ou com qualquer outro? É do passado dizer que te amo? Antiquado talvez? Fora de moda? Se o amor não é sincero, que ganhamos nós com isso? Em que pé ficamos? Que dúvidas temos, sobre mim, sobre ti, sobre nós, sobre o futuro, sobre o que temos agora? Como podemos dizer da melhor maneira, com as palavras mais simples do mundo, aquilo que o coração sente? Aquilo que nos faz pesar a alma, que causa um nó no estômago.
 
No momento em que te vi, no meio da chuva, com ela a cair com força como se te quisesse arrancar a roupa do corpo, como se te quisesse fazer desaparecer, aproximei-me de ti e não pude destingir entre as gotas da chuva e as lágrimas no teu rosto. São tantas as noites que recordo os teus olhos tristes. São tantas as noites que recordo as palavras fortes que proferes contra ti. São tantas as noites que passo em branco a pensar nos teus carinhos. São mais ainda as noites que passo em que me arrependo de não te ter dado a mão nas alturas que devia.
Algumas vezes quando a noite se põem eu ponho-me a pensar como gostava tanto de dormir para sempre. Mas depois olho para ti, para a pessoa que foste ao início, a pessoa que vi crescer diante de mim e a pessoa que agora és. Nada mais me dá orgulho do que ver-te sorrir, ver-te chegar ao topo da montanha e gritar a pulmões vivos o gosto que tens pela vida. E voltas os teus olhos para mim e lanças de novo o olhar ao mundo. Respiras fundo, devolves o olhar e sorris. Os meus braços mesmo estando velhos e quase sem força, conseguem ainda dar-te o apoio de que precisas. Não há coisa mais deliciosa do que ter a tua voz a bater sobre o meu peito, de ter a tua cabeça sobre ele enquanto adormeces a ouvir o meu coração bater. E se o carinho não te interessar, a viagem, o passeio de fim-de-semana, o gargalhar à noite no café, e as conversas intermináveis, serão uma boa solução.
 
Até lá. Tudo o que vier, agradável ou não, será recebido com todo o gosto.

terça-feira, fevereiro 24

Há um tempo para tudo...


Há um tempo para tudo. Há um tempo para ter medo ao inicio, um tempo para trocar olhares, outro tempo para trocar palavras, trocar beijos, trocar amores e lágrimas. Mas não há nenhum tempo em que o coração de um chegue sequer a pertencer ao outro. Por mais "amo-te" que digamos, por mais lágrimas de felicidade que deitemos cá para fora, por mais palavras honestas e humildes despejemos para este lado, este lado exposto ao mundo nu e cru, o coração não sairá o seu sitio, por muito que queiramos, serão apenas as palavras, os abraços, os choros as alegrias, os sorrisos e olhares que chegam a ser trocados de sitio e muitas vezes, a alma ganha outras forças, outras vidas que antes não tinha, que antes não produzia. E agora que os beijos se tocaram, os olhares se desviam, e os corpos se juntam, podemos dizer que trocámos os corações de lugar. Querias tu que cuidasse do teu, que dele cuidasse como se de um bebé se tratasse, mas não o posso fazer, infelicidade minha, meu anjo, nem tu podes cuidar do meu, dar-lhe forças, tocar-lhe quando te apetecer, como fazes com as fotografias que tens no telemóvel que podes ver e rever uma e outra vez até que a vista se canse de me olhar tão atentamente.

Por mais defeitos que notes ter, por mais rasgos no corpo que achas que tenhas, para mim serão sempre pedaços de ti, perdidos, abandonados, pedaços de ti que queres apagar, fazer desaparecer, esquecer. São parte de ti e serão para mim pedaços de alma que me servirão como pontos de referencia para me lembrar de ti. Pode a tua voz não ser doce, mas acredito que a alma to seja. Talvez sem que eu me aperceba me estejas a dar bocadinhos de ti em cada palavra, em cada gesto, em cada momento. Chamo-lhes pedaços, pois não te podes entregar por inteira e de uma só vez.

Tenho medos e inseguranças tal como tu. Porque o amor é coisa criada e é tido com maldade no coração.

sexta-feira, fevereiro 6

O amor é uma avalanche...


Abranda. Ouve-me primeiro antes de abrires a boca para dizeres coisas más a meu respeito. Ou coisas boas se for o caso. Este sou eu nos melhores e piores dias. Não procuro em ti a pessoa que foste, antes a pessoa que és, a pessoa que te poderás tornar. O passado só a ti compete julgar não a mim que nada sei ainda sobre ti, que a nada tenho audácia para o fazer, nem a falta de vergonha para incriminar algo sobre a tua pessoa. Atiras-te demasiado depressa às pessoas e às respostas negativas que elas fazem sobre ti. Eu estou aqui para te amar, para te conhecer melhor do que a ti mesma se me deixares. Quero abraçar-te, segurar-te, apertar-te forte contra o meu peito, com a força que a vida me deixando como réstia dentro do meu corpo já fracturado fisicamente. Vou segurando em ti o tempo que puder, e espero que me possas servir de apoio nos momentos que precisar.

Peço-te apenas que me garantas um lugar no coração, que me garantas um carinho na hora de dormir e, um incontrolável sorriso para dias de chuva, dias de mau agoiro, dias em que o sol deseje não brilhar os nossos três mundos. O teu, o meu e aquele em que vivemos juntos. Juntos é como anseias ficar, juntos é como eu faço para ficar. Seria crime se dissesse que me tinhas roubado a alma.

Em que mundo é que eu vou para a cama depois de e acordar depois de ti? Bem ficarei sempre à espera que me telefones a dizer que acordaste, que tiveste um sonho maravilhoso, em que sorrias, dançavas e cantavas e eu vou-te dizer que nunca deixar de pensar em ti desde que me levantei da cama onde dormias.

O amor é uma avalanche, leva tua à frente, só pára quando a força escasseia no interior, ou algo se atravessa no seu caminho com a capacidade de o parar.

segunda-feira, janeiro 26

A lado nenhum...



De cabelos louros, de olhos azuis como o céu do lado de fora da janela, de pele branca e vestido negro, fiquei enfeitiçado pela tua beleza. Olhava-te sempre que podia, olhava-te sempre que o meu coração me dizia «Olha para ela! Ela não te vai morder! Olha para aquele rosto, tão bonito!»

Poder conhecer o sabor doce dos teus lábios, poder dar-te a mão sempre que me apetecer, ligar-te a meio do trabalho mesmo sabendo que não vais atender, só para que quando vires a minha chamada me ligues logo a seguir, dizendo o quanto de saudades tens de me ver. Todos os dias despedir-me de ti com um beijo ora na testa, ora nos lábios. Ver-te recostar na cama, puxando cobertores para cima, enquanto eu me vou embora trabalhar. Ou que aconteça o contrário. Deitar-me ao teu lado e ao teu lado acordar. Não quero uma relação perfeita, não quero. Quero que chores quando me esqueço de te dizer que te amo, quando me esqueço de te dizer que sinto muito. Zanga-te comigo quando me esquecer do dia do nosso aniversário, quando me esqueço dos anos da tua mãe, ou dos dias que com tanto carinho agendas e organizas para que possamos sair juntos no fim-de-semana. Bate com a porta quando as palavras que me saírem da boca não forem as mesmas, quando for frio contigo, quando me esquecer de te ligar perguntando-te se está tudo bem. Bate-me, berra comigo quando te magoar, mas tem a humildade de me perdoar, tal como teu te perdoarei. Que seja uma relação com carinho, carregado de amor, de paixão, de lágrimas, de berros e mimos a meio da noite, de sexo louco a qualquer hora e em qualquer lugar.

Não sejamos hipócritas, judeus, gente de má-rês. Sejamos acima de tudo, gente, pessoas, com sentimentos e que nunca nos esqueçamos de dar ao outro o melhor de nós. É a promessa que quero fazer contigo. Não pensar no futuro como algo definitivo, mas fazer o hoje para que ele seja melhor do que é hoje. Sem amor não vamos a lado nenhum.

domingo, janeiro 18

Haja mais tempo...

 
O coração pesou-lhe no momento que estendeu os braços para me alcançar. As mãos começaram a tremer, as palavras saíram balbuciadas pela boca e o rosto ganhou a palidez da neve e as bochechas o afogueado da maçã madura. Os olhos soltaram lágrimas, não de tristeza, mas de uma felicidade complexa, incessante, que a penetrava a cada passo. Olhei-a de relance, jogando logo de seguida os olhos ao chão mordendo os lábios, na tentativa de apertar dentro de mim, de segurar às portas de cada um dos meus olhos, as lágrimas que me queriam fazer frágil. Mas, por muito que tentasse segurar, por mais que apertasse os olhos, não as pude controlar, foi também quando me deixei levar pelo momento e, as lágrimas pintaram-me o rosto. A voz tremeu ligeiramente ao saúda-la.
 
Ela passou a mão pelo cabelo, ajeitando-o, expondo o seu rosto triste e delicado. Acabei por me chegar a ela, de a apertar nos meus braços, de a elevar no ar e beijar-lhe qualquer parte do seu rosto, porque não queria nada mais do que sentir-lhe o corpo de novo, sentir-lhe a alma quente, o cheiro do perfume. Então ela pousou o rosto violentamente sobre o meu ombro, onde se aninhou, preparando-se para me falar, recebendo todo o amor que podia do meu corpo, tudo o que podia através daquele abraço apertado. Estava capaz de achar que me tinha chorado as saudades e a prórpia morte, bem ali no meu ombro. Retirei-a ao de leve e fitou-me o rosto. Cintilavam com tanta força, que podia ver os seus tenros olhos a andarem de um lado para o outro observando a minha cara, até que proferio algumas palavras de nó na garganta.
 
"Que desta vez haja mais tempo para nos conhecermos.”
 
Sorriu, fechou os olhos e refugiou-se no meu peito.

domingo, dezembro 28

Antes de nasceres...


Palavras caem gentilmente dos teus lábios e pousam sobre as minhas orelhas. 

Sozinho na escuridão choro alto e apareces tu com esse carinho nos braços, com esse amor que te afoga o coração no peito, entre essas costelas tão delicadas onde bate incansavelmente sem qualquer descanso. E dentro dessa mente de mulher tens tudo o que precisas para me levantar do chão. Fala só comigo, pois és apenas a única mulher que preciso, a seguir à minha mãe. 

Há uma voz que me fala dos medos. Há uma voz que me faz chorar de alegria, que me faz sentir que alguém se preocupa comigo, que ainda há quem seja amável para ver o melhor em mim. Há uma voz cuidadosa nas palavras que usa. E essa voz... Está nas palavras que ouço, nas palavras que leio, nas memórias que vou tendo. E não preciso de uma razão para dizer que não tenho medo de morrer, medo de perder o tacto do sentido da vida, medo de arriscar na vida, de saltar do topo do mundo, de dar o peito à espada, de dar tudo para vir a receber outro coração que não o meu.

«Já te amava muito antes de nasceres.» Matty Mullins - My Dear

sexta-feira, dezembro 26

Não te tive...

O natal passou. Mais um ano que não te tive, mais um ano que não te tenho. Entranho-me nas palavras, nas memórias, nos risos e lágrimas que vão povoando a minha cabeça. Vejo-te de rosto esbelto e sorridente, de voz calma e humilde. Tento descobrir-te, tento, viver com uma esperança que me possa alegrar o coração e todo o corpo. Que me aqueças como me aquecias antes. Hoje temo pela minha saúde mental mais do que antes, temo ainda mais pela saúde física, e menos pelo amor. Pois sem ele, durante estes últimos oito meses me tenho deixado ir com o vento. Mais dia menos dia, julgo que irei acabar como o esqueleto na cova, sem vida, sem amor, sem alma ou espírito que me faça agarrar a vida pelos cornos e dizer-lhe: "Esta é a minha vida e vou cuidar dela".

segunda-feira, dezembro 15

Apesar de não ter certezas...

 
Terá ela as costas das mãos tão suaves como a pele de um bebé? ou como o rosto de um homem depois de barba desfeita? Terá? Terá ela mãos tão doces como o beijo de uma mãe? Terá?
 
Pergunto-me se alguma vez caminhou pela terra coberta de legumes e vegetais da terra dos seus avós. Pergunto-me se alguma vez pegara numa enxada com o intuito de trabalhar a terra, ou se pelo menos sabe como é que os calos são adquiridos. Pergunto-me se terá ela a vontade de acordar ás 5 (cinco) da manhã para ir trabalhar, ou acordar ao meio da noite para acudir ao filho que chora desalmadamente pelo colo, pela mão suave e delicada da mãe, ou se não for choro de berreiro, é porque precisa da força do pai, do suspiro calmo e sonolento, que, cantarolando o vai adormecendo ao de leve, surpreendendo a mãe muitas vezes.
 
Pergunto-me se alguma vez ela será capaz de sujar as mãos com terra, ou qualquer outro tido de sujidade considerada horrenda para se tocar.
 
E agora pergunto-me a mim mesmo. Serei eu capaz de lhe pegar ao colo? De a acudir no choro, de saber falar-lhe calmamente, para lhe tirar do peito o stress, o mau olhado de que é alvo, ou os problemas que carrega no peito. Julgo que sim. Julgo que terei essa capacidade quando o momento surgir. E se não tiver, pelo menos até lá, tentarei sempre aprender com os erros que o passado me fez fazer, para que hoje e amanhã tenha o exemplo do que não devo fazer. Pergunto-me se correrá bem o resto da vida, de hoje até ao ultimo dia. Apesar de não ter certezas, espero que corra bem, ou pelo menos que haja mais felicidade do que tristeza.
 
A conversar, a partilhar, a viver, se vai ganhando/adquirindo a experiencia necessária para que o futuro se torne mais produtivo que o passado. E que assim seja, que daqui haja mulher capaz de pensar como eu, querendo tanto desta vida como eu o quero.

sexta-feira, dezembro 12

Se te voltasse a ver...


Há dias em que a cabeça quer sair de casa, mas não o corpo. O coração quer-se aventurar, mas não o corpo. Os olhos querem ver coisas novas, mas não o corpo. Tento achar um sentido para este momento em que o frio que me ataca os pés de noite quando estou deitado na cama, não é de uma rapariga, é do frio da noite, o frio do inverno que teima em ser esquisito e mesquinho. Começo a achar que esta sensação de frio constante é falta de amor.
 
Tenho planos, mas ninguém com quem os realizar. Conto os dias aos pares, conto as semanas, chegando a aperceber-me que não tarda muito e o ano acaba e eu de cama fria, de boca fechada, de olhos abertos para o tecto, de mãos e braços completamente pousados ao longo do corpo. A respiração abranda, o batimento quase que pausa, e à memória surge-me a rapariga do comboio, os seus olhos, a sua aparência tão menina, tão educada.
 
Poderia dizer que nada me acontece, mas tenho que admitir que tenho tido oportunidades que não tenho feito para as agarrar, ou porque sinto que não vale a pena, ou porque o não está sempre pronto a ser enviado. Mas "o se" nunca chega a ter resposta concreta.
 
Se te voltasse a ver, diante dos meus olhos, prometo aqui hoje, que se te voltar a encontrar, irei falar contigo. Mesmo que haja um não, ou negação da tua parte, irei falar contigo. Porque por mais estranho que te pareça o que te vou dizer, apesar de não saber se lês o que escrevo ou não, foste a única com quem me senti capaz de avançar e deter-te algumas palavras. Que seja a vida a dar-me frutos. Que seja.

terça-feira, dezembro 2

As minhas mãos sobre os teus ombros...


Ponho os olhos no teu peito, ponho as palavras na ponta da língua, coloco as minhas mãos sobre os teus ombros, sobre o teu rosto, sobre os teus cabelos. Olha para mim por-favor. Gosto de como o jeito ameaçador do teu olhar me faz arrepiar a pele do corpo. O sangue aflui ás tuas bochechas, as sardas ganham cor, os olhos intensificam o brilho, o corpo meça a tremelicar levemente. Separas os lábios enquanto esticas o pescoço para que o possa beijar. Mais do que desejar-te o corpo e a sexualidade, é perder tempo a conhecer-te, a entender-te, a sobreviver ao dia-a-dia com a preocupação no coração. Com borboletas na barriga, tendo-te no pensamento quase constantemente. Mais o teu sorriso, mais o teu "amo-te", mais o "gosto de ti". Há tanto que merecemos. E mais do que sermos felizes, merecemos desaparecer do mundo quando entramos em casa. A nossa única casa onde podemos pintar as paredes de negro, onde as palavras poderão sair sem que os outros se preocupem com a nossa vida. Com os nossos sentimentos preocupamos-nos nós e a nossa vida é feita apenas por nós.

Oh amor, que história contam os outros sobre o passado que tivemos? Surgem como leões na savana a querer apoderar-se da nossa vida, como se fizessem questão de nos fazer sentir de que não há sitio nenhum no mundo onde nos podemos esconder dos seus olhares, das suas cruéis palavras, dos gestos, dos horrores que querem provocar, das mentiras que espalham como sendo verdade. Acreditam eles que assim tocam o céu e que o inferno será para nós. Diria antes, tal como tu, que o céu irá arder e o inferno irá ganhar a luz que injustamente plantaram no céu.

Dizem que a verdade dói. Querem eles levantar a guerra. Sorte a deles que estamos em tempo de prendas.

sexta-feira, novembro 28

O que tenho não chega...

Se tudo o que tenho não me chega a completar, se tudo o que tenho, de alguma maneira não me faz falta, porque teimo em colocar na cabeça que tu me fazes uma falta imensa, uma falta com um tamanho tão grande que não consigo caracterizar? Porquê? Porque continuo a achar que as saudades de beijar e acariciar lábios, a saudade de pegar na mão de alguém me continuam a deixar tão indeciso? 

Quando penso em mudar a minha vida por inteiro, começar do zero, numa cidade diferente, num sitio novo, com rostos e gentes novas, com costumes diferentes daqueles a que estou habituado, e isso dá-me sorrisos, e muitos, devo eu dizer. Pretendo arriscar neste momento na minha vida, de a alterar e fazer as coisas por mim, sem ter este ou aquele nome, sem ter esta ou aquela cunha. Quero o meu nome, deixado por mim, criado por mim. E na volta deste arriscar de vida, conhecer a alma gémea, se não for gémea que pelo menos me seja querida, me seja simpática e delicada nas vozes, nas acções, na personalidade.

Quero começar a vida de novo e fazê-la florescer numa outra cidade, esta onde vivo, não me dá esperanças. Esta onde vivo, já está demasiado atulhada de "não dá", atulhada de "falta de oportunidades".

quarta-feira, novembro 19

As palavras saíram-me da boca...


 As palavras saíram-me da boca como se fossem a coisa mais cruel do mundo. O teu olhar ganhou um brilho, não de paixão ou de amor, mas das lágrimas que soltaste tão dolorosamente. Pareciam queimar-te o rosto. A cada lágrima, a cada engolir de saliva, a cada palavra que tentavas proferir era como uma facada, como um cortar de pulsos. Engoliste por fim em seco e respondeste às minhas palavras. As bochechas rosaram, os olhos ficaram apertados e vermelhos. As mãos tremeram e também a voz lhes ganhou o jeito. Balbuciaste meras palavras de sofrimento. Querias gritar mas não conseguias. Podia ver a dor a tomar conta dos teus olhos, o aperto no coração tão delicado.

Hoje não estou disponível para tomar conta de ti. Limpa as lágrimas e levanta-te. O dia ainda não acabou. Faz-te forte, faz-te mulher. Hoje vais ter de te levantar sozinha.

domingo, novembro 9

Aquela que ficou...



Cada vez que me lembro do seu rosto, é como se pudesse sentir e apreciar o carinhoso e gentil trato que ela, carregou em tempos no coração. As suas mãos generosas, bem como as palavras que da sua boca saíram, sempre com tanto carinho, com tanto cuidado, com tanto gosto e dedicação. O que hoje, é tão difícil encontrar em mulher alguma. Apesar de não lhe saber o tom da voz, gosto de imaginar que era como uma melodia, como a voz de alguém que tem dentro de si o coração de um anjo e o amor do mundo. O pulsar do seu coração certamente que era calmo, teimoso de sentimentos, raivoso quando contrariado e deliciosamente afável quando era afagado no peito do seu amado. As mãos tremeram-lhe todas as vezes que lhe tocara no rosto, cada vez que lhe saboreou a ponta dos lábios, cada vez que os olhos cruzaram a linha do horizonte. O corpo frágil de mulher susteve no colo três filhos, susteve ainda no pescoço e no peito, as facas de dois gumes que com tanto ódio, tanta raiva, tanta cegueira causada pela inveja, lhe tirou a vida. A ela. A ti! À mulher que "Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas."

"O melhor tipo de pessoa é aquela que fica" Ela de nome Agnez Peres De Castro, ficou até ao ultimo minuto, junto daquele que dela nunca os olhos tirou, nem desde o primeiro dia. A ela nunca uma mão levantou, e dela, nenhuma do regaço tirou.

O amor que no peito tinha...


Apesar de tudo, quem virou as costas ao mundo fui eu. Quem agora maltrata quem me gosta sou eu, porque podem elas mostrar o interesse por mim, que eu pouco ou nada lhes dou como resposta aos sinais que me enviam. O toque de cabeça, o colocar o cabelo atrás das orelhas, o cruzar e descruzar pernas com frequência, o olhar incessante que me dirigem, com vontades. Vontades de me tocar, de me falar, de me dizerem tudo o que o coração as faz sentir. Dou comigo a pensar que fiquei frio. Que a ausência do corpo feminino, não tanto o corpo, mas talvez o seu calor, as suas mãos, os seus lábios, o seu amor, a sua preocupação, me tenham deixado frio. Ou então foi a vida que me pôs mais homem e veja no seu olhar (nas mulheres que me olham) que ainda não estão preparadas para mim. Ou estarei eu distante de mais dos sentimentos? A ausência que tenho dado À escrita têm me deixado mais apático ás emoções. E com isso talvez não seja capaz de sentir com facilidade o que elas sentem por mim. Eu deixei de esperar por ela. E, com isso, talvez depois de tanto tempo a escrever sobre o amor que no peito tinha assim se foi de dentro de mim.

Eu quero acreditar que é apenas uma fase estranha e complicada da minha vida, que devo ter ficado assim, depois de ter visto os outros a ganhar amizades para a vida, a juntarem-se, a casarem-se, a serem pais. Talvez tenha sido tudo isto que me tenha tirado da alma as emoções. Talvez. Quero apenas acreditar que é uma fase.

Acredito que seja temporário.

domingo, novembro 2

Pousar a cabeça...

O frio atacou levemente pela manhã, sem que déssemos por ele ao acordar. Pôs-se em geito de escondida bem atrás de todas as portas que davam para a rua e de todas as janelas que chegámos a abrir com o intuito de deixar os raios de sol e o seu calor entrar livremente. Mas o que aconteceu foi que também o frio veio com ele e inundou a casa com o seu frio, com o seu bafo gélido. O vento aquele inimigo do animal e do homem. Tomámos banho de água fria para aquecer os corpos com mais rapidez e vestimos as roupas de inverno.

Nos meus pensamentos estavam a ideia de aproveitar o dia para ir passear, de aproveitar o sol que nos alegrou e aqueceu o coração. Mas não, hoje será um dia para ficar por casa, para estender a manta sobre o chão e ir buscar ao armário um cobertor, ficando sentados em frente à televisão, mesmo que não estejamos a ligar-lhe alguma, cada um com a sua ferramenta de trabalho. Eu de lápis, papel e imagens na mão e tu de livros e caderno no colo. Tendo na mesa à nossa frente o chá quente a fumegar. E à medida que o tempo vai passando, também tu vais ganhando um sono, um mimo no cérebro que te faz pousar a cabeça sobre o meu ombro e recostando-te, adormeces.

 O inverno chegou.

sábado, outubro 25

Essas coisas que te estragam a pele...

´

Debaixo de toda essa base, dessa máscara que pintas com tanto gosto, com tanta dedicação todos os dias antes de sair de casa, acredito que esteja algo ainda mais belo do que as linhas pretas por baixo e cima dos olhos, as longas pestanas, o rímel, o bâton, os pós, todas essas coisas que te estragam a pele. E essa máscara, essa segunda pele que vestes num ritual diário não é, não mostra a pessoa que por dentro se transforma, que sente, que vive, que pensa, que ama, que toca e deseja, que vive do calor das chamas do futuro e das cinzas do passado.

Há dias em que a minha mão chega mais cedo do que a tua ao teu rosto. Chega mais cedo para te impedir de te pintares, de te transformares em algo que não és por dentro. Deixa que a natureza te dê a beleza naturalmente, meu amor. Tu és linda, tu és perfeita e deverias evitar usar essas coisas. Sabes como me faz impressão ver-te toda sarapintada, toda perfeita, sem rugas, sem pontos negros no rosto, no nariz, sem marcas da vida no rosto. Prefiro ter-te ao meu lado na cama em que não usas qualquer tipo de maquilhagem do que ter-te pintada, escondendo as cicatrizes que a vida te dá.

quinta-feira, outubro 23

Choras uma promessa...


Sussurro-te ao ouvido as palavras de conforto. Pudesses sentir o que eu sinto. Pudesses entender o que eu tento para te fazer entender. Há coisas, meu amor, que não sei como te explicar. Não te consigo explicar como o teu sorriso me aquece o peito, como as tuas mãos suaves me alegram o sorriso, como os teus lábios me enchem de alegria.

Fechas os olhos e choras uma promessa. Observas-me enquanto choro diante de ti, enquanto te prometo algo que para mim faz sentido e para ti faz só uma pequena confusão no coração. Tocas-me o rosto com intenção de me dares carinho. Beijas-me os lábios e choras de novo. Como és bonita! Como és bonito! Já pouco sei como te fazer sentir especial. Já pouco sei como deixar-te de coração cheio, de barriga carregada de borboletas, de sorriso estranho no rosto ou um certo brilhar nos olhos. Por muito que eu tente, acho difícil voltar a sentir-te da mesma maneira como senti por outras no passado. E é difícil agora que a visão do mundo é outra, que o amor é-me vazio e estranho no corpo, haja alguém capaz de forjar de novo o coração e os seus sentimentos.

Dia em que sol não brilha, coração não se aquece sozinho.

terça-feira, outubro 21

Saiu-lhe do rosto...


Sorriste para mim, olhaste com o desejo de me tocar. Mas o mordiscar de lábio mostrou-me que não me podias tocar, mesmo que pudesses, não podias, algo impedia que te atirasses a mim, mesmo que tivesses sorrido com os olhos. Dificilmente saberás o timbre da minha voz, a cor dos meus olhos com detalhe. Eu não sou teu, mas desejarias que o fosse. A alma é minha, mas desejarias que a partilhasse contigo. A casa é minha, mas queria-la para ti se soubesses que eu tenho uma. Hoje não me esperava sentir assim. Os olhares eram tantos, os sorrisos discretos eram ainda mais, os movimentos que mostravam o interesse eram visíveis e eu sabendo deixa-as que me observassem. Houve uma que me lançou um olhar que me mostrou ser mais do que interesse, foi um desejo. E feriu-lhe o coração quando me afastei dela e me viu com outra rapariga. O sorriso saiu-lhe do rosto e os olhos entristeceram levemente. 

Sei que haverá outro dia. Talvez aí tenhas a coragem para soltar de novo um sorriso e eu irei certamente ter contigo. Caso nos voltemos a encontrar.

segunda-feira, outubro 20

Eu sei que posso eu não ser o tal...

Ela está diante do altar e eu sentado na plateia observando aquela cerimonia tão maravilhosa, tão ao seu jeito. O casamento perfeito, com tudo o que ela sempre sonhou, com tudo o que ela sempre quis. É tão bom vê-la com aquele brilho no rosto e a lágrima pronta a sair do canto do olho. Quando o padre está prestes a casa-la com o homem que com ela vai para sempre ficar, levanto-me e tudo olha para mim, tudo suspira alto e o meu coração começa a bater com muita força. Eu quero falar mas a minha voz não sai, quero andar, mas nem do lugar consigo sair. E é então que solto estas palavras:
"Há uma coisa que te preciso de contar antes de te deixar ir, para que de alguma maneira eu possa finalmente descansar de todo este constante arranhar de coração."

Eu sei que posso eu não ser o tal, aquele com quem não decidiste casar, que posso não ser o homem perfeito para ti, ou aquilo com que sempre sonhaste todos estes anos de vida, eu sei que sou imperfeito e que posso por vezes ser uma pessoa difícil, eu sei. Mas quando se trata de ti tudo muda, o mundo cala e, à volta tudo fica silencioso. Dás-me alegrias em formas de sorriso, em formas de amor, de carinho, de mimos, de sons, os sons agradáveis da tua voz, a paz que habita nos teus olhos e o brilho que deles iluminam o meu coração, a minha alma. É agradável sair contigo, estar contigo, fazer tudo contigo. É agradável ver-te sorrir. Oh como me encanta ver-te de sorriso posto no rosto e com um leve brilho nos olhos da cor do caramelo. Os teus beijos são mimos do céu, são encantos de alma que não consigo engolir. Adoro a suave pele das tuas mãos, das bochechas rechonchudas e calorosas que se pintam de vermelho ou cor-de-rosa quando te faço corar, ou te encanto a alma. A tua voz acarinha-me o coração e, acalma-me o peito. Adoro como tu choras, é tão doce e desajeitada, tão meiga e delicada. Gosto de ti e não sei bem porquê. Gosto de ti assim, com esse olhar com que me olhas agora, com esse carinho que carregas no peito, com esse orgulho que trazes na ponta da língua, na atitude tão louca que por vezes te fere e faz o sangue correr desalmadamente pelo teu corpo. Adoro quando bates o pé e dizes o que tens a dizer. Adoro quando colocas a mão sobre o meu peito e me dizes para ter calma. Gosto da maneira como caminhas, como as tuas ancas se movem. Podes não ser perfeita aos teus olhos, podes achar que tens milhares de imperfeições, tenho-te a dizer que se não fosses tão imperfeita, também nunca serias tão perfeita dentro dessas tuas imperfeições. Completas-me e nada mais me importa.

Todos os momentos que passamos juntos são tão fortes, tão completos e naturais. A tua maneira de ser cativa-me o espírito, motiva-me a alma. Esse bichinho que escondes de toda agente, esse pequenino segredo que escondes em cantos e recantos no coração, esse delicado amor que fechas a sete chaves dentro de ti seja apenas usado com as pessoas de quem gostas. A certeza de que serás uma grande mulher, uma maravilhosa mãe com uma vida cheia e completa faz-me querer dizer-te mais do que estas simples palavras. Por mais que eu tente não sei como te dizer aquilo que me fazes sentir. É complicado dizer-te as coisas boas que me fazes sentir. Sair contigo é viver outra vida.

Por cada dia que te via, mesmo que fosse ao longe, o meu coração batia com tanta força que o conseguia sentir a querer sair-me do corpo, a querer rasgar o peito para ir ter contigo. Adoro a tua maneira de falar, o tom da tua voz, o suspiro que tens na tua respiração. Adoro quando me olhas com esse brilho nos olhos, quando me seguras na mão e dizes que não me queres perder, que não queres que me vá embora e, eu sinto o mesmo, eu sinto o mesmo quando me beijas com esses lábios tão delicados, sinto o mesmo quando te delicio a testa com mimos. Adoro quando o teu corpo toca no meu, quando te enroscas no meu peito e ficas com um olhar bebe, com um olhar doce e carinhoso. Gosto quando berras e quando choras. Gosto quando dizes que vais embora e acabas por voltar atrás e pedir desculpa e beijas-me como no nosso primeiro dia, o dia me que te pedi para tomar café.

A tua voz não pertence à terra, mas ao céu.
Tens vida dentro de ti!
Pedro Miguel Mota 29-12-2013 (Escrito às 23:09)

quarta-feira, outubro 15

A chuva lava-me...

Uma semana sem o teu sorriso é tão cruel como a faca abrir uma ferida na minha mão. Tenho a tua melancolia no meu olhar. Continuas a ter em ti uma vida estranha, uma vida que te dá alentos quando sorris com o desejo que a chuva pare de cair, que o sol volte a dar-te calor, que as nuvens se parem de formar e os relâmpagos que iluminam e serpenteiam os céus abrandem ou desapareçam com o seu horroroso som que te deixa tão aflita. E aflito fico eu quando passo semanas sem ouvir uma palavra tua, sem saber onde andas, sem saber o que sentes.


A chuva lava-me a mente e o coração. Fico vazio, fico apático e a tua ausência facilita ainda mais o estado melancólico em que fico.