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domingo, novembro 9

O amor que no peito tinha...


Apesar de tudo, quem virou as costas ao mundo fui eu. Quem agora maltrata quem me gosta sou eu, porque podem elas mostrar o interesse por mim, que eu pouco ou nada lhes dou como resposta aos sinais que me enviam. O toque de cabeça, o colocar o cabelo atrás das orelhas, o cruzar e descruzar pernas com frequência, o olhar incessante que me dirigem, com vontades. Vontades de me tocar, de me falar, de me dizerem tudo o que o coração as faz sentir. Dou comigo a pensar que fiquei frio. Que a ausência do corpo feminino, não tanto o corpo, mas talvez o seu calor, as suas mãos, os seus lábios, o seu amor, a sua preocupação, me tenham deixado frio. Ou então foi a vida que me pôs mais homem e veja no seu olhar (nas mulheres que me olham) que ainda não estão preparadas para mim. Ou estarei eu distante de mais dos sentimentos? A ausência que tenho dado À escrita têm me deixado mais apático ás emoções. E com isso talvez não seja capaz de sentir com facilidade o que elas sentem por mim. Eu deixei de esperar por ela. E, com isso, talvez depois de tanto tempo a escrever sobre o amor que no peito tinha assim se foi de dentro de mim.

Eu quero acreditar que é apenas uma fase estranha e complicada da minha vida, que devo ter ficado assim, depois de ter visto os outros a ganhar amizades para a vida, a juntarem-se, a casarem-se, a serem pais. Talvez tenha sido tudo isto que me tenha tirado da alma as emoções. Talvez. Quero apenas acreditar que é uma fase.

Acredito que seja temporário.

domingo, novembro 2

Pousar a cabeça...

O frio atacou levemente pela manhã, sem que déssemos por ele ao acordar. Pôs-se em geito de escondida bem atrás de todas as portas que davam para a rua e de todas as janelas que chegámos a abrir com o intuito de deixar os raios de sol e o seu calor entrar livremente. Mas o que aconteceu foi que também o frio veio com ele e inundou a casa com o seu frio, com o seu bafo gélido. O vento aquele inimigo do animal e do homem. Tomámos banho de água fria para aquecer os corpos com mais rapidez e vestimos as roupas de inverno.

Nos meus pensamentos estavam a ideia de aproveitar o dia para ir passear, de aproveitar o sol que nos alegrou e aqueceu o coração. Mas não, hoje será um dia para ficar por casa, para estender a manta sobre o chão e ir buscar ao armário um cobertor, ficando sentados em frente à televisão, mesmo que não estejamos a ligar-lhe alguma, cada um com a sua ferramenta de trabalho. Eu de lápis, papel e imagens na mão e tu de livros e caderno no colo. Tendo na mesa à nossa frente o chá quente a fumegar. E à medida que o tempo vai passando, também tu vais ganhando um sono, um mimo no cérebro que te faz pousar a cabeça sobre o meu ombro e recostando-te, adormeces.

 O inverno chegou.

sábado, outubro 25

Essas coisas que te estragam a pele...

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Debaixo de toda essa base, dessa máscara que pintas com tanto gosto, com tanta dedicação todos os dias antes de sair de casa, acredito que esteja algo ainda mais belo do que as linhas pretas por baixo e cima dos olhos, as longas pestanas, o rímel, o bâton, os pós, todas essas coisas que te estragam a pele. E essa máscara, essa segunda pele que vestes num ritual diário não é, não mostra a pessoa que por dentro se transforma, que sente, que vive, que pensa, que ama, que toca e deseja, que vive do calor das chamas do futuro e das cinzas do passado.

Há dias em que a minha mão chega mais cedo do que a tua ao teu rosto. Chega mais cedo para te impedir de te pintares, de te transformares em algo que não és por dentro. Deixa que a natureza te dê a beleza naturalmente, meu amor. Tu és linda, tu és perfeita e deverias evitar usar essas coisas. Sabes como me faz impressão ver-te toda sarapintada, toda perfeita, sem rugas, sem pontos negros no rosto, no nariz, sem marcas da vida no rosto. Prefiro ter-te ao meu lado na cama em que não usas qualquer tipo de maquilhagem do que ter-te pintada, escondendo as cicatrizes que a vida te dá.

quinta-feira, outubro 23

Choras uma promessa...


Sussurro-te ao ouvido as palavras de conforto. Pudesses sentir o que eu sinto. Pudesses entender o que eu tento para te fazer entender. Há coisas, meu amor, que não sei como te explicar. Não te consigo explicar como o teu sorriso me aquece o peito, como as tuas mãos suaves me alegram o sorriso, como os teus lábios me enchem de alegria.

Fechas os olhos e choras uma promessa. Observas-me enquanto choro diante de ti, enquanto te prometo algo que para mim faz sentido e para ti faz só uma pequena confusão no coração. Tocas-me o rosto com intenção de me dares carinho. Beijas-me os lábios e choras de novo. Como és bonita! Como és bonito! Já pouco sei como te fazer sentir especial. Já pouco sei como deixar-te de coração cheio, de barriga carregada de borboletas, de sorriso estranho no rosto ou um certo brilhar nos olhos. Por muito que eu tente, acho difícil voltar a sentir-te da mesma maneira como senti por outras no passado. E é difícil agora que a visão do mundo é outra, que o amor é-me vazio e estranho no corpo, haja alguém capaz de forjar de novo o coração e os seus sentimentos.

Dia em que sol não brilha, coração não se aquece sozinho.

terça-feira, outubro 21

Saiu-lhe do rosto...


Sorriste para mim, olhaste com o desejo de me tocar. Mas o mordiscar de lábio mostrou-me que não me podias tocar, mesmo que pudesses, não podias, algo impedia que te atirasses a mim, mesmo que tivesses sorrido com os olhos. Dificilmente saberás o timbre da minha voz, a cor dos meus olhos com detalhe. Eu não sou teu, mas desejarias que o fosse. A alma é minha, mas desejarias que a partilhasse contigo. A casa é minha, mas queria-la para ti se soubesses que eu tenho uma. Hoje não me esperava sentir assim. Os olhares eram tantos, os sorrisos discretos eram ainda mais, os movimentos que mostravam o interesse eram visíveis e eu sabendo deixa-as que me observassem. Houve uma que me lançou um olhar que me mostrou ser mais do que interesse, foi um desejo. E feriu-lhe o coração quando me afastei dela e me viu com outra rapariga. O sorriso saiu-lhe do rosto e os olhos entristeceram levemente. 

Sei que haverá outro dia. Talvez aí tenhas a coragem para soltar de novo um sorriso e eu irei certamente ter contigo. Caso nos voltemos a encontrar.

segunda-feira, outubro 20

Eu sei que posso eu não ser o tal...

Ela está diante do altar e eu sentado na plateia observando aquela cerimonia tão maravilhosa, tão ao seu jeito. O casamento perfeito, com tudo o que ela sempre sonhou, com tudo o que ela sempre quis. É tão bom vê-la com aquele brilho no rosto e a lágrima pronta a sair do canto do olho. Quando o padre está prestes a casa-la com o homem que com ela vai para sempre ficar, levanto-me e tudo olha para mim, tudo suspira alto e o meu coração começa a bater com muita força. Eu quero falar mas a minha voz não sai, quero andar, mas nem do lugar consigo sair. E é então que solto estas palavras:
"Há uma coisa que te preciso de contar antes de te deixar ir, para que de alguma maneira eu possa finalmente descansar de todo este constante arranhar de coração."

Eu sei que posso eu não ser o tal, aquele com quem não decidiste casar, que posso não ser o homem perfeito para ti, ou aquilo com que sempre sonhaste todos estes anos de vida, eu sei que sou imperfeito e que posso por vezes ser uma pessoa difícil, eu sei. Mas quando se trata de ti tudo muda, o mundo cala e, à volta tudo fica silencioso. Dás-me alegrias em formas de sorriso, em formas de amor, de carinho, de mimos, de sons, os sons agradáveis da tua voz, a paz que habita nos teus olhos e o brilho que deles iluminam o meu coração, a minha alma. É agradável sair contigo, estar contigo, fazer tudo contigo. É agradável ver-te sorrir. Oh como me encanta ver-te de sorriso posto no rosto e com um leve brilho nos olhos da cor do caramelo. Os teus beijos são mimos do céu, são encantos de alma que não consigo engolir. Adoro a suave pele das tuas mãos, das bochechas rechonchudas e calorosas que se pintam de vermelho ou cor-de-rosa quando te faço corar, ou te encanto a alma. A tua voz acarinha-me o coração e, acalma-me o peito. Adoro como tu choras, é tão doce e desajeitada, tão meiga e delicada. Gosto de ti e não sei bem porquê. Gosto de ti assim, com esse olhar com que me olhas agora, com esse carinho que carregas no peito, com esse orgulho que trazes na ponta da língua, na atitude tão louca que por vezes te fere e faz o sangue correr desalmadamente pelo teu corpo. Adoro quando bates o pé e dizes o que tens a dizer. Adoro quando colocas a mão sobre o meu peito e me dizes para ter calma. Gosto da maneira como caminhas, como as tuas ancas se movem. Podes não ser perfeita aos teus olhos, podes achar que tens milhares de imperfeições, tenho-te a dizer que se não fosses tão imperfeita, também nunca serias tão perfeita dentro dessas tuas imperfeições. Completas-me e nada mais me importa.

Todos os momentos que passamos juntos são tão fortes, tão completos e naturais. A tua maneira de ser cativa-me o espírito, motiva-me a alma. Esse bichinho que escondes de toda agente, esse pequenino segredo que escondes em cantos e recantos no coração, esse delicado amor que fechas a sete chaves dentro de ti seja apenas usado com as pessoas de quem gostas. A certeza de que serás uma grande mulher, uma maravilhosa mãe com uma vida cheia e completa faz-me querer dizer-te mais do que estas simples palavras. Por mais que eu tente não sei como te dizer aquilo que me fazes sentir. É complicado dizer-te as coisas boas que me fazes sentir. Sair contigo é viver outra vida.

Por cada dia que te via, mesmo que fosse ao longe, o meu coração batia com tanta força que o conseguia sentir a querer sair-me do corpo, a querer rasgar o peito para ir ter contigo. Adoro a tua maneira de falar, o tom da tua voz, o suspiro que tens na tua respiração. Adoro quando me olhas com esse brilho nos olhos, quando me seguras na mão e dizes que não me queres perder, que não queres que me vá embora e, eu sinto o mesmo, eu sinto o mesmo quando me beijas com esses lábios tão delicados, sinto o mesmo quando te delicio a testa com mimos. Adoro quando o teu corpo toca no meu, quando te enroscas no meu peito e ficas com um olhar bebe, com um olhar doce e carinhoso. Gosto quando berras e quando choras. Gosto quando dizes que vais embora e acabas por voltar atrás e pedir desculpa e beijas-me como no nosso primeiro dia, o dia me que te pedi para tomar café.

A tua voz não pertence à terra, mas ao céu.
Tens vida dentro de ti!
Pedro Miguel Mota 29-12-2013 (Escrito às 23:09)

quarta-feira, outubro 15

A chuva lava-me...

Uma semana sem o teu sorriso é tão cruel como a faca abrir uma ferida na minha mão. Tenho a tua melancolia no meu olhar. Continuas a ter em ti uma vida estranha, uma vida que te dá alentos quando sorris com o desejo que a chuva pare de cair, que o sol volte a dar-te calor, que as nuvens se parem de formar e os relâmpagos que iluminam e serpenteiam os céus abrandem ou desapareçam com o seu horroroso som que te deixa tão aflita. E aflito fico eu quando passo semanas sem ouvir uma palavra tua, sem saber onde andas, sem saber o que sentes.


A chuva lava-me a mente e o coração. Fico vazio, fico apático e a tua ausência facilita ainda mais o estado melancólico em que fico.

segunda-feira, outubro 13

Verbalização de palavras...


Ela olhou-me com um desejo. Olhou-me com vontades. Olhou-me só, penso eu. Olhou-me e penetrou-me no corpo, tocou-me na alma, sugou-me a vida, roubou-me o sorriso e, no fim. Antes de ir embora ainda esboçou um sorriso.

Muito antes tínhamos estado a falar, não me lembro já bem do quê, não me quero lembrar já. Ela surria, mas não tanto como aquele olhar seguido de um sorriso tão brilhante. Não foi um sorriso de despedida, foi um sorriso de um até já. E permaneço assim estranho, com uma mão agarrada ao coração e a outra a bater com as pontas dos dedos na testa, com o desejo de tentar perceber que sentimento é este, que sentimento foi aquele e, onde irá tal situação dar. Agarrei-me ao que tinha no momento e falei, falei como se a conhecesse, como se fossemos amigos. Terei feito bem? Julgo que não, facilitou-me a verbalização de palavras, ajudou-me a impedir a balbuciação dessas mesmas palavras. Tinha ela o corpo virado para mim, e por vezes sacudia o cabelo e voltava-lhe a mexer de tempos em tempos como se lhe estorva-se a consciência, o pensamento.

Ela disse que gostava do meu olhar. Foi nesse momento que se levantou e foi embora, assim me lembrei do meu primeiro beijo. Estranho e excitante.

quarta-feira, outubro 8

O que não se vive...


Aos poucos a chuva pára e eventualmente o calor do sol terá capacidade de te aquecer o rosto. Os dias vão ficando mais compridos à medida que o outono deixa chegar o inverno. E no inverno é quando o coração te aquece mais sobe o peito. Aquece-te a alma, aconchega-te o coração, alivia-te os pesadelos e faz atormentar as más decisões. É a altura do ano em que olhas para a tua aliança e fazes uma introspecção sobre o que aconteceu durante todo o ano, não só pessoal como familiarmente. E aquela aliança, além de representar um sentimento, um momento, um amor, um afável gosto, é também o sinónimo de uma luta diária constante. Porque (e vou ser sincero) se não fosse essa aliança no dedo a relembrar-te do meu rosto, a relembrar-te da minha voz, das minhas mãos suaves a passar pelo teu rosto, dos meus lábios quentes a pousar sobre os teus que tão frios ficam nesta altura do ano, se não fosse essa aliança, certamente que haveria não só na tua cabeça, mas também na minha, um ser to desconforto, não que o anel signifique que pertencemos um ao outro, mas ajuda-nos a entender que, estamos ligados emocionalmente a alguém e certamente estará a pensar em nós nos momentos em que olha para a aliança.

O que não se vive com o coração não pode ser escrito na pedra.

terça-feira, outubro 7

Uma postura bonita...



Ajoelho-me diante de ti para que possas sentir de melhores maneiras aquilo que tenho para te dizer. Não espero que respondas de imediato, espero sim que entendas o que eu digo, e tentarei de alguma forma colocar palavra por palavra o pensamento, a ideia, o assunto delicado que tenho há muito para te contar, de maneira que ao ouvires o possas entender, colocando bem a voz, usando a maneira como se diz, e as palavras que se dizem, para que não hajam enganos ledos e cegos de alma.

Hoje é um dia especial, tanto para mim como para ti. É o dia em que escolhemos finalmente dar o nó na nossa relação, dar o nó na corda que usávamos para nos comunicarmos todos os dias. Hoje é um dia especial e gostaria de o ter eterno no coração, eterno na memória. Pude eu ter tido a oportunidade de namorar com outra rapariga que não tu, pude até ter dito que não à tua proposta de namoro e não estaria hoje aqui ajoelhado diante de ti, vestido assim destas maneiras e o poder olhar para esse sorriso tão lindo, tão brilhante, tão contagiante e carinhoso. Adoro a maneira como me tratas, não só a mim mas também ao que te rodeia. Não és perfeita e é certo que nunca espero muito de ti, porque todos temos os nossos dias, as nossas falhas, as nossas quedas, os nossos podres. E de alguma maneira tens conseguido manter uma postura bonita, sem muitos deslizes, sem muitos desvaneios de alma, sempre com peso e medida. Eu posso ser por vezes pouco preocupado, ou até desmotivado e intolerante em certas alturas, mas acredita que no fundo deste meu coração o que mais quero neste mundo e desde o momento que te conheci o nome e a voz, era poder dar-te tudo o que de bom tenho. Pensava desta maneira: Irei tratar-te como se fosses minha filha. Tirando a parte de que tu tens a tua vida, as tuas escolhas e eu só te daria a opinião se soubesse o que estava a dizer, ou na eventualidade de tu ma pedires.

O que me faz hoje ajoelhar diante de ti é o facto de que sempre conseguiste ser mulher, com ou sem defeitos, foste e és mulher, cheia de amor e carinho, sempre pronta a ajudar. Tens o sorriso mais bonito de todas as mulheres, excepto o da minha mãe. Tens a força de vontade capaz de me elevar quando estou em baixo. E adoro quando me ponho doente e me tratas com tanto amor, com tanto carinho, como se fosse o teu bem mais precioso. Há coisas que não te sei explicar, que não sei ainda como tas descrever. Talvez mais tarde quando a idade pesar no corpo, talvez aí eu saiba explicar o que me vai concretamente no coração. Até lá só posso agradecer todo o tempo que gastaste ao meu lado, todo o apoio, incentivo, todo o amor e humildade que desse corpo, que dessas mãos saíram.

sábado, outubro 4

Da corda que entre nós cortaste...


Soubesse eu que tu irias desistir de tudo o que o tempo construiu. Que te irias deixar derrotar assim à primeira oportunidade. Podes até chorar, podes gritar o quanto quiseres, eu já não estou ao teu lado para te calar o grito e colher essas lágrimas. Deves agora sofrer sozinha. Também eu sofro com a distancia que teimaste em criar. Com a distancia que deixaste que acontecesse entre ti e o sentimento que tinhas sobre mim, se é que alguma vez tiveste algum sentimento dentro de ti que fosse sobre mim.   Faz parecer que tudo o que me disseste aos ouvidos, tudo o que me fizeste sentir, na realidade era um engano, uma mentira, uma crueldade dada ao coração. Agora não passas de uma memória. De uma cruel memória que por breves minutos se torna num pesadelo.

O teu rosto continua a ser simpático, a tua orelha delicada, os teus olhos cheios de força, mas o teu coração virou pedra fria, tornaste-te algo que não previa.

Independentemente da corda que entre nós cortaste, continuas a ser mulher, continuas a ter um coração que precisa de ser amado e cuidado, tal como eu necessito de um certo conforto. Que encontres finalmente quem realmente te faça florescer de novo o sorriso no rosto.

sexta-feira, outubro 3

Tornas as coisas difíceis...



O Sorriso foi a primeira coisa que apreciei no teu rosto. Jovem, livre e espontâneo. Um sorriso controlado sem querer mostrar demasiado dele, sem que seja demasiado cobiçado. Deixas que o olhar fale por ti. Sinto-me estranho ao olhar-te, ao ver-te o olhar que por vezes se fica pela timidez, mesmo que o corpo mostre o contrário, que queres muito mais do que palavras, do que beijos nas bochechas do rosto. Tornas as coisas difíceis quando com esses olhos carregados de uma ternura jovem e sedutora me querem por inteiro, sem metades, sem medos e rodeios. Ganho um medo que me faz tremer o coração. Não é o beijar-te ou tocar-te suavemente pelo corpo, é o perder a voz, perder a força nas mãos, perder a força para respirar, para te dar a mão e viver.

Tens um espírito carinhoso dentro de ti, uma coisa estranha e rara ao mesmo tempo.

domingo, setembro 28

Tenho-te à minha janela...

De Wuthering Heights (2011)
Tenho-te à minha janela e estás tão bonita que não sei se devo sair ou convidar-te a entrar. A luz do candeeiro de rua ilumina-te os ombros, mas escurece-te o rosto. Sorris. Sei que o fazes porque te vejo um certo brilho nos olhos e esse brilho é difícil de disfarçar. Esta noite põem-se um delicado nevoeiro e uma charmosa melodia no ar. Cantas, não com palavras mas com pequenos sons saídos da tua garganta, como se embalasses a lua para que adormeça depressa. Queres que a noite passe devagar, queres agarrar-te ao meu braço e sorrir sobre o meu ombro, queres olhar-me nos olhos enquanto me fazes perguntas. Queres que te aqueça o coração com palavras pequeninas e preciosas, com beijos sobre a testa e outros sobre as costas das mãos. Queres ouvir-me falar porque gostas de ouvir os outros, dizes tu que é o teu pior defeito, ouvir os outros, ouvir e ouvir e raramente falar.

Tenho-te à minha janela de sorriso estampado no rosto, numa mão seguras o prático chapéu de chuva e a outra mão deixas-la dentro do bolso para que quando me segurares o pescoço para que o beijo seja doce e controlado eu não me queixe da mão fria.

Sinto que me encantas. que me corres nas veias como se fosses uma doença.

quarta-feira, setembro 24

Aquela coisa...


O silêncio é aquela coisa que te deixa apática de sentimentos. Sofres de tal maneira o frio que povoa a casa, o vazio e o silêncio que impestam o teu quarto, que chegas a chorar agarrada a almofada. O corpo fica-te frio e nesses momentos chegas a querer cometer loucuras ao teu corpo para aliviar os sentimentos estranhos que sofres na cabeça e no coração.

Tens complexos contigo própria e isso arruinou a relação que tinhas com ele, com o rapaz que sempre conseguia tirar de ti um sorriso, uma lágrima de felicidade, um gosto, um encanto que fazia a alma rejuvenescer. Nesse mar de emoções confusas e silenciosas, há um único som no mundo que te faz esquecer tudo o que te atormenta e esse som é o som da trovoada. Nos dias em que o céu se cobre de negro e as estradas de um azul escuro, o coração acalma, a respiração abranda e o teu rosto ganha um alivio, não sorris, mas quem olha para ti sente que estás bem.

O teu corpo encolhe com a solidão e quando alguém te sorri, ganhas um brilho nos olhos. E aquele sorriso é o sopro da vida a puxar por ti, a dizer-te de maneiras mais tenras: "Vá! Continua."

segunda-feira, setembro 22

A maneira como olhas...


Oh Inês, eu não sou ingénuo. Eu vejo bem a maneira como olhas para ele e não me olhas da mesma maneira. Deve ser amor e ambos sabemos que não é entre nós. Não, eu não quero ser adorado, não quero que me digas que fico bonito de azul para apenas disfarçares o gosto que tens de olhar para ele. Gosto quando falas para mim no escuro e dizes o meu nome.

Posso ficar em tua casa hoje à noite? Para poder sentir o teu corpo a desejar o meu.

E pela ultima vez, tira esse olhar triste do rosto, mesmo que isso te dê um ar carinhoso e delicado, prefiro ver-te de sorriso, sempre faz melhor a nós dois.

sábado, setembro 20

O vento frio...


O sorriso saiu-te do rosto com a mesma rapidez com que a tempestade se pôs. 
Não te preocupes que a trovoada já passa. A fonte de terror já passa. Concentra-te agora na televisão, esquece as nuvens escuras, os raios que iluminam os céus, as gotas de água que alagam os telhados, o vento frio que faz abanar as árvores. Vai aquecer chá e pôr pão a torrar, eu vou acender a lareira da sala e ligar o iMac para vermos um filme esta tarde. E se isso não for suficiente para te afastar o pensamento da terrível trovoada que decidiu estacionar aqui, iremos para a cama cobrirmos-nos com os cobertores.

Tenta não ligar ao que se passa lá fora e ela certamente que vendo-se ignorada se irá embora num abrir e fechar de olhos. Tão simples como dar um gole rápido na caneca de chá quente e uma trincadela nas torradas carregadas de tanta manteiga.

Sempre vestiste a camisola que te ofereci. Estás deslumbrante.

sexta-feira, setembro 19

Que uses com gosto...


Tenho um presente para ti. O tipo de presente que condiz com a estação do ano que se avizinha e com o tempo que veio para ficar até ao fim do ano. Mal posso esperar para que chegues a casa para que possas abrir a prenda que tenho para te oferecer. Foi comprada com carinho, foi comprada com a intenção de te ter sempre quente e calorosa, para afastar do corpo os males, as constipações, as febres e dores de cabeça. E mais ainda impedir que tenhas aquelas dias maus em que não te apetece colocar um pé à frente do outro.

Espero que uses com gosto. Acho que condiz com a tua personalidade. 

quarta-feira, setembro 17

Tenho saudades...


Tenho saudades dos dias de cumplicidade.

sábado, setembro 13

A tua mãe diz...

Diz a tua mãe que não sou digno do sorriso que surge no teu rosto. Diz ela também que não mereço todo o carinho, todo o tempo que tens dispensado comigo, que não sou aquele com quem deverás casar, que não devo ser o homem que partilhará o resto da vida contigo, o cuidar de um ou mais filhos, cuidar da casa e levantar-me todos os dias de manhã para ir trabalhar. Para ela eu não posso passar da linha que nos une por mais um pedaço do tempo. E quando lhe dizes que sou eu o homem que escolheste para chorar, gritar e ter filhos, ela diz-te zangada e de maneiras que toda a mulher conhece, de te colocar contra mim, ou pelo menos numa tentativa de te fazer perder a cabeça e de caíres na realidade. Mas na tua realidade eu estou ao teu lado, ela pode dizer que irás desiludir-te ao perceberes o tempo que perdeste supostamente comigo.

É uma pessoa adorável a tua mãe, quando coloca de lado toda a raiva, todas as infelicidades que a vida já lhe dera, e acredito que ela diga muitas das coisas só da boca para fora para nos chatear, mais a mim do que a ti. Ela ainda julga que casar com alguém rico irá fazer-te feliz. Vê-de o casamento quase arranjado da tua irmã, a vida que ele tem e a estranha vida que ela vai vivendo.

A tua mãe diz...

quarta-feira, setembro 10

Tenta...


Escondeste do mundo como se quisesses deixar de sentir o seu cheiro, deixar de sentir o desconforto que te causa no peito, a ansiedade que te causa a cada vez que te atiras às ruas com a vontade de viver. Tens medo de ser esquecida, medo de não ser correspondida, medo de não seres bonita suficiente para o rapaz que tanto desejas amar. Escondeste do mundo com o desejo que o tempo cuide de todas as cicatrizes que ganhaste com a vida e com isso te tornes na pessoa maravilhosa que julgas não ser. Porque fazes isso? 

Porque tens de ser tão fria quando te toco? Porque não aceitas o amor e a atenção de alguém que realmente se preocupa contigo? Sentes que precisas de ser forte sozinha sem ter de necessitar a ajuda de ninguém. É isso que eu vejo quando viras o rosto para o lado quando te tento confortar. Contudo o beijo suave sobre a testa permanece a coisa que mais gostas de receber, mesmo que teimes em bater-me no peito ou apertar-me os braços com força.

Conheces-me bem, sabes como sou.
Para mim nada mais importa quando te vejo desistir de lutar. Sentes o mundo a desabar sobre ti? Imagina como fica o meu quando vejo as lágrimas que se soltam sobre o rosto tornam-te ainda mais frágil, insegura. Olha bem para ti, liberta-te dessas mágoas, desses terrores que te assombram, dessas maldades que criaste dentro de ti, julgando que te tornariam mais forte, mais resistente ao olhar e ao trato do homem. Vê no que te tornaste. Estou aqui ao teu lado desde que decidiste ficar assim, distante das gentes, distante de mim, distante das nossas conversas tidas com uma bela caneca de café. Estamos perto um do outro fisicamente e apesar de tentar ter-te comigo desse modo e em jeito intelectual, achas que já mais te irei entender. Tenta.

Poderão os nossos corações ser amigos?