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domingo, setembro 28

Tenho-te à minha janela...

De Wuthering Heights (2011)
Tenho-te à minha janela e estás tão bonita que não sei se devo sair ou convidar-te a entrar. A luz do candeeiro de rua ilumina-te os ombros, mas escurece-te o rosto. Sorris. Sei que o fazes porque te vejo um certo brilho nos olhos e esse brilho é difícil de disfarçar. Esta noite põem-se um delicado nevoeiro e uma charmosa melodia no ar. Cantas, não com palavras mas com pequenos sons saídos da tua garganta, como se embalasses a lua para que adormeça depressa. Queres que a noite passe devagar, queres agarrar-te ao meu braço e sorrir sobre o meu ombro, queres olhar-me nos olhos enquanto me fazes perguntas. Queres que te aqueça o coração com palavras pequeninas e preciosas, com beijos sobre a testa e outros sobre as costas das mãos. Queres ouvir-me falar porque gostas de ouvir os outros, dizes tu que é o teu pior defeito, ouvir os outros, ouvir e ouvir e raramente falar.

Tenho-te à minha janela de sorriso estampado no rosto, numa mão seguras o prático chapéu de chuva e a outra mão deixas-la dentro do bolso para que quando me segurares o pescoço para que o beijo seja doce e controlado eu não me queixe da mão fria.

Sinto que me encantas. que me corres nas veias como se fosses uma doença.

quarta-feira, setembro 24

Aquela coisa...


O silêncio é aquela coisa que te deixa apática de sentimentos. Sofres de tal maneira o frio que povoa a casa, o vazio e o silêncio que impestam o teu quarto, que chegas a chorar agarrada a almofada. O corpo fica-te frio e nesses momentos chegas a querer cometer loucuras ao teu corpo para aliviar os sentimentos estranhos que sofres na cabeça e no coração.

Tens complexos contigo própria e isso arruinou a relação que tinhas com ele, com o rapaz que sempre conseguia tirar de ti um sorriso, uma lágrima de felicidade, um gosto, um encanto que fazia a alma rejuvenescer. Nesse mar de emoções confusas e silenciosas, há um único som no mundo que te faz esquecer tudo o que te atormenta e esse som é o som da trovoada. Nos dias em que o céu se cobre de negro e as estradas de um azul escuro, o coração acalma, a respiração abranda e o teu rosto ganha um alivio, não sorris, mas quem olha para ti sente que estás bem.

O teu corpo encolhe com a solidão e quando alguém te sorri, ganhas um brilho nos olhos. E aquele sorriso é o sopro da vida a puxar por ti, a dizer-te de maneiras mais tenras: "Vá! Continua."

segunda-feira, setembro 22

A maneira como olhas...


Oh Inês, eu não sou ingénuo. Eu vejo bem a maneira como olhas para ele e não me olhas da mesma maneira. Deve ser amor e ambos sabemos que não é entre nós. Não, eu não quero ser adorado, não quero que me digas que fico bonito de azul para apenas disfarçares o gosto que tens de olhar para ele. Gosto quando falas para mim no escuro e dizes o meu nome.

Posso ficar em tua casa hoje à noite? Para poder sentir o teu corpo a desejar o meu.

E pela ultima vez, tira esse olhar triste do rosto, mesmo que isso te dê um ar carinhoso e delicado, prefiro ver-te de sorriso, sempre faz melhor a nós dois.

sábado, setembro 20

O vento frio...


O sorriso saiu-te do rosto com a mesma rapidez com que a tempestade se pôs. 
Não te preocupes que a trovoada já passa. A fonte de terror já passa. Concentra-te agora na televisão, esquece as nuvens escuras, os raios que iluminam os céus, as gotas de água que alagam os telhados, o vento frio que faz abanar as árvores. Vai aquecer chá e pôr pão a torrar, eu vou acender a lareira da sala e ligar o iMac para vermos um filme esta tarde. E se isso não for suficiente para te afastar o pensamento da terrível trovoada que decidiu estacionar aqui, iremos para a cama cobrirmos-nos com os cobertores.

Tenta não ligar ao que se passa lá fora e ela certamente que vendo-se ignorada se irá embora num abrir e fechar de olhos. Tão simples como dar um gole rápido na caneca de chá quente e uma trincadela nas torradas carregadas de tanta manteiga.

Sempre vestiste a camisola que te ofereci. Estás deslumbrante.

sexta-feira, setembro 19

Que uses com gosto...


Tenho um presente para ti. O tipo de presente que condiz com a estação do ano que se avizinha e com o tempo que veio para ficar até ao fim do ano. Mal posso esperar para que chegues a casa para que possas abrir a prenda que tenho para te oferecer. Foi comprada com carinho, foi comprada com a intenção de te ter sempre quente e calorosa, para afastar do corpo os males, as constipações, as febres e dores de cabeça. E mais ainda impedir que tenhas aquelas dias maus em que não te apetece colocar um pé à frente do outro.

Espero que uses com gosto. Acho que condiz com a tua personalidade. 

quarta-feira, setembro 17

Tenho saudades...


Tenho saudades dos dias de cumplicidade.

sábado, setembro 13

A tua mãe diz...

Diz a tua mãe que não sou digno do sorriso que surge no teu rosto. Diz ela também que não mereço todo o carinho, todo o tempo que tens dispensado comigo, que não sou aquele com quem deverás casar, que não devo ser o homem que partilhará o resto da vida contigo, o cuidar de um ou mais filhos, cuidar da casa e levantar-me todos os dias de manhã para ir trabalhar. Para ela eu não posso passar da linha que nos une por mais um pedaço do tempo. E quando lhe dizes que sou eu o homem que escolheste para chorar, gritar e ter filhos, ela diz-te zangada e de maneiras que toda a mulher conhece, de te colocar contra mim, ou pelo menos numa tentativa de te fazer perder a cabeça e de caíres na realidade. Mas na tua realidade eu estou ao teu lado, ela pode dizer que irás desiludir-te ao perceberes o tempo que perdeste supostamente comigo.

É uma pessoa adorável a tua mãe, quando coloca de lado toda a raiva, todas as infelicidades que a vida já lhe dera, e acredito que ela diga muitas das coisas só da boca para fora para nos chatear, mais a mim do que a ti. Ela ainda julga que casar com alguém rico irá fazer-te feliz. Vê-de o casamento quase arranjado da tua irmã, a vida que ele tem e a estranha vida que ela vai vivendo.

A tua mãe diz...

quarta-feira, setembro 10

Tenta...


Escondeste do mundo como se quisesses deixar de sentir o seu cheiro, deixar de sentir o desconforto que te causa no peito, a ansiedade que te causa a cada vez que te atiras às ruas com a vontade de viver. Tens medo de ser esquecida, medo de não ser correspondida, medo de não seres bonita suficiente para o rapaz que tanto desejas amar. Escondeste do mundo com o desejo que o tempo cuide de todas as cicatrizes que ganhaste com a vida e com isso te tornes na pessoa maravilhosa que julgas não ser. Porque fazes isso? 

Porque tens de ser tão fria quando te toco? Porque não aceitas o amor e a atenção de alguém que realmente se preocupa contigo? Sentes que precisas de ser forte sozinha sem ter de necessitar a ajuda de ninguém. É isso que eu vejo quando viras o rosto para o lado quando te tento confortar. Contudo o beijo suave sobre a testa permanece a coisa que mais gostas de receber, mesmo que teimes em bater-me no peito ou apertar-me os braços com força.

Conheces-me bem, sabes como sou.
Para mim nada mais importa quando te vejo desistir de lutar. Sentes o mundo a desabar sobre ti? Imagina como fica o meu quando vejo as lágrimas que se soltam sobre o rosto tornam-te ainda mais frágil, insegura. Olha bem para ti, liberta-te dessas mágoas, desses terrores que te assombram, dessas maldades que criaste dentro de ti, julgando que te tornariam mais forte, mais resistente ao olhar e ao trato do homem. Vê no que te tornaste. Estou aqui ao teu lado desde que decidiste ficar assim, distante das gentes, distante de mim, distante das nossas conversas tidas com uma bela caneca de café. Estamos perto um do outro fisicamente e apesar de tentar ter-te comigo desse modo e em jeito intelectual, achas que já mais te irei entender. Tenta.

Poderão os nossos corações ser amigos?

segunda-feira, setembro 8

Transformar as feridas em cicatrizes...

Foste a única. Foste a única que arriscou a dar-me a mão, a única que assumiu a relação de tantas outras, a única que teve a coragem em concorrer com os demónios que me queriam habitar o coração. Foste a única a ganhar tal batalha, foste a única que depois de cair, não desistiu e me voltou a dar a mão para me ajudar a aprender de novo a andar.

Há já tanto tempo que tinha perdido o jeito de caminhar, de falar, as boas maneiras de comer. Sentia-me tal e qual como o Monstro da Bela. Foste tu a Bela que entrou no coração com o intuito não só de ajudar, como de me amar como sou. Ficaste o tempo que quiseste, ficaste o tempo suficiente para me ver de novo erguer. Enquanto as outras não acreditavam em mim, foste tu a única que teve a ousadia de me beijar o rosto e dizer que ia ficar tudo bem, foste a única que me tocou o coração sem uma única palavra, sem um único beijo, apenas e simplesmente a tua suavis vox.

É tudo uma questão de transformar as feridas em cicatrizes. E fazes das cicatrizes momentos de alegria únicos.

domingo, setembro 7

O facto de te ver partir...


Provavelmente não será tanto o facto de te ver partir, mas mais o de me ter de ir embora, deixando-te para trás com um sorriso estranho e um olhar de confusão. Posso ver-te duas ou três vezes por dia, e a conversa não passar do "olá, tudo bem", mas fico satisfeito que já exista a interacção de duas ou três palavras. É bom sinal. Julgo eu que o seja, ou não fosse eu gostar da voz e do suave sorriso que fazes surgir de maneiras tão subtis na tua face.

Talvez já não saiba falar com uma rapariga. Talvez na minha cabeça haja outras coisas mais importantes do que sexo, lábios e rabos. Talvez sejam as palavras a tomar conta de mim, os livros e as suas letras. Terei eu perdido o jeito?

quinta-feira, setembro 4

Amo-te


Amo-te a ti e às sestas de fim-de-semana.

Não é difícil...

Não é difícil amar alguém. É difícil amar algo que não existe, algo que já existe na ideia do pensamento. Digo difícil de amar no sentido físico, porque psicologicamente amamos mais o que criamos na cabeça do que as coisas que nela colocamos ou deixamos colocar pelos outros. E é estranho falar ti, pois quando falo de ti imagino vários rostos, vários corpos, várias cores para os teus olhos, várias personalidades, várias coisas sobre ti, apesar de que a única coisa que não muda é o nome que te dou, continua sempre o mesmo.Eu entendo porque o faço e mesmo que fosses tu verdadeira, fosses tu realmente genuína como me és em pensamento, eu todos os dias vinha a este canto deixar pedaços de mim em jeito de palavras para que mais tarde pudéssemos ler as coisas boas pelo quais passámos, sem tirar as coisas más que nos ficaram na memória.

Olho pelo quarto e vejo-te a ti erguida de pé e sinto coisas tão boas que não sei como te as devo explicar.

domingo, agosto 31

Estranho as maneiras carinhosas...


Estranho as maneiras carinhosas como o teu corpo se chega ao meu e de como os teus braços envolvem o meu tronco na esperança de me aquecer o peito que vai ficando frio. Ele fica frio com a tua ausência, talvez seja por isso que estranho mais o teu corpo junto ao meu do que a cama vazia nos dias em que não estás, ou quando a noite me chama para trabalhar e não posso fazer companhia ao teu calor, à tua alma, ao teu amor.

Por vezes quando te enroscas em mim, quando te aninhas sobre o meu peito encostando a orelha ao meu corpo para sentires o meu coração, sentes de uma maneira ou de outra a calma que te trago, talvez tenha sido por isso que te aproximaste tanto de mim e quando me levanto para ir ao quarto de banho me puxas de novo para a cama, para te confortar, para te preencher o coração com delicadas canções, com deliciosas pequenas histórias inventas para te ver sorrir.


O meu coração é tão delicado como a natureza de um girassol. Quando não há sol deprime, quando há sol enche o peito de forças. Quando não estás sofro de saudades, quando estás ao meu lado volto a sentir de novo a vida a bater-me no peito.

sexta-feira, agosto 22

Menos enraivecido...

Fervilha na minha mente a ideia de te ter nos meus braços. Tenho formigueiros nas pontas dos dedos quando abraço a almofada durante a noite julgando que és tu, que é o teu corpo que agarro, que é o teu rosto que vejo que são os teus lábios que beijo. Mas na realidade não passas de uma simples almofada. Estico-me sobre a cama na esperança de ouvir um resmungar indelicado pronunciado com uma voz feminina, mas outra vez, não ouço, não sinto.

O teu perfume ainda reside no quarto-de-banho. Será que ainda me visitas? Será que surges durante a noite para espalhar o perfume suave, tão delicado e aconchegante que faz sentir menos saudoso do teu pescoço, menos enraivecido com as palavras saídas da tua boca?

Sou cheio de pecados. E há algo dentro de mim não consegue apagar os teu silenciosos sorrisos das minhas memórias, do sabor que os teus lábios continham, da força bruta de mulher que os teus braços e mãos erguiam contra o meu corpo quando te apertava em abraços.

Ó menina de olhos verdes...

domingo, agosto 17

Eu criei-te...

Eu criei-te, pedaço a pedaço, detalhe a detalhe. Construí-te à minha imagem, perfeitíssima. Cada vez que vejo o teu rosto asseguro-te de que não me arrependo de nada, então porque haverias tu? Não há nada em ti que não adore, que não seja capaz de dizer que estou orgulhoso com a mulher que tenho todos os dias diante de mim, de esbelto sorriso. 


Agarra-te a mim quando achares que estás a afundar-te. Corre até mim quando julgares que não consegues andar mais. Meu doce, chora no meu peito quando a vida for injusta para ti. Percorre o meu rosto com as tuas mãos, procura as imperfeições e beija-as com carinho e eu tratar-te-ei das feridas que o coração não deixa cicatrizar.

É a tua voz a coisa mais doce que prefiro ouvir todos os dias sobre os meus ouvidos. Essa voz, esse instrumento tão ternurento, tão carinhoso, doce e delicado, tal como as mãos que tens, tal como a alma que dentro de ti se acanha quando me beija, quando me toca e me deseja. Olha para mim quando não conseguires ver o mundo com clareza. Não tenhas medo quando me sentires por perto. Meu amor, fica calma e percebe que estou junto a ti. Eu já mais tirei os meus olhos de ti. Eu seguro a tua mão em todas as situações que passares. Nunca estarás sozinha. Carregar-te-ei por todos os altos e baixo, por todas as coisas em que precises de alguém para te apoiar, para te ouvir, de te apertar com mais força quando precisares de um abraço que te faça sentir viva, calma, segura e que te acalme as batidas de coração. Quando houver dias em que sentires que o mundo desaba sobre os teus ombros recordar-te de que estou sempre a teu lado.


Vem cair sobre os meus braços para que te possa de novo seduzir. Rende a tua mão sobre o meu peito, falece gentilmente esses lábios sobre os meus e deixa que o tempo os faça despegarem-se. Por vezes tornas-te um labirinto quando não queres ouvir as outras pessoas, em dias de choro, de maldade sobre esse coração. A maldade que as gentes e o mundo teimam em depositar sobre ele, sobre ti.

Quando em pequena caiaste de joelhos sobre o chão, soltaste lágrimas de dor, de sofrimento, e foste de maneiras tão delicadas agarrar-te aos joelhos, chorando. Foi nesse momento que deuses e anjos choraram pela primeira vez, e foi por ti.

quarta-feira, agosto 13

Já alguma vez pensaste...

Já alguma vez pensaste que chegarias a ver o mundo das maneiras que o vês? Que a visão que temos do mundo mudaria ao longo dos tempos e que o amor iria ajudar a maneira como nos vemos a nós próprios, como vemos e nos damos com os outros. E que o acharmos a vida adulta a coisa mais simples de todas, se tornaria na mais complexa, mais desgastante e desonesta que há?

Alguma vez pensaste que te tornarias na pessoa que és hoje, que chegarias a amar quem já amaste, que irias chorar por pessoas que te chegaram a tocar de maneiras tão complexas que te deixavam com um nó na garganta impedindo-te de falar e outro nos pulmões que te impediam de respirar.

O mundo pode ser estranho e por vezes confuso, mas tenho a certeza de que quando juntamos as mãos, o que era complexo se torna simples e fácil. Teremos também de ter a certeza e o cuidado a quem damos a mão, pois a pessoa a quem a damos terá de ter tanta confiança em nós como nós nele. Terá essa pessoa de nos proteger dos males do mundo e nós a ela. 


Entendes o que te quero dizer?
Que te dou a mão porque tenho confiança em ti.

domingo, agosto 10

Somos dois tolos...

Fecha os olhos meu amor. Deixa que te prove de novo os lábios para saber de que são feitos, a que sabem eles, a que devo eu a honesta e a maravilhosa oportunidade de saborear tais instrumentos de carinho. Num dia falamos de amor, no outro vivemos o ardor que nos consome o coração, que nos arrebita o corpo, que nos coloca de mãos a suar em bica, ou quando se ganha uma incerta comichão na cabeça, ou mesmo até em dias de frio em que os corpos se junto e dele nascem as maiores cumplicidades entre dois corpos, entre duas almas, entre duas pessoas que até então só falavam do amor que sentiam um pelo outro.

Colocamos as mãos nos bolsos um do outro na tentativa de dar o melhor de nós. Unimo-nos um ao outro com outra tentativa de fazer o nosso amor continuar a viver muito depois de termos morrido, ou caso queiras perceber melhor do que te falo, unimos os nossos corpos na tentativa de adiar a morte, de nos fazer sentir com a vida que nos foge pela ponta dos dedos, que nos foge do corpo sem nos dizer, sem nos perguntar, sem avisar.

Diz-me de que maneira preferes ser abraçada.
Diz-me de que maneira é que os meus beijos te fazem sentir especial.
Diz-me de que jeitos preferes o meu corpo.

Somos dois tolos quando se trata de falar de amor.

quinta-feira, julho 31

Deve ela ser humilde...


Deve ela ser humilde.

Sim! Humilde e com um grande coração. Que não tenha medo de sorrir, que não tenha medo de falhar, de se levantar sozinha ou pedir ajuda. Que seja orgulhosa mas que saiba dar o braço a torcer. Que seja corajosa o suficiente para pegar na vida pela mão ou quando esta lhe falhar, que lhe pegue pelos cornos. Que saiba dar valor às pequenas coisas e saiba dar e receber, principalmente dar e que não tenha medo de dar e partilhar. Que seja ela honesta, que seja ela sincera, que seja ela mulher com os seus defeitos e sabia assumir os seus erros, sem medos, sem vergonhas. Saiba ser mulher com responsabilidade, com maturidade. Que seja mãe, que seja mulher acima de todas as coisas e saiba usar as palavras para conseguir ganhar. Não ganhar de se tornar orgulhosa ou digna de algo, mas que saiba usar as palavras para mostrar (quando certa) que as coisas são "estas" e "não aquelas". Que não julgue ou aponte o dedo aos erros dos outros. Saiba dar a volta e mostrar a sua visão, o seu ponto de vista.

Tenha ou não dinheiro. E se tiver que seja humilde e que não se vanglorie-se que o tem, que tem poder, que tem isto ou tem aquilo. Saiba ela dar o valor às pequenas coisas que não se compram com dinheiro e sim aquelas que se adquirem com um sorriso, ou o simples obrigado. Seja capaz de valorizar cada gesto de carinho, de atenção, de compaixão, de amor e ternura. Seja ela sensível aos problemas dos outros e educada, mas que não torne a vida dos outros a sua. Seja ela firme na postura e na voz quando tal for necessário. Seja rainha ou princesa, mas não tenha medo ou vergonha de lavar casas-de-banho, que não tenha medo ou vergonha de meter as mãos na terra, que não tenha nojo quando limpar o rabo ao filho. Seja ela princesa ou rainha mas saiba como é viver como a gente pobre do povo e lhes dê valor. Que tenha coragem para continuar. E no dia em que se preocupar se é ou não uma boa mãe, que coloque os olhos na mãe dela e pense nas coisas boas e más que a fizeram tornar-se na mulher que é hoje e que isso sirva de exemplo. As boas atitudes prevalecem sempre. Deve ela ser humana!

O orgulho exagerado faz a alma horrorosa.

domingo, julho 27

Enquanto fores uma ilusão...

Era já altura de me dizeres onde foste desencantar esse sorriso. Em que lugar estranho e imundo foste tu recuperar a leveza do teu olhar. Em que melodia foste buscar o alegre canto, o leve timbre e essa tão doce voz. Até onde foste capaz de ir para conquistar esse angélico rosto, esse corpo feminino de formosas formas. Conta-me o teu segredo...

Sempre vi em ti um olhar tão digno e nobre, tão forte e cheio de vida que poderia jurar que as palavras que em tempos Homero escreveu se possam hoje aplicar a ti. «não parecia filha dum mortal, mas sim dum Deus».

Talvez enquanto fores uma ilusão, uma simples ideia do que não tenho em mim, do que gostava de poder tocar fora do que sou, fora deste corpo. Poder tocar um corpo que não o meu. O de conseguir sentir outras mãos sobre o meu rosto que não as minhas. Outras lágrimas sobre o peito que não as que me magoam quando as solto. Que as dores no peito sejam causadas pelas saudades de alguém e, a tristeza que me invade a alma e me faz tremer como se fosse um velho fossem causadas por algum beijo amargo sobre os meus lábios.

sábado, julho 26

Sobre o olhar atento...

Sobre o olhar atento das trinta e duas pessoas que sentadas nas suas cadeiras ansiosamente esperavam pela cerimónia, atravessas-te tu à frente do meu olhar, radiante, saída de uma preta limousine, acompanhada do teu pai que fez questão de te abrir a porta e estender a mão, cumprimentando-te como um verdadeiro cavalheiro. Pude ver a lágrima a rolar-te pelo rosto, mesmo que tentasses não chorar por causa do momento, por causa das fotografias que viriam a seguir, soltaste uma lágrima e o teu pai amparou-te no seu ombro quando o abraças-te, quando o apertaste contra ti como se fosse a ultima vez que visses o sorriso extraordinário do teu pai.

Seguraste-o pelo braço, ou terá sido ele a fazer isso? Foi ele quem tomou as rédeas naquele momento. Estavas a tremer e ele acalmou-te beijando-te a têmpora direita, também ele tremendo. Mas tremia por ver a sua filha casar. Caminharam lentamente pelo corredor entapetado de vermelho e esticando o meu braço recebi-te. Chorei ao sorrir-te, ao ter-te diante de mim, tão bela, tão radiante e perfeita, com esse sorriso branco, com esses olhos verdes, com esse carinho no rosto e esse amor suave pela ponta dos dedos.

Sim! Choraste tu.
Sim! Sorri-te eu.


Duas árvores. Foi nisso que nos tornámos nesse dia.