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domingo, março 16

Voltou a manifestar...



Chegaste quando menos precisava de ti, quando menos queria algo contigo. Apareceste com o nevoeiro nas noites de inverno. Surgiste como o mar sobre as praias, como o mar que forma ondas enormes e cruas que levam tudo consigo não deixando nada para mais tarde ser apreciado. Tiveste esse efeito em mim, levaste tudo o que tinha para te dar ao inicio, sugaste-me a vida e durante semanas julguei que estaria a desfalecer, julguei que o meu fim estaria próximo. Levaste tudo o que eu era, levaste consigo todas as minhas forças e durante dias não disseste uma palavra, durante dias que não sorriste para mim, temi que nunca mais viesse a recuperar aquilo que soltei, aquilo que te dei de tão bom agrado. E quando já tudo parecia desabar sobre mim eis que surges de sorriso rasgado no rosto e uma lágrima negra a tocar na bochecha indo alojar-se no teu queixo. Abriste a boca e com a voz tão suave com a brisa que se sente no inicio do verão disseste : 

"Desculpa! Foi o medo que me fez separar de ti! Foi o medo!"

Quando a tua voz capturada pelo silêncio se voltou a manifestar foi apenas para dizer: 

"Perdoa-me!".

As lágrimas tomaram conta de mim, a minha voz ficou rouca e pude sentir a garganta a dar nós em si mesma, impedindo-me de falar. Mas ganhei coragem, engoli em seco, arranhei a garganta com as pontas dos dedos e falei: 

"Temi nunca mais voltar a ver-te, temi que este amor que tinha sobre o meu peito, este ardor que me crescia tão desalmadamente sobre o corpo secasse com a tua ausência, mas não foi isso que aconteceu, tive medo de nunca mais te ver, de nunca mais poder conversar contigo, de nunca mais podermos voltar a sair juntos, de te beijar os lábios delicados e segurar-te nas mãos que tal como as minhas teimam em ficar suadas quando se juntam uma na outra. Temi que a minha vida deixasse de ser importante para mim, pois tanto fiz para encontrar uma alma tão parecida como a minha que me ajudasse a encontrar e realizar os mesmos sonhos e quem sabe os sonhos um do outro, porque tal como tu eu nunca te julguei os sonhos, nunca te calei, nem nunca os matei."

Ela - Senti a tua falta! Falta de ouvir a tua voz e saudades de te ouvir resmungar...
- Não fui só eu que senti a tua falta, também a rua sentiu a tua ausência!
Ela - Sabes sempre como me encantar!

sexta-feira, março 14

Podemos não ser ricos...


Podemos não ser ricos. Podemos não chegar a sair de portugal. Podemos até não vestir as melhores marcas, ter e comprar das melhores marcas, mas o mais importante é nos termos um ao outro, porque nada é mais perfeito do que um sorriso ao fim do dia, nada é mais bonito que dar e receber um beijo, um carinho, uma preocupação em jeito de abraço, em jeito de um amor ternurento e silencioso.

Um simples sorriso consegue comprar tudo.
Se chegar a falhar não tem mal, haverá outro dia para se tentar.

Podemos não ser ricos, mas a maior riqueza que posso ter, é poder olhar para o mundo de frente e saber que não devo nada a ninguém, que ao olhar-te nos olhos sei que tenho sorte por te manteres ao meu lado, por me dares a mão e suportares as indelicadezas que chegam por vezes a sair de mim.


Podemos não ser ricos e, sabendo isso, até acho que chegamos a cuidar muito bem um o outro.

domingo, março 9

Que nome se dá...


Eras tudo o que eu sempre desejei na minha vida. Tu com o teu sorriso, com os teus amores sobre o peito, com as palavras meigas e carinhosas a saírem-te da boca, as expressões maravilhosas que tinhas sobre o rosto. Sempre te vi como o melhor amigo, como o meu melhor namorado, como o meu homem, o pai dos meus filhos. Sempre te vi como a maior loucura que alguma vez fiz na minha vida amorosa, na minha relação com alguém. No inicio quando as lágrimas me corriam o rosto faziam-me sentir bem, sentia-me alegre porque as lágrimas eram provocadas pelos teus risos, pelas tuas carinhosas e loucas palavras. 

Mas agora meu amor, agora choro quando levantas a mão e me gritas. Choro quando me puxas os cabelos, quando me bates no rosto ou me magoas no peito e, o coração dói. O meu coração dói-me tanto e custa-me tanto olhar para trás, olhar e recordar tudo o que tivemos, tudo o que fizemos um com o outro para agora estarmos assim. Eu estar assim. Custa-me a engolir a comida, custa-me ainda mais saber que vais chegar a casa e que a primeira coisa que possas fazer em vez de me dares um beijo nestes lábios doridos ou afagares com carinho este corpo que por vezes sinto já não ser o meu, custa-me saber que vais chegar a casa e que me irás levantar a mão para me bater, que irás puxar-me os cabelos, gritar comigo e chamar-me todo o tipo de nomes que tiveres para dizer.

O que fiz eu meu amor? O que fiz eu para merecer ser tratada assim?

Todos os dias o mundo vai-se embora. Todos os dias a vida parece desaparecer-te do seio, do peito. Todos os dias perdes a batalha e, quando a noite se põem o medo apodera-se de ti, envolve-te o estômago com borboletas, com ansiedades descomunais e não sabes o que fazer. Algo em ti provoca medo, pavor, vontade de querer fugir, de desaparecer, de morrer. Por vezes desejavas nunca o ter conhecido. És uma pessoa e tens sentimentos, tens uma boca e sabes falar, sabes escrever, sabes comunicar.  Sê forte o suficiente para dizer não ao que a vida te tem dado até hoje. Diz-lhe não, diz-lhe que as coisas não são como ela quer, que quem decide és tu, porque tu podes escolher. Escolhe!

Que nome se dá ao homem que coloca as mãos na mulher?
Que nome se dá ao homem que não é capaz de defender a filha?
Ainda dizem que o amor que lhes têm, é forte. Talvez mais forte do que o amor, seja a mão que cai sobre o rosto deixando-o marcado e, as palavras que fazem feridas impossíveis de cicatrizar.

Protege o que tens. Enfrenta o mal.

quarta-feira, março 5

Alguém para amar...


Eu não minto ao dizer que te adoro. Eu não minto ao dizer que gostava de te deter com abraços, de te deter com conversas curtas ou longas no café, ao telefone, por mensagens, ou quando o fim-de-semana se propõem, possamos sair para um passeio a dois onde nos preocupamos apenas um com o outro, sem pensar em mais nada, sem pensar em mais ninguém.

Gosto, adoro, encanto-me por completo quando pousas a tua cabeça no meu ombro. Preciso mesmo de alguém assim como tu. Alguém forte o suficiente para aguentar com as dificuldades da vida. Alguém para amar assim como tu.

terça-feira, março 4

O meu mais (in)delicado amor...


E se eu eu te contar que és importante para mim? Acreditarias no que te chegasse a dizer?
És a única mulher que até hoje me deu o peito não como um sitio de prazer, mas como um canto seguro e delicado onde pudesse descansar a cabeça. Foste a única a conseguir tirar-me as preocupações da cabeça, foste a única a conseguir fazer-me realmente descansar, desarmar o coração da cabeça, arrancar a dor do peito, a ânsia dos pulmões e a vida perturbada da ponta dos dedos.

Foste a única que ao passar as mãos pelo meu rosto me devolveste a inocência que a vida teima em levar-me.

E se eu te contar que és única?
Acreditas nas minhas palavras?
Acreditarias nas histórias que tenho para te contar?
AS coisas maravilhosas que os teus risos me fazem sentir?
Saberás porventura o que realmente o meu coração sente?
És a única capaz de me abraçar com força.
Amparas-me com uma magia tão cuidada, tão teimosa e delicada.

O teu mais suave gesto. O meu mais (in)delicado amor.

sábado, março 1

Quando se põem a noite...



Recordo-me de ti quando sinto a tua falta. Lembro-me dos teus sorrisos quando tenho falta deles. Anseio pelo teu peito sempre que me dá vontade de chorar. Mesmo que a distancia nos separe e as nossas vidas só se unam por breves momentos, breves e curtas horas, curtos minutos passados no café ou na padaria da esquina da rua, sinto-te presente, mesmo não te tendo comigo todos os dias. 

Somos uma espécie de relação estranha, não confusa, mas muito peculiar. Tratamos-nos como irmãos, é pelo menos assim que nos vemos, como irmãos. Mesmo não sendo tal coisa, damos-nos bem e, talvez seja isso que nos faz tão próximos, tão, tão cúmplices um com o outro, ou, um do outro.

Se o que eu escrevi não reflecte na realidade a relação que temos, pelo menos deixa-me sentir que assim, desta maneira que escrevo sobre nós, me continue a fazer sorrir todos os dias de manhã, e me faça aquecer o coração quando se põem a noite.

terça-feira, fevereiro 25

Como um rei sem coroa...


Pela primeira vez te digo que tenho mais vontade de abraçar o céu do que o teu corpo, tenho mais vontade de devorar as palavras do que os teus lábios. Esta noite eu quero-te distante, não fisicamente, mas mentalmente. Quero-te distante, quero sentir saudades tuas, quero poder sentir saudades dos teus lábios, sentir saudades da tua voz, do teu amor, do teu gosto, do teu carinho, da tua vida, quero sentir-te falta.

Se eu alguma vez perder o controlo quero que lá estejas para mim. Não para me secar as lágrimas, não para me levantar do chão, mas para me ajudar a curar as minhas feridas. Não preciso dos teus beijos, mas se os tiver como algo que me motive a tirar os joelhos do chão e a voltar a erguer-me diante do mundo, então beija-me, mima-me, atira contra mim todo o amor que tens dentro de ti. Quero-te ao meu lado para que eu possa sentir que aquilo que estou a viver não é nenhum sonho.

Hoje quero sentir-me como um rei sem coroa...
Evita tornares-te no passado, pois eu, preciso de ti como futuro!

domingo, fevereiro 23

Ao olhar-te...


Ao olhar-te, ao beijar-te, ao abraçar-te
com carinho, posso sentir-te melhor,
mais perto de mim...

Escrito na folha de mesa do restaurante "Ei"

sábado, fevereiro 22

Quero perder-me do mundo...


Estou farto de escrever sobre ti. Adorava poder viver-te com mais intensidade, perder-me no teu corpo da mesma maneira que me perco com as palavras. Perder-me nos teus lábios como me perco com os pensamentos. Perder-me com a tua voz como quando me perco ao ouvir música. Quero perder-me do mundo e encontrar-me em ti. 

Tenho milhares de pensamentos na minha cabeça e apenas um faz sentido para ti.

quarta-feira, fevereiro 19

Por vezes...


Atravessei o oceano para ver o teu sorriso outra vez.
Confesso que já tinha saudades de te ouvir sorrir.
Queria voltar a beijar-te, voltar a sentir os teus lábios.

Tive saudades do teu corpo, saudades do cheiro do teu perfume.
Por vezes quando fechava os olhos, conseguia ver-te, eras uma mera ilusão, um simples pensamento, mas conseguia ver-te mesmo assim. E apesar de estarmos tão distantes, tão soltos e cada um com a sua vida, sinto-te perto, sinto-te chegada.

domingo, fevereiro 16

E só mais uma coisa...


Há tantas coisas na minha cabeça neste momento, há tantas coisas que gostava de chorar, tantas coisas que gostava de te dizer, tantas outras que gostava de gritar até que os meus pulmões sangrassem. Adorava ver-te sorrir todos os dias, adorava poder sentir o teu peito, saborear os teus lábios, ouvir o teu coração e as palavras que mantens na cabeça. Adorava poder lavar-te o pé e massajar-te as costas. Pegar-te nas mãos com carinho, com dedicação e tratar de ti, prometer-te diante do mundo, diante do sol, debaixo da lua e das estrelas que para sempre tomarei conta de ti.

Ajoelho-me diante de ti. Observo o teu rosto sorridente a ficar sério, a ficar surpreso e pelos olhos passam-te milhares de pensamentos que te fazem esconder o rosto, que te fazem sorrir envergonhada.

Estou de joelhos, digo-te tudo aquilo que o coração há já demasiado tempo tem para te dizer. Em breve não estaremos juntos e ou digo-te agora tudo o que sempre me fizeste sentir, se não o fizer ficarei a viver num arrependimento de nunca o ter feito. Deves ficar a saber de que me aqueces a alma, de que me motivas, que me extravasas tudo de uma maneira tão natural como o próprio respirar. Tomas-me como teu companheiro para a tua vida? Não me quero casar contigo, sabe-o, apenas quero ser a pessoa com quem tu queiras passar a maior parte da tua vida. Diz-me, meu amor.

E só mais uma coisa...
Adoro quando me aqueces os pés nas noites de inverno.

segunda-feira, fevereiro 10

Contigo sinto-me capaz de arriscar...


Com o tempo conseguiste tornar-te naquela pessoa mais chegada a mim, na pessoa de quem eu sinto falta mal eu fecho a porta de casa, ou quando te telefono e tu não atendes ou mando mensagem e tu ficas horas sem responder, tudo porque estás a trabalhar. Posso olhar para ti durante horas a observar-te que nunca me canso, nunca me deixo aborrecer pelo silêncio entre nós. És uma magia andante, carregas no coração um carinho tão fofo e delicioso que me comove muitas vezes à noite. Não me canso de ouvir a tua voz, de te olhar nos olhos, de sentir o teu cheiro a entrar-me pelas narinas, de me acarinhar quando o dia foi mais cansativo, quando as dores no corpo voltam a atacar-me. Adoro a maneira como me acolhes no teu peito largando sempre um beijinho e um passar de mãos sobre os meus cabelos enquanto me falas das tuas coisas, dos teus medos, de tudo aquilo que durante o dia te aborreceu, das coisas que te fizeram sentir mal e as outras que te dão motivos para colocar um sorriso no rosto. As lidas são feitas a dois, mas quando um tem mais preguiça lá nos ajudamos. Fazemos pequenos favores um ao outro. "Amanhã lavo eu a loiça, pode ser?" Perguntas-me tu com um sorriso no rosto sentada no sofá. Eu acho estes pequenos momentos sempre tão maravilhosos. Por vezes quando vais para a cama e eu fico em frente ao computador a carregar nas teclas, eu escrevo, meu amor, eu escrevo sobre os nossos momentos, sobre aquilo que me faz apaixonar por ti todos os dias, sobre aquilo que me faz sentir seguro cada vez que estou contigo, porque é contigo que me sinto bem, é contigo que o medo não se manifesta, é contigo, meu amor.

Contigo sinto-me capaz de arriscar tudo na vida e avançar para o próximo passo, o próximo assunto de debate. O escolher o nome, comprar a roupa, se para rapaz ou rapariga, o que esperamos que ele/ela sejam no futuro e no fim acabamos sempre por dizer "quero que seja apenas feliz, só isso!". E nada mais do que isso nos importa, nada mais.

Posso arriscar e dizer que gostava de ter uma menina?
Que gostava que ela tivesse os teus olhos e o teu sorriso?
Gostava que tivesse um coração tão aconchegado como o teu.
Gostava que tivesse a tua maneira de ser.
Que tivesse o teu nariz e os teus lábios.
Gostava que fosse melhor escritora que o pai.

Não importa como ela nasça, sei que somos capazes de lhe dar o melhor de nós.
Dar-lhe um sorriso e um aconchego sempre que precisar de um, ou dois, ou mais.

Se ao menos tu, existisses...
4.1.2014

domingo, fevereiro 9

O façamos a sorrir...


Quando o mar deixa de fazer o seu indistinguível som o silêncio apodera-se das nossas vozes. Esperamos que o silêncio passe, que o som volte a fazer parte de nós. Por breves momentos ouvimos o nada, o vazio, o choro/sofrimento do mundo. Queremos abraçar aquele momento maravilhoso e nunca mais largar. Olhamos um para o outro, sorrimos sem largar qualquer palavra, qualquer som que perturbe aquele tão delicioso momento. Orgulho-me que o nosso silêncio seja agradável, que nos dê esta alegria que só olhando nos olhos um do outro entendemos o verdadeiro sentido das nossas vidas, o verdadeiro sentido do nosso amor, da cumplicidade que nos atormenta todos os dias, dos sorrisos rasgados, das lágrimas caídas sobre os nossos rostos, dos beijos longos ou curtos, das discussões, dos prazeres que os corpos tanto gostam de ter.


Quando te conheci senti a minha vida mudar.

Tudo à minha volta se tornou mais claro, mais novo e menos comum.
Só te quero a ti.

Se temos de morrer, que pelo menos o façamos a sorrir.

sábado, fevereiro 8

Aquece-me o rosto...


Amanhece o dia vem de mansinho, aquece-me o rosto e faz-me acordar sonolento. Viro-me para o teu lado e abraço-te com carinho, apodero-te em mim, contra mim, diante de mim, com os teus olhos fechados e os teus lábios unidos. Sinto a tua expiração ao tocar-me pelo peito, porque me fica quente, sinto-te a inspirar quando sobre ele ganho um frio estranho, como se tudo o que me estivesses a dar estivesse de certa maneira a ser-me tirado. Vislumbro-me com o teu suave sorriso, com os olhos fechados, com o rosto limpo da maquilhagem, limpo das máscaras e das mentiras de tudo aquilo que não é. Daquilo que não és. És um encanto e encantas-me também a mim quando com essa suave e penetrante voz me adoças o peito, me ajeitas a respiração, me arrancas do corpo os males e no rosto me colocas um sorriso, por mais simples que seja, por mais pequenino que o deixes sobre o meu coração será sempre a tua personalidade, o teu amor e carinho que me ião fazer sorrir, se não for por fora, por dentro de certo que estarei, meu amor.

Acende uma vela meu amor. 
Preciso que me ilumines a escuridão.

Tenho saudades...


Tenho saudades de tomar café contigo!

sexta-feira, fevereiro 7

Vejo-te no Comboio...

Tu passas todos os dias bem diante dos meus olhos. Há dias em que não apareces no comboio, há outros em que pura e simplesmente te sentas à minha frente em bancos de seis lugares, mais precisamente nos do meio da primeira carruagem e , quando apanho o comboio entre as 18h e as 19h tu vens na carruagem do meio. Eu vejo-te à distância e quando me vês parece que me olhas com gosto, não sei como explicar. Tudo parece tão estranho quando te olho nos olhos tentando descobrir o que raio está a surgir nessa cabeça. Vejo-te o rosto e é tão querido, observo o teu sorriso e é tão rasgado. Adoro a tua voz e a altura que tens de corpo. De ti sei pouco, apenas que poderás ser talvez uma enfermeira em algum hospital de Aveiro, pois o comboio é de Coimbra-Aveiro. Entras sempre na mesma estação sempre à mesma hora, Mogofores. Quando o comboio por lá pára os meus olhos ganham uma adrenalina que me faz procurar por ti, que me faz procurar pelos teus olhos. Usas óculos. Eu costumo estar sentado de costas para a porta de saída ao lado de uma rapariga, talvez a conversar. 

De ti também sei que tens um problema complicado no joelho, não sei dizer se no esquerdo ou no direito, apenas ouvi uma conversa tua com uma colega. E ainda no outro dia houve uma rapariga com quem começaste a falar. Tu de um lado e ela do outro com o corredor a separar-vos. Ela tinha caracóis e tu tinhas esse cabelo castanho claro e liso tão bonito como os teus olhos. Apesar de nunca lhes ter visto a cor eu gosto quando olhas para mim e da expressão que fazes quando os nossos olhares se cruzam. Tu mantens-te a olhar e rapidamente desvias o olhar.

Adorava saber o teu nome.

quinta-feira, fevereiro 6

Quero que seja o mais natural possível...



Sinto que estás cada vez mais perto de mim. Há uma certeza que me vai invadindo o peito calmamente. Não tenho presas para saber quem és, não tenho pressa para que o sol venha. Sinto que estás cada vez mais perto. Há medida que os dias vão passando e eu vou ganhando confiança sobre a minha pessoa apercebo-me de como tudo um dia destes irá tornar-se tão diferente. 

A vida custa quando se é feita sozinha, mas neste momento estou desejoso apenas para ver o teu sorriso. E se fores tu quem eu vi hoje no comboio, digo-te que tens um sorriso rasgado e uma voz bonita. A personalidade? Essa vai-se descobrindo com o tempo. Não me imagino contigo, não me ponho para aqui a pensar " e se fores tu a tal pessoa? ". Não penso e acho que é isso que tem tornado estes últimos dias tão maravilhosos. Porque a qualquer momento as coisas podem mudar/dar a volta e tudo será inesperado, porque quando acontecer, quero que seja o mais natural possível.

Cada vez me sinto mais perto de conhecer a minha cara metade.

terça-feira, fevereiro 4

És mais brilhante que o sol...


 - Estou grávida!

Caminho ao teu encontro enquanto as lágrimas me vão saindo sem qualquer tipo de esforço dos olhos. Esboço um sorriso e tu respondes com outro de igual amplitude. Soltas a tua primeira lágrima em meses e chego a tempo de a beijar delicadamente. O som do beijo perpetua-se sobre os meus ouvidos. Olho-te nos olhos e enquanto as lágrimas se vão apoderando do meu rosto beijo-te, beijo-te porque não sei o que dizer, que palavras usar para descrever o sentimento maravilhoso que estou a sentir neste momento. Tu ris e choras olhando para mim. Limpas as lágrimas mas eu teimo em tirar-te os braços do rosto. Deixa correr as lágrimas, deixa que a vida te encha a alma de vida, deixa-te sentir as lágrimas, deixa-te sentir a viver este momento, porque ele é único meu amor e não se repete mais nenhuma vez. Neste momento junta-se o ranho teimoso à confusão das lágrimas e dos beijos suaves e sentidos.

Há já tanto tempo que não sentia um beijo teu assim tão calmo, tão pausado, tão sem pressa nenhuma de acabar. O meu corpo não se excita a minha cabeça está focada nos teus lábios, em saborear tudo o que te vai ter à boca e do que dela sai. Há já tanto tempo que não te sentia assim tão calma, tão cheia de vida, cheia de uma energia contagiosa. 

Podes não te sentir preparada e, mesmo que eu sinta o mesmo, acho que deveríamos pegar neste momento as nossas vidas pelos colarinhos e mostrar-lhes quem manda nela.

És mais brilhante que o sol.

domingo, fevereiro 2

Assim que te larguei a mão...



O olhar que no teu rosto se fez assim que te larguei a mão, foi das coisas mais dolorosas de ver. Eu contia as lágrimas para não chorar diante de ti, não por orgulho, mas porque eu não queria chorar, mas agora que revejo tudo na minha cabeça eu deveria ter chorado, porque até hoje, depois de quase um ano, ainda não chorei a tua perda, a tua distancia, o teu amor, as tuas lágrimas, a tua vida que começava a fazer sentido dentro de mim. Mas não chorei porque achava que tinha de ser forte e dar-te o apoio necessário. Custou-me tanto ver-te de costas voltas para mim e de lágrimas no rosto. Era quando olhavas para trás que o meu corpo se arrepiava. Não foste só mais um, foste uma senhora, pequena, mas foste mulher. 

As estrelas diziam-me tantas vezes, nada ou deixa-te afundar. Mas eu não queria saber delas para nada, queria-te apenas a ti. Não escrevo agora sobre ti porque me sinto sozinho, mas sim porque sei que fui mau quando deveria era ter sido bom, que deveria ter dado mais um beijo e um abraço depois de já ter dado dois, que te devia ter amado com mais tempo. Que deveria ter-te ouvido mais e tentado perceber o que se passava dentro de ti. Ou talvez devesse o contrário ter acontecido. Deveria preocupar-me mais comigo primeiro, arrancar as maldades de dentro de mim. Aconteceu e estou grato por te ter conhecido. 

Por vezes pergunto-me se tudo o que fiz, esquecendo a meia dúzia de coisas más, se tudo o resto que te disse, que te fiz, que te dei, que te ofereci, se tudo isso teve algum efeito positivo em ti. Tinhas o mundo mesmo a teus pés. Tinhas tudo. Tinhas tudo para seres mais do que és hoje.

O meu reino perdeu a rainha. Tudo o que chego a amar rapidamente se distancia.

Já não sei...


Vou aprender a tocar guitarra, vou aprender a tocar piano, vou aprender a cantar, vou aprender a dançar, vou aprender tudo o que possa aprender antes que o meu coração pare. E depois de tudo vou tentar reconquistar-te. Porque não te quero perder de novo. Vou conseguir, tenho a certeza. Mesmo que não consiga chegar a aprender tudo, eu vou tentar arrancar todos os dias um sorriso teu. Vou todos os dias tentar colocar um orgulho nesses olhos. 

Adoro apertar-te nos meus braços e sentir o teu corpo quente. Gosto de ver de perto esses olhos, de sentir o teu perfume a entrar-me pelas narinas e gosto principalmente de te aconchegar a cabeça no meu peito, de te olhar e ver-te de ar sereno e delicado.

Já não sei o que mais escrever sobre ti. Sinto falta de um amor como o teu. Tenho saudades das tuas mãos. Tenho saudades do teu beijo ao fim do dia. Tenho saudades tuas meu amor.