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quarta-feira, abril 27

Este amor que...


Damos as mãos numa tentativa de nos sentirmos unidos. Damos beijos com a esperança de que os sentimentos sejam trocados, sejam sentidos um pelo outro. Olhamos nos olhos e sorrimos intensamente por acharmos que um milagre irá unir-nos para sempre com este amor que nos afoga e aquece o coração. Acreditamos no futuro porque a respiração que temos hoje foi dada hoje e ansiamos que amanha também lá esteja ajudando-nos a sentir o ardor nas nossas bocas.

Quero amar-te de maneiras tão perfeitas que temo que o amor que chegue a sentir por ti te desfaça do pedestal em que te coloquei. Temo que a vida seja demasiado azeda para que te possa amar dignamente. Para onde me irei virar quando disseres que as coisas já não dão mais?

Irei de novo sofrer da ausência do teu corpo junto ao meu, dos teus lábios delicados, dos teus olhos carregados de fogo, das palavras doces com que me entretinhas horas e horas seguidas, muitas vezes pela noite dentro, contando-me as histórias da tua vida, os teus desejos, o teus sonhos, os teus segredos mais mal guardados? Irei sofrer de saudades das mãos carinhosas com que me acariciavas o corpo, dessas mãos que me aqueciam a alma e lhe davam o sustento de que precisava? Irei sofrer certamente de tudo o que me irá fazer sentir vivo todos os dias, e de muito mais do que possa chegar transpor em palavras. Só posso desejar que o sorriso nunca morra e o brilho nos olhos nunca se acabe. 

O meu coração... transformar-te-á em mais uma memória alegre.

quinta-feira, abril 14

Disseste através deles...

Houve ao inicio um clima de fazer fervilhar o sangue nas veias, de fazer tremer as mãos, o corpo, de ficar com os lábios secos e ansiosos por um beijo. Olhei-te com desejo, tu olhavas-me de volta. Havia uma ânsia de nos completarmos, de nos fazer gemer, de soltar palavras doces, de fazer coisas amargas ao nosso corpo. A vontade era muita, mas a timidez venceu todas as batalhas existentes na nossa cabeça, enquanto freneticamente nos dava murros no estômago e nas cordas vocais, impedindo-nos de falar, de dizer, de perguntar qualquer coisa. Ficámos uma hora mudos diante um do outro. A razão não a sei, se por timidez, se por medo do futuro, ou do presente quem sabe?

Depois de todo aquele clima acabar, olhei-te uma vez nos olhos e tu fazendo o mesmo disseste através deles: "Adorei conhecer-te!"

segunda-feira, abril 11

A voz fica mais baixa...

Gostava de sonhar contigo, de saborear tudo aquilo que és. Sentir todo o teu corpo, segredar-te ao ouvido coisas loucas e ousadas. Os lábios tocam-se, as mãos tremem, os olhares cruzam-se várias vezes e os corpos já começam a transpirar, a suar e com os minutos a passar depressa, também nós nos apressamos a despir. Acaricio-te o peito, mordo-te os lábios, fixo o meu olhar no teu e agarro nas tuas ancas e tento encaixar-te no meu corpo. Este que já fervilha de desejos por ti. Despes-me a camisola, e eu colo uma mão por dentro das leggings que trazes e que te assenta tão bem nesse corpo de ballet. Gemes enquanto mordes o lábio e reviras o olhar ao tecto. O pescoço é agora meu, e delicio-me nele, beijando-o, mordendo-o e sigo para a orelha, o teu ponto mais fraco e mordo, passo a língua, puxo-a para que tenhas o prazer e o desejo de me dizer "vamos fazer!" E as coisas descontrolam-se e antes que estávamos debaixo de cobertores, estamos por cima, a suar, a gemer, de corpos unidos num só.

Acabamos por nos vir ao mesmo tempo, apoiando-nos um no outro, soltando beijos, abraços e carinhos no corpo um do outro. A voz fica mais baixa, os olhos já se fixam mais vezes, e os sorrisos são tímidos, mas sentidos.

terça-feira, abril 5

O corpo acalma...

O teu corpo repousa confortavelmente na minha cama. A cabeça amavelmente aconchegada pela minha almofada ortopédica de feijões. O peito sobe e desce lentamente, à medida que o ar vai-se desfazendo dos gritos de há dez minutos. O corpo acalma uma vez mais.

Considero-te a fundação do meu amor. Foste crescer no meu peito, foste crescer em saudades na minha cabeça, fizeste desvairos acontecer, fizeste a ingenuidade acordar de sonos profundos. Perguntei-me durante tantos anos quem é que eu era, quem queria eu ser, e descobri sobre mim com a tua ajuda mais do que poderia esperar. Foste sempre o meu sol e eu a tua sombra, hoje está na altura de ser eu a respirar sozinho, ter a minha própria sombra e seguir a vida amando os outros como me amaste até hoje.

Nunca estive tão certo e enganado ao mesmo tempo. O teu corpo foi a chave e a tua boca o meu local de tesouro, onde depositei as minhas mágoas, e os meus segredos mais sombrios.