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domingo, novembro 29

A complicada forma...

A vontade de acalmar muitas vezes acaba por tornar tudo tão mais confuso. Deixemos as palavras saírem, se nos calarmos o coração irá sofrer. Por certo fará sofrer, por certo ainda deverá haver a capacidade de abraçar e beijar cada pedaço, cada camada de pele do outro até que ao coração se chegue e sobre ele se chore o amor, se chore a perda, o carinho, o trato cuidadoso, a emoção de o ter, a vontade de o ver viver.

Tu és tão difícil de esquecer. Por vezes até difícil de entender. Eu cá vou fazendo os possíveis para que de toda a complicada forma que o teu coração toma quando partilhas os teus medos, os teus anseios, as tuas mágoas, as tuas feridas e me mostras as tuas cicatrizes, guardo em mim um pedaço do que és, do que foste e ponho-me a imaginar o que no futuro serás. É complicado perceber o quanto de carinho e afecto começo a ganhar por ti. Pois por um lado sinto-me bem com a relação que temos, e por outro parece que apesar de tudo fazer sentido, tenho medo da distância que se pode criar entre nós. Um dia irás à tua vida e eu à minha e será aí que terei de voltar a aprender a viver no silencio, a viver sem a bolinha verde a dizer-me que estás ligada, do tempo que vais demorar a dizer olá quando te saudar com um bom dia ou boa tarde.

Não tenho medo do futuro, tenho medo do frio que ele me possa causar.

quinta-feira, novembro 26

Desde então que...

A sua voz era como o ouro, doce, suave, brilhante e deslumbrante. A sua personalidade era tudo o que o céu desejava ser. Tinha tanta humildade como uma borboleta sobre as pétalas de uma flor, tinha de honesta o que não tinha de arrogância, tinha uma personalidade irrequieta, e o respeito que tinha pela mundo residia no lugar onde residia o amor pela família, no peito.

Os seus sonhos faziam parte da sua personalidade. Definiam o que era o que podia vir a ser. O horror não lhe povoava a mente, não lhe penetrava no coração, não lhe chegava a tingir de sangue as mãos. O tempo para ela sempre passou mais devagar, a vida para ela sempre foi verdadeira, sempre foi difícil de esquecer ou ignorar. Para ela não havia coisas pequenas ou grandes para aproveitar, tudo eram emoções, tudo era sentimentos, tudo era belo. As crueldades do mundo eram para ela algo impuro, pois a maldade estava nos corações e não na mente.

Certo dia um rapaz passou por ela, e desde então que já mais foi a mesma. Foi o amor quem a corrompeu. Ela era livre do amor e já não o seria mais.

domingo, novembro 22

Que tenho medo...

O silencio dos teus olhos fez-me sentir um enorme peso sobre o coração. A boca secou e não a pude mais usar. Desejava falar-te mas era em vão todo o meu esforço. Começaste a chorar no momento em que estiquei a minha mão na tua direcção. O meu corpo petrificou assim. De braço direito firme no ar com a palma da mão levemente virada para cima e os meus dedos a suplicar pelo toque da tua mão.

As lágrimas gelaram-te o rosto e a mim nada pior do que te ver chorar, nada pior do que te ver tão triste. Que fiz eu para te ter assim diante de mim? Que fizeste tu aos céus para que eles te condenassem desta horrorosa e terrível forma?

Uma forma misteriosa impede-me de mexer e outra maior ainda impede que me consigas tocar, há uma barreira invisível entre nós. Há algo estranho que me separa de ti e eu não sei o que é. Quero-te tanto assim tão de repente, sem pensar que talvez seja isso que nos faz ter esta camada a separar cada um de nós. Pois eu quero tocar-te, abraçar-te, beijar-te, sentir-te, e ao mesmo tempo não o quero fazer, quero ver-te apenas, falar-te, olhar-te, sorrir para ti.

És um carinho que tenho medo de perder se chegar a tocar.

quarta-feira, novembro 18

O abraço confortável...

Se antes era apenas a tua beleza que me encantava, agora são as tuas palavras e o teu raciocínio. Como me admiro com as tuas conclusões, com as tuas revoltas, com as tuas lutas. São as conversas que me trazem de novo à realidade, aos sentimentos que tento calar para não sentir tanta dor e saudade do que um dia tive como certo. 

És a mão carinhosa que me passa no rosto. És o beijo simples que me toca na bochecha. És a lágrima de amor que me ataca o peito de saudade. És o abraço confortável e a palavra amiga que eu gosto de ter sempre por perto.


As tuas palavras encantam-me: «Gosto quando dizes "criar aquilo que sentíamos um pelo outro.

sábado, novembro 14

Te seja...

Eu sou o homem que quer o mundo. Eu sou o homem que quer ser rei. Que quer ser rei contigo ao seu lado. A vida tem sido injusta, o povo tem sido injusto para comigo, para contigo, para nós. A vida é muito mais do que estas coisas pequenas e mesquinhas que as gentes fazem e dizem sobre nós. Somos muito mais do que eles Inês. A vida é tudo aquilo que possamos viver sem exageros. Quantos dias fui eu a Albuquerque só para te ver da janela? Quantas noites passei eu sem dormir só para poder ver-te na manhã seguinte? Quanto perdi eu do mundo na ânsia de te ver? Quantas cartas escrevi eu e quantas escreveste tu e nunca nenhum de nós as chegou a ler? Quantas vezes enfrentei o meu pai para que parasse com tamanha estupidez, com tamanha revolta contra ti e os teus? Quantas vezes me disse ele «Ela é um cancro e vai-te levar à morte!» e eu sempre lhe virei costas e me dirigi a ti como a mulher que quisera eu que me fizesse ainda mais feliz.

Rasgaste o rosto com um sorriso deveras exagerado, e nesse momento pude eu ver-te genuína, pura e insensível ao mundo da corte. A vida mundana estava-te nas veias. Sempre gostaste mais do trabalho que da luxuria da corte, mesmo passando largas horas a arranjar o cabelo e a ajustar vestidos. Toda a mulher se gosta de arranjar. Era pelo teu coração que me fazia vergar. Era pelo teu amor que chorava. Era por ti que passava dias sem comer, dias sem dormir, dias de solidão, para no fim te ter por um pedaço do tempo tão curto como um encher de pulmões depois de tanto correr.

Que a alma te seja para sempre elegante.

terça-feira, novembro 10

Mais do que...


Nos teus olhos vejo a alegria. Nos teus olhos vejo a luta que travas todos os dias. E é nos teus olhos que orgulho de me ver. Dar-te a mão é mais do que te beijar o rosto, é mais do que dizer que te amo. Deixar sobre a testa um delicado beijo é dizer mais do que "eu protejo-te". É dizer-te que te quero, que te respeito, que tenho orgulho de lutar ao teu lado. Mas nada disto é aquilo que eu sinto, nada disto, nada destas palavras consegue mostrar aquilo que tu me fazes ao corpo, aquilo que provocas sobre as minhas memórias, ás minhas razões, ás minhas complexas e adversas sensações e emoções.

No silencio da noite ouço o teu respirar. Sinto o teu corpo deitado ao lado do meu, abraçada a mim, de testa colocada num dos meus ombros. Estás quente de corpo e fria de mãos. Apanhas-me o peito e parte das costelas ao primeiro toco e logo me arrepio, tenho tendência em dizer alguma coisa, mas nessa noite eu queria-te sentir de todas as maneiras. Queria sentir todo o teu amor, todo o teu carinho, toda a tua delicadeza a sair-te pela ponta dos dedos que me tocavam. "Abraça-me com mais força!" Disse-te eu. E tu encostaste-me mais e assim o fizeste. Que bem me senti naquela noite. Que bem me sinto adormecer e acordar com o teu rosto a sorrir para mim embelezando todas as minhas noites e manhãs.

«Escreve um texto» Disseste-me tu.
Guarda o que amas e queima o resto.

domingo, novembro 8

No fim disseste...

 
Eu não sou uma má pessoa, apenas gosto de sentir a vida de outras maneiras. Gosto de sentir o arrepio a atravessar todo o meu corpo, o arrepiar de pele. Por vezes quando as palavras não me saem chego a morder os meus lábios com tanta força que quase me afogo no meu próprio sangue. O teu som poderá em algumas alturas perder o significado e o teu toque virá a causar apenas dor. Eu não quero que desistas de mim, pois eu não vou desistir de ti, pois quero-te sempre à minha volta, sempre presente nas minhas memórias.

É no teu silencio que encontro a minha revolta. É na tua voz que encontro a minha calma, o meu conforto. É com o teu amor que chego a pensar que o futuro é possível. Que por mais lágrimas que tu ou eu soltemos para o mundo, o amor acabará por nos fazer acreditar que a vida boa ou má que levamos é satisfatória, pois se não fossemos vivos, o que chegaríamos a amar?

Quando disse que te amava, mostraste-me a língua. Ao inicio não percebi o que querias dizer, mas logo te achegaste e pude ver que a tinhas carregada de cicatrizes, de marcas de dentes, como se tivesse um passado horrível em cima de si. Disseste-me que "foi feito pelas coisas que nunca te cheguei a dizer!". Foram tantos dias sem me ver. Tantos pensamentos de revolta que te moíam a cabeça. Foram tantas as memórias que querias criar e com a distâncias não a podíamos fazer.

E no fim disseste "eu também te amo".

sábado, novembro 7

Nem mais ou menos...

Anseio-te na mais pura e inocente forma. Anseio dizer-te boa noite, dar-te beijinhos na testa e dizer que te adoro. Anseio apenas estar ao teu lado, nem mais ou menos.
 
Anseio amar-te. Anseio ver-te morrer. Anseio viver contigo o que a vida nos deixar. Anseio-te com carinho. Anseio-te com orgulho.
 
Anseio que possamos viver para sempre. Deixemos secar o coração só depois de partir.