Páginas

domingo, dezembro 28

Antes de nasceres...


Palavras caem gentilmente dos teus lábios e pousam sobre as minhas orelhas. 

Sozinho na escuridão choro alto e apareces tu com esse carinho nos braços, com esse amor que te afoga o coração no peito, entre essas costelas tão delicadas onde bate incansavelmente sem qualquer descanso. E dentro dessa mente de mulher tens tudo o que precisas para me levantar do chão. Fala só comigo, pois és apenas a única mulher que preciso, a seguir à minha mãe. 

Há uma voz que me fala dos medos. Há uma voz que me faz chorar de alegria, que me faz sentir que alguém se preocupa comigo, que ainda há quem seja amável para ver o melhor em mim. Há uma voz cuidadosa nas palavras que usa. E essa voz... Está nas palavras que ouço, nas palavras que leio, nas memórias que vou tendo. E não preciso de uma razão para dizer que não tenho medo de morrer, medo de perder o tacto do sentido da vida, medo de arriscar na vida, de saltar do topo do mundo, de dar o peito à espada, de dar tudo para vir a receber outro coração que não o meu.

«Já te amava muito antes de nasceres.» Matty Mullins - My Dear

sexta-feira, dezembro 26

Não te tive...

O natal passou. Mais um ano que não te tive, mais um ano que não te tenho. Entranho-me nas palavras, nas memórias, nos risos e lágrimas que vão povoando a minha cabeça. Vejo-te de rosto esbelto e sorridente, de voz calma e humilde. Tento descobrir-te, tento, viver com uma esperança que me possa alegrar o coração e todo o corpo. Que me aqueças como me aquecias antes. Hoje temo pela minha saúde mental mais do que antes, temo ainda mais pela saúde física, e menos pelo amor. Pois sem ele, durante estes últimos oito meses me tenho deixado ir com o vento. Mais dia menos dia, julgo que irei acabar como o esqueleto na cova, sem vida, sem amor, sem alma ou espírito que me faça agarrar a vida pelos cornos e dizer-lhe: "Esta é a minha vida e vou cuidar dela".

segunda-feira, dezembro 15

Apesar de não ter certezas...

 
Terá ela as costas das mãos tão suaves como a pele de um bebé? ou como o rosto de um homem depois de barba desfeita? Terá? Terá ela mãos tão doces como o beijo de uma mãe? Terá?
 
Pergunto-me se alguma vez caminhou pela terra coberta de legumes e vegetais da terra dos seus avós. Pergunto-me se alguma vez pegara numa enxada com o intuito de trabalhar a terra, ou se pelo menos sabe como é que os calos são adquiridos. Pergunto-me se terá ela a vontade de acordar ás 5 (cinco) da manhã para ir trabalhar, ou acordar ao meio da noite para acudir ao filho que chora desalmadamente pelo colo, pela mão suave e delicada da mãe, ou se não for choro de berreiro, é porque precisa da força do pai, do suspiro calmo e sonolento, que, cantarolando o vai adormecendo ao de leve, surpreendendo a mãe muitas vezes.
 
Pergunto-me se alguma vez ela será capaz de sujar as mãos com terra, ou qualquer outro tido de sujidade considerada horrenda para se tocar.
 
E agora pergunto-me a mim mesmo. Serei eu capaz de lhe pegar ao colo? De a acudir no choro, de saber falar-lhe calmamente, para lhe tirar do peito o stress, o mau olhado de que é alvo, ou os problemas que carrega no peito. Julgo que sim. Julgo que terei essa capacidade quando o momento surgir. E se não tiver, pelo menos até lá, tentarei sempre aprender com os erros que o passado me fez fazer, para que hoje e amanhã tenha o exemplo do que não devo fazer. Pergunto-me se correrá bem o resto da vida, de hoje até ao ultimo dia. Apesar de não ter certezas, espero que corra bem, ou pelo menos que haja mais felicidade do que tristeza.
 
A conversar, a partilhar, a viver, se vai ganhando/adquirindo a experiencia necessária para que o futuro se torne mais produtivo que o passado. E que assim seja, que daqui haja mulher capaz de pensar como eu, querendo tanto desta vida como eu o quero.

sexta-feira, dezembro 12

Se te voltasse a ver...


Há dias em que a cabeça quer sair de casa, mas não o corpo. O coração quer-se aventurar, mas não o corpo. Os olhos querem ver coisas novas, mas não o corpo. Tento achar um sentido para este momento em que o frio que me ataca os pés de noite quando estou deitado na cama, não é de uma rapariga, é do frio da noite, o frio do inverno que teima em ser esquisito e mesquinho. Começo a achar que esta sensação de frio constante é falta de amor.
 
Tenho planos, mas ninguém com quem os realizar. Conto os dias aos pares, conto as semanas, chegando a aperceber-me que não tarda muito e o ano acaba e eu de cama fria, de boca fechada, de olhos abertos para o tecto, de mãos e braços completamente pousados ao longo do corpo. A respiração abranda, o batimento quase que pausa, e à memória surge-me a rapariga do comboio, os seus olhos, a sua aparência tão menina, tão educada.
 
Poderia dizer que nada me acontece, mas tenho que admitir que tenho tido oportunidades que não tenho feito para as agarrar, ou porque sinto que não vale a pena, ou porque o não está sempre pronto a ser enviado. Mas "o se" nunca chega a ter resposta concreta.
 
Se te voltasse a ver, diante dos meus olhos, prometo aqui hoje, que se te voltar a encontrar, irei falar contigo. Mesmo que haja um não, ou negação da tua parte, irei falar contigo. Porque por mais estranho que te pareça o que te vou dizer, apesar de não saber se lês o que escrevo ou não, foste a única com quem me senti capaz de avançar e deter-te algumas palavras. Que seja a vida a dar-me frutos. Que seja.

terça-feira, dezembro 2

As minhas mãos sobre os teus ombros...


Ponho os olhos no teu peito, ponho as palavras na ponta da língua, coloco as minhas mãos sobre os teus ombros, sobre o teu rosto, sobre os teus cabelos. Olha para mim por-favor. Gosto de como o jeito ameaçador do teu olhar me faz arrepiar a pele do corpo. O sangue aflui ás tuas bochechas, as sardas ganham cor, os olhos intensificam o brilho, o corpo meça a tremelicar levemente. Separas os lábios enquanto esticas o pescoço para que o possa beijar. Mais do que desejar-te o corpo e a sexualidade, é perder tempo a conhecer-te, a entender-te, a sobreviver ao dia-a-dia com a preocupação no coração. Com borboletas na barriga, tendo-te no pensamento quase constantemente. Mais o teu sorriso, mais o teu "amo-te", mais o "gosto de ti". Há tanto que merecemos. E mais do que sermos felizes, merecemos desaparecer do mundo quando entramos em casa. A nossa única casa onde podemos pintar as paredes de negro, onde as palavras poderão sair sem que os outros se preocupem com a nossa vida. Com os nossos sentimentos preocupamos-nos nós e a nossa vida é feita apenas por nós.

Oh amor, que história contam os outros sobre o passado que tivemos? Surgem como leões na savana a querer apoderar-se da nossa vida, como se fizessem questão de nos fazer sentir de que não há sitio nenhum no mundo onde nos podemos esconder dos seus olhares, das suas cruéis palavras, dos gestos, dos horrores que querem provocar, das mentiras que espalham como sendo verdade. Acreditam eles que assim tocam o céu e que o inferno será para nós. Diria antes, tal como tu, que o céu irá arder e o inferno irá ganhar a luz que injustamente plantaram no céu.

Dizem que a verdade dói. Querem eles levantar a guerra. Sorte a deles que estamos em tempo de prendas.